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Ceará

16/11/2015


Orientadores de centros socioeducativos presos suspeitos de tortura

Nove de 10 mandados de prisão temporária contra agentes socioeducadores lotados no Centro Educacional São Francisco, no Passaré, foram cumpridos ontem durante operação da Polícia Civil. Os orientadores são suspeitos de torturar mais de 100 adolescentes internados no Presídio Militar, em Aquiraz — unidade provisória do sistema socioeducativo para onde foram levados jovens do São Francisco. Os agentes foram encaminhados ao 10º Distrito Policial, no Antônio Bezerra.

O POVO teve acesso ao mandado, assinado pela juíza Juliana Sampaio de Araújo, que estava de plantão em Aquiraz. O documento exige a prisão — deixando isolados dos demais detentos — dos agentes Clairton Luiz Ferreira Nogueira, Danilo Soares Félix, Francisco Osvaldo Araújo Bezerra, Francisco Xavier Ramos, Fernando Luiz Batista, José Ostevaldo da Silva, Márcio Germano Ramalho da Cunha, Thiago Pedrosa Costa, Valdiney Soares Freitas e Vilamar Freire de Holanda. Uma das prisões não tinha sido realizada até o fechamento desta matéria.

O POVO apurou que, na quinta-feira, 12, os adolescentes realizaram protesto contra a falta d’água no centro. No dia seguinte, durante a visita, familiares perceberam escoriações. “Segundo os adolescentes que prestaram depoimento, os instrutores chegaram aos dormitórios e determinaram que os jovens fossem saindo. Em seguida deram uma surra generalizada”, comentou a fonte do O POVO.

Segundo relato dado pela fonte, o delegado geral da Polícia Civil, Andrade Júnior, teria solicitado investigação do caso, o que gerou o pedido de prisão. “A princípio, teriam detectado lesões em 132 adolescentes, que passaram por um exame de corpo de delito e o médico legista constatou lesões”.

Um socioeducador que pediu para não ter o nome divulgado disse que ontem agentes realizaram uma manifestação em frente à delegacia. Os agentes consideram a prisão sem fundamentos, negam qualquer tipo de agressão e ameaçam cruzar os braços nas unidades em protesto contra a punição dos colegas. Um novo protesto está marcado para a manhã de hoje.

Jéssika Sisnando
O Povo

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