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Alagoas

18/01/2016


“O quadro para a sucessão não está definido”, diz ex-prefeito de Aracaju

Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE, o ex-prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PCdoB), afirmou que o anúncio de apoio do PSD ao PSB parece ter sido prematuro. Ele falou que o quadro da sucessão em Aracaju não está definido, porque há dúvidas sobre a posição do governador Jackson Barreto (PMDB) neste processo, e considerou o ato uma atitude “exclusivista”dos dois partidos. Segundo ele, o objetivo é empurrar o acordo goela abaixo aos outros partidos. Edvaldo ainda fez críticas à administração do prefeito João Alves Filho (DEM) e garantiu que se voltar a ocupar a Prefeitura de Aracaju vai revogar o reajuste anual de 30% do IPTU, que ele considera abusivo.

JORNAL DA CIDADE – Como o senhor avaliou o anúncio de apoio do PSD ao PSB? Foi muito cedo, foi precipitado?
EDVALDO NOGUEIRA – Se olharmos pela ótica da política e pela própria reação que se seguiu ao anúncio, inclusive vinda do próprio PSD, parece ter sido, no mínimo, prematura. Há que se considerar que o quadro político para a sucessão municipal ainda não está completamente definido. Primeiro, porque há dúvidas sobre a posição do governador sobre a sucessão. E ele é peça fundamental nas decisões do quadro sucessório, sobretudo no que diz respeito aos partidos que integram sua base aliada. Não é um agente para ser comunicado de fatos dessa natureza, mas sim consultado sobre a conveniência ou não da sua ocorrência. Dessa forma, criou-se uma série de especulações sobre essa sua posição. Em segundo lugar, pela distância do pleito e pelo fato de que a janela para filiação partidária permite que até o dia 2 de abril a acorram mudanças de partido. Esse é outro fator importante, do qual nenhum político pode se descuidar. E mudanças partidárias podem alterar muito um quadro político ainda em andamento. Dessa forma, pode, sim, ter havido precipitação, embora cada partido tenha sua autonomia para fazer o que melhor entender. A leitura mais corriqueira que tenho ouvido no ambiente político é a de que pareceu uma tentativa de criar um fato consumado e, a partir daí, tentar atrair os outros partidos por gravidade para uma composição cuja cabeça já estaria definida.

w JC – O PSD também analisava apoiar sua pré-candidatura. Esse anúncio enfraquece o lançamento do seu nome?
EN – A força do meu nome se radica principalmente ao trabalho que fiz em Aracaju, ao legado de obras e serviços que deixei para os aracajuanos, às inúmeras realizações que o meu governo executou em nossa cidade e que foram tão decisivas para melhorar a vida dos aracajuanos. Um projeto que deu continuidade ao que eu e Déda iniciamos na Prefeitura de Aracaju, e que se espelhou – pelo modo como estabeleceu prioridades e pelo trabalho – nas administrações de Jackson Barreto quando foi prefeito de Aracaju, assim como Wellington Paixão, Almeida Lima e Gama. Tudo isso resultou na qualidade de vida que a nossa capital passou a oferecer. Esse é o vértice principal da força do meu nome e é esta a contraposição evidente que a população faz entre esse projeto que Aracaju viveu num passado recente e as dificuldades que hoje tem que enfrentar com a desastrosa administração de João Alves, que desarticulou serviços e desatualizou a forma de governar. Nesse aspecto, não há nenhum enfraquecimento. Do ponto de vista político, o que estamos assistindo é uma atitude exclusivista de dois partidos que selam entre si um acordo e esperam empurrá-lo de goela abaixo dos outros partidos, desconsiderando outras candidaturas postas e a liderança maior do governador que comanda politicamente o bloco. Eu acho que isso, na verdade, até fortalece o sentido de unidade nos outros partidos da base – indispensável para enfrentar um adversário como João Alves – e o nosso compromisso com todos esses partidos da coligação.

w JC – Com que partidos o PCdoB está conversando hoje, tentando viabilizar a sua candidatura? Há perspectivas de conseguir alguma sigla de peso?
EN – Nossa perspectiva é, com diálogo e compromisso, firmar aliança com os demais partidos da nossa base: o PMDB, de Jackson Barreto, Gama, Benedito e Garibalde, e demais deputados e vereadores do partido; o PT, de Rogério Carvalho, Ana Lúcia, Francisco Gualberto, João Daniel, Márcio Macêdo e da minha querida amiga Eliane Aquino; o PDT, de Fábio Henrique e da deputada Silvia Fontes; o PRB, de Heleno Silva e do deputado Jony Marcos, e insistiremos também com o PSD e PSB, tentando mostrar que a nossa candidatura é a que reúne melhores condições de derrotar João Alves, buscando o consenso com o grupo para escolher o melhor nome para compor a vaga de vice. E sem esquecer que as eleições de 2016 são o primeiro round do que o nosso grupo vai enfrentar em 2018.

