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Brasil

08/09/2014


“Não deixamos nada debaixo do tapete” diz Dilma em sabatina

Encerrando a série de entrevistas do jornal O Estado de S. Paulo, a presidente Dilma Rousseff particiou de sabatina nesta segunda-feira (8) e abordou a denúncia feita pela Revista Veja, Pasadena, Petrobras e confirmou a saída de Guido Mantega.

Dilma questionou as informações apresentadas pela Veja, afirmando que só aceita as informações da Polícia Federal, ou seja, apenas dados oficiais. De acordo com a presidente, a própria revista divulgou diversos nomes, mas não citou fontes nem informações oficiais dos relatos de Paulo Roberto. "Quem faz a acusação é uma reportagem feita pela imprensa. Quem tem a informação é a imprensa. Os processos estão criptografados e dentro do cofre. Vazamento pode significar não validade das provas", disse.

"Eu determinei ao ministro José Eduardo Cardozo que fizesse um ofício à PF que, se tiver algum funcionário do governo, nós gostaríamos de ter acesso a essa informação para tomar as devidas providências", afirmou. E completou questionando: "É possível ficar divulgando sem a Justiça aprovar a delação premiada? Ela tem que ser investigada. Quem faz a delação pode não gostar de uma pessoa e acusá-la, ou estar protegendo alguém. Já que foi divulgado eu acho que tenho obrigação de querer saber. Minha obrigação não é olhar a matéria e falar 'está tudo certo'. 

 

A compra de Pasadena. 

Outro assunto que foi colocado em pauta foi a compra da Refinaria Pasadena, que nos últimos meses acabou gerando denúncias sobre o valor gasto, levando à criação da CPI da Petrobras. "Naquela época nós aprovamos a compra de 50% de Pasadena baseado em uam opinião fundamentada do Citibank, que dizia que era um bom negócio", disse a presidente.

"Mais tarde descobrimos que estava faltando um anexo de duas cláusulas, uma de put option e outra chamada cláusula mac.O conselho em todo o período só aprovou a compra de 50%. Os outros não foram sequer analisados pelo conselho. Tanto que o TCU concorda que o conselho não teria culpa nenhuma", completou Dilma.

Sobre as trocas no comando, a presidente justificou suas escolhas dizendo que substituiu quem ela não considerava que fossem os melhores para sua equipe e disse ainda que é normal alterar a presidente do conselho e defendeu Graça Foster. "Eu conheço Graça. Ela é uma pessoa minuciosa na gestão. É muito difícil alguém com a capacidade de gestão dela não estancar vazamentos. Obviamente em toda gestão você tem obrigação de melhorar o que recebeu. E eu acho que ela aumentou a qualidade de gestão". 

Dilma aproveitou para rebater as críticas que tem recebido pelo uso político da Petrobras. "Acho estranhíssimo alguém falar em destruição da Petrobras. Nós saímos de R$ 15,5 bi e chegamos ao patamar de R$ 111 bi. Como qualquer empresa do mundo tem seu valor baseado nas reservas de petróleo que tem e hoje a Petrobras tem uma grande reserva."

A presidente falou também sobre outros escândalos mas citou apenas o mensalão do DEM. "Quem não investiga não descobre. Desmontamos muitos esquemas de corrupção. O que me estranha é que outros esquemas não tiveram o mesmo tratamento. É o caso do mensalão do Dem. Eu acho que nós investigamos. Fizemos o dever de casa, não deixamos nada debaixo do tapete. Hoje, doa a quem doer, vamos investigar", disse.

 

Saída de Mantega.

Questionada sobre os rumores da saída do ministro da Fazenda, Guido Mantega, Dilma defendeu que mudaria toda a sua equipe caso fosse reeleita, mas no caso de Mantega ele informou que não poderia permanecer. "Ele comunicou que não tem como ficar no governo no segundo mandato por questões pessoais que eu peço para vocês respeitarem", disse. 

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