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Rio Grande do Norte

29/09/2017


MPF bloqueia conta do Dnocs

Há três dias com o abastecimento de água suspenso, as cidades de Acari e Currais Novos, na região do Seridó potiguar, aguardam uma solução para o restabelecimento do serviço que afeta mais de 55 mil pessoas. Para funcionar, o sistema depende de uma adutora de 81 km construída em caráter emergencial pelo Departamento Nacional de Obras contra a Seca, que deveria trazer água da barragem Armando Ribeiro Gonçalves. A adutora começou a ser edificada em janeiro de 2015, e de acordo com o próprio Dnocs os trabalhos ainda não foram finalizados – os primeiros testes do equipamento, que custou R$ 33,9 milhões aos cofres públicos, foram realizados pela Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) no mês de março.

Ontem, o Ministério Público Federal (MPF) entendeu que o problema foi gerado pelo Dnocs, e nessa quinta-feira (28) apresentou um pedido urgente à Justiça Federal para que fosse bloqueada da conta do Dnocs a quantia necessária para garantir o abastecimento nas duas cidades. “As informações obtidas indicam que os reparos necessários na adutora emergencial ainda podem demorar, exigindo a substituição de tubulações e deixando a população local sem opção. Diante disso, o MPF requereu o bloqueio dos recursos, já que a aplicação de multas não tem surtido efeito”, justificou o órgão.

Informações preliminares, obtidas junto a Secretaria Municipal de Agricultura, Meio Ambiente e Abastecimento de Acari, dão conta de que foram verificados 32 pontos de vazamento entre as cidades de São Vicente e Currais Novos. Os açudes Dourado em Currais Novos, e Gargalheiras em Acari, estão secos.

A assessoria de imprensa do MPF declarou que “a ação judicial não especifica um valor”, pois aguarda um retorno do Governo do RN sobre a previsão de custos para viabilizar a inclusão das duas cidades na Operação Vertente, programa que mobiliza carros-pipa no abastecimento de áreas urbanas em colapso. Com Acari e Currais Novos, a lista de municípios com abastecimento em colapso sobe para 16 – quatro deles localizados no Seridó, e doze no Alto Oeste do Estado.

A Operação Vertente é coordenada pelo Gabinete Civil do Governo Estadual, e no fim da tarde de ontem a chefe de gabinete Tatiana Mendes Cunha informou à reportagem que serão necessários R$ 289 mil mensais para custear o abastecimento de três cidades da região afetada: além das duas citadas, Cruzeta também receberá a ação emergencial.

“Também estamos bastante preocupados com o abastecimento de água em Jardim do Seridó e Santana do Matos”, acrescentou Tatiana, que esteve reunida com equipes da Caern e da Defesa Civil Estadual para traçar as estratégias de atuação. Ficou decidido que os carros-pipa começam a abastecer os três municípios do Seridó a partir do dia 6 de outubro. “Amanhã (hoje), vamos assinar novos contratos com caminhões para reforçar a Operação Vertente. Ao todo, serão 90 carros-pipa circulando pelo RN diariamente”, assegurou. Ela disse que o Dnocs, até o fim da tarde de ontem, ainda não havia dado nenhuma previsão a respeito do período necessário para efetuar os reparos.

Números

33,9  milhões de reais foram investidos na construção da adutora emergencial de Currais Novos

55  mil pessoas, em Acari e Currais Novos, estão sem abastecimento de água regular

81 quilômetros é a extensão da adutora de Currais Novos, que traz água da barragem Armando Ribeiro Gonçalves até a região do Seridó

289 mil reais por mês serão gastos pelo Governo do RN para garantir o abastecimento das cidades com a Operação Vertente 2 (carros-pipa)

90 carros-pipa estão credenciados pelo Governo Estadual para dar suporte à Operação Vertente

16 cidades do RN estão com abastecimento em colapso: Almino Afonso, Francisco Dantas, João Dias, José da Penha, Luiz Gomes, Marcelino Vieira, Paraná, Pilões, Rafael Fernandes, Santana do Matos, São Miguel e Tenente Ananias na região do Alto Oeste; e Acari, Bodó, Cruzeta e Currais Novos no Seridó

77 cidades estão na lista de rodízio no abastecimento de água da Caern

Tribuna do Norte

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