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Brasil

22/07/2015


Odebrecht será alvo de devassa internacional

Alvo maior da Polícia Federal no Brasil, na Operação Lava Jato, a Odebrecht, maior empreiteira do País, será alvo também de uma devassa internacional. Autoridades norte-americanas apontaram, em telegramas, suspeitas de corrupção em contratos de obras da empresa em pelo menos quatro países, sinal de que a crise da companhia também é monitorada pelo governo dos Estados Unidos.

Os telegramas são do serviço diplomático americano e foram revelados pelo WikiLeaks. Em um deles, datado de 2009, a embaixada americana no Panamá relata a Washington que um escândalo de corrupção do então presidente local, Ricardo Martinelli, estaria prestes a eclodir, envolvendo a Odebrecht. Já a embaixada de Quito reportara que o presidente do Equador, Rafael Correa, ameaçara expulsar o grupo de Marcelo Odebrecht por irregularidades no projeto de irrigação em Manabi.

O Equador anunciou que fará uma série de auditorias em contratos de obras como refinarias e hidrelétricas, que a empresa mantém no país. À imprensa local, o controlador-geral do Equador, Carlos Pólit, disse que haverá ainda uma investigação dos cerca de 40 funcionários equatorianos responsáveis pelos contratos públicos com a Odebrecht, segundo informações publicadas pela Agência Estado nesta quarta-feira 22.

Ao mesmo tempo, o governo colombiano ameaça impedir a Odebrecht de firmar contratos com o país, caso seus dirigentes sejam condenados na Operação Lava Jato. O vice-presidente da Colômbia, Germán Vargas Lleras, declarou em junho que a Odebrecht poderia ser impedida de participar de editais públicos por 20 anos se ficar provado que a empresa praticou atos ilícitos em contratos com a Petrobras no Brasil.

No caso do Peru, o país quer mandar procuradores ao Brasil neste mês para analisar suspeitas de irregularidades e reunir evidências sobre supostas práticas de suborno ligadas à construção de uma rodovia transcontinental. A prisão de Marcelo Odebrecht no Brasil colocou bilhões de dólares em projetos de infraestrutura sob escrutínio por toda a região. A missão foi apresentada pelo procurador-geral peruano, Pablo Sánchez.

Nesta quarta-feira, a procuradoria-geral da República da Suíça informou que ampliou uma investigação de corrupção na Petrobras para incluir a construtora Odebrecht e outras companhias associadas. "Subsidiárias da Odebrecht são suspeitas de usar contas suíças para fazer pagamentos de propina a ex-executivos da Petrobras, que também mantinham contas bancárias na Suíça", afirmou o gabinete do procurador-geral, em um comunicado, segundo a Reuters.

A Polícia Federal tem colocado a Odebrecht sob pressão total no Brasil, assim como a Andrade Gutierrez, outra gigante investigada na Lava Jato. A corporação pediu ao juiz Sérgio Moro, que coordena os processos da investigação, que os presidentes das duas empresas sejam transferidos para um presídio comum no Paraná. A alegação é que não há espaço na carceragem da PF em Curitiba, onde estão desde que foram presos, no dia 19 de junho.

Brasil 247

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