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Brasil

02/12/2015


O destino de Cunha e o dilema do PT: os cenários possíveis

Opinião

Na retomada da votação do Conselho de Ética sobre o prosseguimento do processo de cassação do deputado Eduardo Cunha o PT vai ter que sair da sinuca de bico que o flagela: votar a favor de Cunha pelo arquivamento do processo para evitar o impeachment ou votar contra num esforço de restauração dos compromissos éticos. O resultado comporta quatro cenários, e um deles pode ser o de empate, dez votos contra e dez a favor de Cunha, cabendo ao presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD) desempatar.

Num cenário, o PT se insurge contra a “faca no pescoço” que lhe é imposta por Cunha e vota contra. Sobrevindo o processo de impeachment, nem mesmo a oposição acha que o governo não teria os 171 votos para derrotar o pedido. Até porque tal processo seria visto como decorrência de uma chantagem.

Num segundo cenário, os três deputados do PT cedem às pressões do governo e votam a favor de Cunha para salvar Dilma, seu mandato, apesar de todo o desgaste que tal postura acarretará, para o partido e para a própria presidente.

Num terceiro cenário, os votos do PT se dividem, com dois votando a favor de Cunha e um contra. Neste caso, o presidente da Câmara, que já teria nove votos, conseguiria a maioria de 11 para aprovar o arquivamento do processo. Haverá desgaste do mesmo modo, com o partido e a presidente sendo acusados de terem salvado o pescoço de Cunha. E ambos ainda ficariam, dizem os defensores do voto contra Cunha, sujeitos a novas chantagens. Pode vir um novo processo, pode haver recurso ao plenário.

E num quarto cenário, os três votos petistas se dividem mas com dois votando contra e um favor. Neste caso, pelos levantamentos feitos ontem, haveria um empate. Cunha obteria 10 votos e seus adversários, que têm oito votos garantidos, ficariam com dez também. Caberia ao presidente do Conselho, José Carlos Araújo, do PSD, dar o voto de minerva para desempatar.

Para o PT, esta seria a melhor saída. Não poderia ser culpado nem pela salvação de Cunha nem pela abertura do processo de sua cassação.

Mas todos estes cálculos se baseiam na tendência de votos apurada ontem. E muitos, que não externaram verbalmente o voto que darão, podiam estar blefando.

Tereza Cruvinel
Brasil 247

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