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Brasil

10/12/2013


Missa de 7º Dia de Marcelo Déda lota Catedral de Aracaju

SERGIPE

As melodias da Orquestra Sinfônica de Sergipe ressoavam entristecidas. Do lado de fora da Catedral Metropolitana de Aracaju, o telão montado para a população exibia uma cerimônia enlutada. Os cânticos, chorosos, conclamavam o homenageado da noite desta segunda-feira, 9. Lá de cima, certamente, centenas de preces foram acolhidas pelo governador Marcelo Déda.

A missa de sétimo dia de falecimento do governador Marcelo Déda foi celebrada pelo arcebispo de Aracaju, Dom Palmeira Lessa. Durante o sermão, Dom Lessa exaltou a fé cristã de Déda.

“Esta missa significa a oração de todo o povo a quem ele serviu que agora, como o coração agradecido, invoca a salvação plena dele. Marcelo Déda tinha a noção muito clara do que é um político e seu papel, que é a busca do bem comum. Déda foi um homem que colocou sua vida à disposição do povo e que se revestiu de fé. Na última vez que estive com Marcelo Déda, ele me fez um pedido: ‘Diga ao povo que eu peço perdão a qualquer pessoa que eu possa ter ofendido, a qualquer um eu peço perdão. Diga que é de coração que eu perdôo a todos os meus adversários políticos por algo que tenham me feito. Não tenho inimigos, nem mágoas, parto de coração livre. Só tenho que agradecer a Deus por tudo o que tenho, a vida e os dons que Ele me deu, e é isso que eu tenho, a gratidão a Deus’. Essa declaração dele, para mim, é algo extraordinário”, disse.

Durante a homilia, o arcebispo auxiliar Dom Henrique Soares acentuou o caráter republicano do governador. “Sergipanos, escutem o que vou lhes dizer: em toda a minha vida, não como um afago ao ego, mas como um reconhecimento à verdade, não conheci um homem de espírito tão republicano como Marcelo Déda. Sergipe deu ao Brasil um líder capaz de pensar numa sociedade justa, inclusiva. O que podemos fazer para homenageá-lo é levar a diante seus ideais. Desde que soube da morte do governador, uma imagem não sai da minha cabeça, a de uma ave abatida no seu mais alto voo. Quem de nós não se sente frustrado diante da morte? A morte é um mistério que se contempla diante de Deus e Deus é o único que sabe avaliar quem somos. O que viemos fazer aqui hoje foi entregar Marcelo Déda Chagas ao Salvador. Déda partiu maduro, a morte não o levou, ele deu sentido a sua morte”, afirmou.

Forte em seus ideais e na sua trajetória política, Marcelo Déda exprimiu a força do nordestino narrada por Euclides Cunha na obra Os Sertões: “O sertanejo é antes de tudo um forte". Sua intensidade nas conquistas do Legislativo e do Executivo municipal e estadual (exerceu mandatos de deputado estadual, federal, prefeito e governador) foi dilatada durante a batalha pela saúde. Em seu discurso, Jackson Barreto pontuou a pujança da administração de Déda, que busca o crescimento social e econômico através da inclusão.

“O legado de Marcelo Déda é pura sergipanidade. Sua visão de estadista e de republicano é tão impressionante que ainda não podemos avaliar, em todas as dimensões, o seu legado. Seu governo é marcado pela ética e pela maneira de elaborar e de realizar políticas públicas que contemplassem a melhoria das condições de vida de todos os sergipanos. Desde já, podemos afirmar sem medo de errar que o Sergipe que ele nos deixa é um lugar mais justo e melhor, principalmente, para os mais pobres. Seu pensamento humanista está concretizado em dois pilares de seu governo: a inclusão pelo direito e a inclusão pela renda. A inclusão pelo direito consiste na garantia de acesso a serviços públicos de qualidade. Déda transformou isso em realidade. Investiu na melhoria dos serviços públicos, iniciou a reestruturação do sistema de Saúde, com a construção de 102 Clínicas de Saúde da família, na construção de hospitais regionais, na interiorização do ensino superior, em parceria do Governo Federal. Além disso, investiu como nunca em infraestrutura. Pela primeira vez, temos uma malha viária integrada. Fez o maior investimento da história da região metropolitana em saneamento básico. Tudo isso, traduziu em melhoria na qualidade de vida de milhares de sergipanos. Durante o seu mandato, novas indústrias se instalaram em Sergipe, interiorizando o desenvolvimento. Tudo isso foi possível porque Déda acreditou que era possível incluir para crescer. Ainda é cedo para sabermos com precisão a extensão do legado de Déda, só a história dirá. Mas é certo dizer que, hoje, mais de 200 mil famílias sergipanas saíram da miséria e hoje vivem com dignidade. Marcelo Déda deixou Sergipe um estado mais forte”, afirmou.

“Não vou falar aqui do legado político de Marcelo Déda porque tenho certeza que cada sergipano, da capital ou do interior, consegue enxergar as obras dele. A maior obra que quero que vocês guardem no coração é o exemplo de honestidade, de ética. Não desistam da política, não pensem que políticos são iguais. Marcelo Déda veio ao mundo para mostrar que é possível fazer uma política de justiça social. Quero que Deus te abençoe, Jackson Barreto, que Déda esteja ao seu lado, te ajudando a pensar neste povo que ele tanto amou. A todos, por todo o apoio, o meu muito obrigado”, declarou a viúva Eliane Aquino.

Amigo e secretário nas gestões de Marcelo Déda, Silvio Santos o descreveu como um idealista. “Ele era um idealista que praticou seus ideais. Tudo aquilo que ele defendia, ele praticou no Parlamento e no Executivo. Essa é a maior lição de Déda, que é possível fazer das suas convicções seu sacerdócio. O outro imenso legado são suas obras. Duas vezes prefeito e duas vezes governador e com um portfólio de obras que mudaram a face do estado de Sergipe e que certamente melhoraram a vida das pessoas. É preciso dar continuidade a isso”.

Público

Centenas de pessoas acompanharam ao ato religioso na noite desta segunda. Para a jornalista Mayusane Matsunae, Déda despertou a consciência política de uma geração. “Déda nunca morrerá. Sua história e energia estão na geração de jovens e adultos que ele mobilizou e despertou para o exercício diário da cidadania”, afirma.

Sua capacidade de aglutinar diferente correntes políticas foi lembrada pelo servidor Almiro Oliva Alves. “Marcelo Déda buscou sempre o bem comum e respeitou as diferenças políticas. Admirava suas virtudes pessoais”.

“Ele vai fazer muita falta. O sentimento é de orfandade porque ele foi o governador de todos. Viemos buscar um pouco de conforto na fé”, disse Ana Cunha.

A aposentada Maria Consuelo também se juntou à multidão na praça da Catedral para homenagear o governador. “Vim porque o admirava como gestor público e como homem ético e honrado. Acompanho o trabalho dele desde quando foi deputado estadual, sua morte é uma perda irreparável”.

Agência Sergipe

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