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Brasil

08/06/2015


Nordeste menos fecundo: Nordestinas estão tendo menos filhos a cada ano

Números e detalhes populacionais, causas e consequências de determinados fenômenos sociais, crescimento e deslocamentos urbanos, são captados e analisados por profissionais da área de demografia. E a Universidade Federal do Rio Grande do Norte vem se tornando um importante pólo nacional de formação de demógrafos, através do Observatório das Metrópoles, Núcleo Avançado de Políticas Públicas, reunindo pesquisadores dos Departamentos de Ciências Sociais, Arquitetura e Urbanismo, Estatística e Geografia, integrantes dos programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais (mestrado e doutorado), Arquitetura e Urbanismo (mestrado) e Geografia (mestrado) e do Grupo de Estudos Demográficos.

Porém, os dados obtidos ainda são pouco conhecidos por grande parte da população. De acordo com Ricardo Ojima, professor do Departamento de Demografia da UFRN, além de a formação acontecer apenas em nível de pós-graduação, a abrangência da área ainda é muito pequena.

No Brasil, segundo ele, só existem quatro programas de demografia — Campinas (SP), Belo Horizonte (MG) e outro no IBGE do Rio de Janeiro. O primeiro criado fora do Sudeste é o de Natal.

Fecundidade em baixa

Um dos principais pontos observados pelo núcleo liderado por Ricardo Ojima é a queda nos índices de fecundidade das mulheres nordestinas, incluindo as potiguares. As principais causas desse fenômeno, de acordo com o professor, estão relacionadas com a inserção cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho, transformações nos arranjos familiares e o aumento no número de pessoas morando sozinhas. De 1960 para hoje, a média de filhos por mulher caiu de seis para um.

Sobre relação domicílio/população na região metropolitana de Natal, usando o período de 1970 até 2010, a quantidade de domicílios cresceu num ritmo de 4,1% ao ano. Enquanto isso, a população cresceu em média 2,9% ao ano.

“Ou seja, o crescimento dos domicílios é muito maior que o da população, mostrando um descompasso: tendência de que as famílias estão cada vez menores; o número de filhos por mulher está cada vez menor, então o ritmo de crescimento da população também vai caindo. Mas, por outro lado, a quantidade de domicílios que moram gente; e eu não estou nem falando da especulação do mercado imobiliário, com quantidade de apartamentos ou casas que não têm ninguém morando; estou falando só dos domicílios onde tem gente morando; ou seja, a quantidade de pessoas por domicílio efetivamente ocupados. Então esse descompasso é uma coisa interessante de se observar”, explica Ojima.

Tribuna do Norte 

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