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Alagoas

10/03/2016


No Nordeste, AL tem o menor volume de financiamentos

Com uma queda de mais de R$ 210 milhões na comparação entre 2014 e 2015, Alagoas foi o estado do Nordeste que aplicou o menor volume de recursos em financiamentos ao longo do ano passado, conforme dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O montante utilizado para construção e aquisição de imóveis no estado é o mais baixo do último quadriênio e, segundo especialista, reflete o cenário econômico do País.

A redução se agravou, sobretudo, no segundo semestre do ano passado, quando instituições financeiras públicas e privadas elevaram a taxa de juros e dificultaram o acesso ao crédito. No total, os alagoanos aplicaram R$ 345,7 milhões em financiamentos, sendo R$ 216 milhões no primeiro semestre e R$ 129 milhões no segundo semestre – uma queda de R$ 87 milhões.

"Além da alta na taxa de juros, houve o aumento da burocracia e o atraso na liberação de recursos. Isso prejudica não só o consumidor, mas as construtoras, que buscam recursos para financiar as obras. Esse cenário não favorece a liberação de recursos, o que faz com que menos dinheiro circule", explica o professor universitário e economista Cícero Péricles.

Em 2014, havia sido injetado na construção civil do estado R$ 556 milhões; contra R$ 462 milhões em 2013; e R$ 362 milhões em 2012. Nos últimos cinco anos, o montante usado para financiamentos só é maior do que o registrado em 2011: R$ 316 milhões.

De acordo com Cícero Péricles, outro fator pode explicar a redução: Alagoas foi o estado do Brasil que mais se beneficiou com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) entre os anos de 2009 e 2014. O programa impulsionou o setor imobiliário, segundo ele, e possibilitou que mais de 100 mil unidades habitacionais fossem entregues no estado.

Na região Nordeste, os estados da Bahia, com R$ 2,5 bilhões; Ceará, com R$ 1,8 bilhão; e Pernambuco, com R$ 1,6 bilhão, lideram as estatísticas de financiamento. No Maranhão, foram usados R$ 600 milhões; no Rio Grande do Norte, R$ 571 milhões; em Sergipe, R$ 548 milhões; e no estado do Piauí, R$ 360 milhões.

"No caso específico dos líderes em volume de financiamentos, há de se observar os tamanhos dos mercados. Não podemos comparar a população e a oferta de imóveis na Bahia, no Ceará e em Pernambuco com o mercado alagoano. Até mesmo o Maranhão tem um mercado maior. Isso é um fator que deve ser levado em consideração quando se estabelece o ranking", conclui Péricles.

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