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Pernambuco

31/10/2019


Ministro anuncia transferência de operação da Marinha para ampliar ações contra o óleo no Nordeste

Operação Dragão, maior ação naval da Marinha, acontece anualmente. Em 2019, ela ocorreria no Espírito Santo, mas foi transferida para o Nordeste, a partir de 5 de novembro.

G1/PE

O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, anunciou, nesta quarta-feira (30), no Recife, a transferência da Operação Dragão, da Marinha, para atuar na contenção das manchas de óleo nos nove estados do Nordeste. A mobilização é realizada anualmente e, em 2019, ocorreria no Espírito Santo, mas será implementada, a partir da terça-feira (5), nas áreas afetadas pelo desastre ambiental.

O anúncio foi realizado durante visita à Capitania dos Portos de Pernambuco, no Centro do Recife. Antes de falar com a imprensa, o ministro participou de uma videoconferência com representantes de outros estados afetados pelo óleo e de um sobrevoo até o limite do Cabo de Santo Agostinho, no Litoral Sul pernambucano.

“Todo ano, a Marinha faz uma operação chamada Operação Dragão. Ela é a maior operação naval que a Marinha faz e conta com a Força Aérea e com o Exército. É uma operação grande, envolvendo os meios Navais. Seria no Espírito Santo, mas nós estamos passando a operação para o Nordeste, exatamente para dar massa aqui”, declarou Azevedo e Silva.

A operação prevê aumento de pessoal, incluindo meios navais, terrestres, aéreos, aeronavais e de fuzileiros navais, com foco em ações humanitárias relacionadas ao meio ambiente. Também será feito o monitoramento das áreas marítimas atingidas e das águas jurisdicionais brasileiras.

O ministro não detalhou a quantidade de pessoal que será empregado durante a Operação Dragão de 2019, no Nordeste. Em 2017, a ação contou com 2.800 homens e foi realizada no Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Antes de chegar ao Recife, o ministro passou por Belém (PA) e, após a reunião na capital pernambucana, seguiu para Salvador (BA). Nesta quarta-feira, segundo o ministro, foram encontrados fragmentos de óleo em 12 praias de toda a Região Nordeste, sendo cinco no Rio Grande do Norte, cinco em Alagoas e duas ao sul da Bahia.

“Foram 12 nas praias do Nordeste inteiro, em tamanho muito pequeno, reduzido, mas isso não faz com que nós desmobilizemos o nosso dispositivo para atuar o mais rápido possível”, declarou o ministro, que informou, ainda, que o governo tem atuado em três frentes para tentar conter as manchas de óleo.

“A primeira fase é a investigação do que ocorreu. A Marinha, como autoridade portuária, autoridade marítima, está à frente disso. A segunda é a contenção. Identificar, no mar, o que está acontecendo, as manchas. Isso ajuda muito na vida, a Marinha e a nossa Força Aérea, além do Ibama e etc. E a outra é o controle de danos nas praias, que está sendo feito muito bem.”

Mancha gigante

Nesta quarta, dois pesquisadores de grupos diferentes, ligados às Universidades Federal de Alagoas (Ufal) e do Rio de Janeiro (UFRJ), divulgaram imagens de uma mancha de 200 km quadrados, com características parecidas com as do óleo que tem surgido. O coordenador de operações navais da Marinha, almirante de esquadra Leonardo Puntel, voltou a negar, no Recife, que se trate do material que polui as praias.

“Já foi dito que não é óleo. Foi descartado pelo centro de monitoramento do [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis] Ibama, que já fez um estudo, que mostrou que essa mancha não é óleo”, declarou o almirante.

A mancha foi vista a 50 km do litoral da Bahia. Ela possui superfície lisa, compatível com o efeito que o óleo causa ao quebrar a tensão superficial da água. As bordas são bem definidas e não há redemoinhos, o que descartaria possíveis relações com materiais vindos da decomposição de corais, por exemplo, segundo um dos especialistas ouvidos pelo G1.

Balanço

Segundo o governo do estado, Pernambuco recolheu 1.518 toneladas de óleo em praias em 13 dias, entre o dia 17 de outubro e a noite da terça-feira (29), dia em que Goiana, no Litoral Norte do estado, voltou a apresentar fragmentos da substância. Na cidade, pesquisadores recolheram mariscos para analisar impacto do desastre.

O volume de resíduos começou a ser contabilizado no dia 17 de outubro porque foi quando as manchas apareceram em maior quantidade, em São José da Coroa Grande, no Litoral Sul. O município teve o decreto de situação de emergência reconhecido pelo governo federal.

Também foram atingidas pelo óleo as cidades de Barreiros, Cabo de Santo Agostinho, Itamaracá, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Recife, Rio Formoso, Sirinhaém e Tamandaré.

O Tribunal Regional Federal da 5ª Região reconheceu, na segunda (28), uma decisão da Justiça Federal, que determinou que o governo federal e o Ibama adotem uma série de medidas diante do surgimento de óleo nas praias de Pernambuco.

O desastre ambiental no litoral nordestino deixou o setor turístico apreensivo, com diminuição de reservas em hotéis de Pernambuco nos próximos meses.

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