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Brasil

23/02/2016


Novela “Velho Chico” homenageia dupla veterana do cinema paraibano

Por Pedro Callado

Velho Chico é a próxima novela do horário nobre da Rede Globo. A trama, que acontece no Nordeste, terá início no final dos anos 60, passando pelos anos 80 e chegando aos dias de hoje. O centro da história será o romance no melhor estilo “Romeu e Julieta”. A filha do coronel apaixonada pelo filho do capataz e as famílias se odeiam. Mas é o pano de fundo da história que dará o tom: o Rio São Francisco e o sertão Nordestino.

Ambientada nos estados por onde corre o rio, a novela tem mais de 500 locações no Nordeste e conta com mais de quarenta atores nordestinos no elenco, incluindo grandes nomes como Irandhir Santos, Zezita Matos, José Dumond e Marcélia Cartaxo. Estes dois últimos receberam o convite do autor Benedito Ruy Barbosa e do diretor Luiz Fernando Carvalho como forma de homenagem pela vasta carreira de contribuições a teledramaturgia e ao cinema brasileiro. Os dois também formaram um casal no filme A Hora da Estrela, de 1985.

A atriz paraibana Marcélia Cartaxo interpreta uma lavadeira que vive na beira do rio. É casada com o personagem do também paraibano José Dumond, que é um pescador na trama. Pai e mãe de três filhos, o casal vive do que pesca e do serviço que faz em uma comunidade ribeirinha pobre. “A gente representa os ribeirinhos que moram no entorno do rio, são sobreviventes”, contou Marcélia em uma conversa exclusiva com a Revista NORDESTE.

A trama irá trazer um posicionamento a respeito da transposição, com personagens que a defendem e outros que são contra. A classe pobre, segundo a atriz, é a favor, mas não sabe das consequências. “É uma classe pobre onde as pessoas não tem muito acesso a essas coisas que estão acontecendo aqui fora, na mídia, na internet, essas coisas. O ribeirinho defende a transposição, mas ele não sabe que essas terras todas vão ser manipuladas, eles não sabem como vão sair dessa ali. É a realidade, é o que tá acontecendo agora”, conta.

 

 

Bom tempo para o Nordeste

Mesmo a novela com ambientação no Nordeste, ainda são muitos os atores do eixo Rio-São Paulo que ficam com os papéis principais da trama. Marcélia afirma que para superar as barreiras regionais tem que ser “uma coisa de cada vez”. No caso de “Velho Chico”, ela não tem do que reclamar. “Estamos muito bem servidos neste trabalho. Fora esses seis paraibanos, são quarenta nordestinos, tem gente da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Ceará”, conta.

A atriz ainda aproveita para comentar a respeito do cinema nacional e como as produções nordestinas estão ganhando força. “A gente vê que hoje em dia os cineastas de Recife estão indo de vento em popa, Fortaleza também, e esse espaço na televisão, aos poucos a gente percebe que inevitavelmente as produções regionais vão ter que invadir o mercado”.

Diretora de Audiovisual na secretaria de Cultura de João Pessoa, Marcélia ajudou a selecionar 17 projetos, incluindo três longas-metragem, para receber mais de R$ 3 milhões de um edital. “O edital é pequeno, mas já é um ganho para nós. Todos os selecionados são de João Pessoa”.

Velha Parceria

Marcélia Cartaxo ira trabalhar com o diretor Luiz Fernando Carvalho (foto) pela terceira vez. Ela atuou na minissérie Pedra do Reino e em Alexandre e Outros Heróis. “Trabalhar com ele é como fazer uma faculdade. A gente tem um tempo de preparação que é fundamental para o trabalho, de interpretação, concentração, observação, voz, corpo, memória da emoção, então, quem entra em um esquema desse, de Luiz Fernando Carvalho, já sai praticamente um ator formado”.

Outra parceria é com o ator José Dumond. Casal em Velho Chico, a dupla foi casal também em A Hora da Estrela, filme de 1985 e projetou Marcélia e rendeu a ela um prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim. “Eu to amando trabalhar com Zé Dumond, adorei fazer essa parceria de novo”.

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