w JC – O deputado Fábio Mitidieri disse que só apoiaria o senhor em outro partido, pois considera o PCdoB “radical”, havendo um choque de ideologias com o PCdoB. O que o senhor acha disso?
EN – O deputado Fabio Mitidieri apoiou minha candidatura em 2008, foi vereador da base aliada e meu secretário de esportes, onde realizou um grande trabalho, inclusive indicando o seu sucessor. O fato da Prefeitura ser dirigida pelo PCdoB nunca foi empecilho para a boa convivência e o desenvolvimento do seu trabalho junto a nós. Não lembro de haver choque de ideologias. Não creio que isso seja motivo para evitar uma aliança política entre nós. Até porque todos os partidos da base aliada e os que apoiaram minha candidatura em 2008 participaram da gestão.

w JC – O senhor aceitaria compor uma chapa majoritária como vice, encabeçada pelo PMDB ou outro partido?
EN – Neste momento estou focado em fortalecer minha pré-candidatura. Sem exclusivismo, com diálogo e compromisso. Minha luta no momento é convencer os partidos do meu bloco que o meu nome é o mais propício para enfrentar e derrotar João Alves, sobretudo se atuarmos unitariamente.

w JC – Uma candidatura representando toda a base aliada ao governador Jackson Barreto parece impossível, a esta altura?
EN – Acredito que ainda seja possível, sim. A nossa tarefa hoje é reconquistar Aracaju para esse projeto de que Jackson, Marcelo Déda e eu fizemos parte. Não acredito que Jackson queira sair do Governo deixando Aracaju nas mãos da oposição, justamente a cidade onde ele construiu sua carreira. E eu quero ser um instrumento desta retomada.

w JC – Quem concedeu maior reajuste à passagem de ônibus? Sua gestão ou a de João Alves Filho?
EN – Em 2011 eu congelei a tarifa; fiz isso reduzindo o ISS das empresas de ônibus, para garantir que elas pudessem continuar operando sem repassar o aumento natural dos custos para os usuários. É exatamente o que vários prefeitos de capitais em todo o Brasil estão fazendo agora, cinco anos depois. Nos três anos restantes do meu mandato, dei aumentos que juntos não chegaram nem a 15%, enquanto João, nos três anos da sua administração já chegou a 37,7%. E o transporte só piorou. A população de Aracaju vem sendo punida de duas formas: paga mais caro por um serviço cada vez pior. Além disso, há uma falta de visão de futuro preocupante. Demos à cidade um modelo mais moderno, autossustentável, construindo ciclovias, obras de infraestrutura urbana como o Viaduto do DIA e o Mergulhão da Tancredo Neves. Nossa gestão foi uma das primeiras no país a elaborar um Plano Municipal de Mobilidade Urbana, que incluía a criação de corredores exclusivos para ônibus, com recursos garantidos de R$ 130 milhões.
w JC – Há muitas críticas ao reajuste do IPTU. Foi exagerado? Se o senhor voltasse a ser prefeito, iria revogar esse aumento?
EN – Sim. Assumo o compromisso de rever o aumento abusivo do IPTU, se for eleito. Esse aumento é mais que exagerado: João Alves está extorquindo o povo aracajuano. Trinta por cento de aumento a cada ano, até 2022, é algo inadmissível. Não tem sequer precedente na história de Aracaju. Nos seis anos em que fui prefeito, os aumentos apenas acompanhavam a inflação. E sei que Aracaju pode ser bem administrada sem que seja necessário recorrer à extorsão do contribuinte.

w JC – A queda de arrecadação da PMA dificulta as ações da atual gestão? O próximo prefeito conseguirá trabalhar, fazer obras?
EN – O problema da PMA não é de arrecadação, é de competência. O problema é que a atual administração não sabe o que fazer, ou tem prioridades diferentes. João se elegeu para ser governador, não para ser prefeito de Aracaju. João pegou a folha salarial de cargos comissionados da PMA em R$ 13 milhões e hoje ela é ultrapassa os R$ 60 milhões. Ele criou 700 cargos em comissão, secretarias desnecessárias, inchando a máquina administrativa. Enquanto isso, foi o prefeito que mais aumentou impostos. Tirou a folha de pagamento da Prefeitura do Banese e vendeu para a Caixa, arrecadando R$ 30 milhões; criou a taxa de iluminação pública, o que dá R$ 14 milhões a mais por ano, sem falar no aumento do IPTU. Ainda assim, ele não consegue conceber ou realizar novos projetos e a situação é essa que vemos: a Prefeitura sem conseguir pagar os servidores ou fornecedores. Enquanto fui prefeito, a PMA jamais atrasou os salários dos funcionários um dia sequer.

w JC – Houve avanços na gestão de João Alves? Que nota o senhor daria para administração de João?
EN – Nenhum, o que houve foi retrocesso. Eu não lembro, em toda a história de Aracaju, de uma administração mais desastrosa para a cidade. João não fez obras. Aracaju está suja, malcuidada. As ruas estão esburacadas de um jeito que não se via desde o início dos anos 80. O homem que disse que iria resolver os problemas da saúde em seis meses só fez piorar os serviços. A cidade que era conhecida como capital da qualidade de vida, João jogou fora. O resultado é uma cidade que perdeu quatro anos. A nota a João quem vai dar é o povo de Aracaju no dia 2 de outubro. 

Jornal da Cidade

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