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Brasil

28/11/2013


Passar o Réveillon no Brasil pode custar até R$ 81 mil

SALGADOS

Passar o Réveillon com vista para o Hyde Park, em Londres, ou para o Central Park, em Nova York, pode sair mais barato do que ver o espocar dos fogos de artifício em um dos hotéis de luxo do Rio. No Copacabana Palace, por exemplo, o pacote de cinco noites na cobertura, com vista para o mar, sai R$ 77 mil (o equivalente a R$ 15.400 por dia). Valor semelhante ao praticado pelo hotel-palácio parisiense Le Meurice, cuja suíte prestigie, com vista para o Jardim das Tuileries, sai 5.630 euros (R$ 17.382) na virada do ano, ou pelo Four Seasons londrino, onde é cobrado o equivalente a R$ 13.869 por um quarto de 103 m² com vista para o Hyde Park.

Mas os altos valores parecem não afastar a clientela. Pelo contrário. No Fasano Rio, onde a hospedagem começa em R$ 16 mil (pacote de cinco noites em apartamento sem vista para o mar), a suíte luxo, de frente para as praias de Ipanema e Leblon, já está reservada por R$ 81 mil para o período de seis noites (cerca de R$13.500 a diária). O apartamento dá direito a garrafa de champanhe, transfer para o aeroporto, café da manhã, serviço de praia exclusivo e convite para festa de Réveillon na piscina, com open bar de Moët & Chandon Imperial. Pacote de serviços e benefícios à altura do oferecido pelo badalado hotel W, em Miami, onde a suíte de 274 m² com três quartos e vista para o oceano sai por US$ 6.600 (R$ 15.214) na virada.

“Não é só o turismo no Brasil que está caro. O País perdeu a noção do preço de todas as coisas, restaurantes, roupa…”, afirma Greice Penteado, representante de diversos hotéis cinco estrelas pelo mundo, entre eles o Le Royal Monceau – Raffles, de Paris, e o Plaza Athenée de Nova York. “Está tudo muito fora da realidade”, reforça a empresária Silvana Bertolucci, especialista em turismo de luxo. “O brasileiro só paga porque não converte o preço para euro. Se não, veria o tamanho da distorção. Por esses valores a pessoa poderia ficar nas melhores suítes de St. Barth, Londres ou Tailândia, onde o turismo de luxo realmente acontece”, diz o consultor de hospitalidade na área de luxo, Danny Guimarães.

Segundo dados do mercado cerca de 80% da clientela dos hotéis de luxo no Brasil ainda é composta por brasileiros, o que justifica, em parte, os altos valores. “O turismo nacional vive das sazonalidades e o Ano Novo é uma grande oportunidade de ganhar dinheiro e pagar as contas do ano inteiro”, diz Guimarães.

Mas não é só no Rio de Janeiro que o preço dos pacotes de Ano Novo surpreende. Em Santa Catarina, o resort Ponta dos Ganchos, inúmeras vezes eleito o melhor do País, oferece hospedagem de quatro noites por valores que vão de R$ 17.500 (Luxo) a R$ 49.600,00 (Especial Vila Esmeralda). Na Bahia, quatro noites em bangalô premium do Txai Resorts, em Itacaré, custa R$ 31.415 (com ceia e banho de purificação), enquanto no Kiaroa Eco-Luxury Resort, na Península de Maraú, por R$ 34.650 é possível passar sete noites no bangalô mais sofisticado, com direito a ceia com champanhe Dom Perignon. Já no Nannai Resort & Spa, em Muro Alto (PE), o período de sete noites em bangalô master duplo sai por R$ 41.285.

A forte tendência do público em permanecer no País nesta época do ano envolve questões culturais, climáticas e de agenda. “Lá fora não terá a mesma festividade, nem o clima daqui. Além disso, será preciso dispor de mais tempo para viajar”, analisa Silvana. Mas como o brasileiro já aprendeu a gastar com viagens, ainda que dentro do País, a exigência por boas acomodações e serviço de qualidade permanece o mesmo, seja aqui ou em Miami. E é nisso que os hotéis instalados longe da badalação dos fogos de artifício e das sete ondinhas apostam para conquistar hóspedes. Caso do Unique, em São Paulo, onde passar a virada em quarto premium, incluindo uma garrafa de Veuve Clicquot Rosé, jantar no restaurante Skye e café da manhã, sai a partir de R$ 4.440.

Ainda assim, Guimarães acredita que, mais uma vez, o forte serão os turistas locais. “Quem vem a trabalho ao Brasil dificilmente volta de férias com a família pensando em ter uma experiência de luxo. O turista estrangeiro sabe o valor do luxo e, quando faz as contas, não inclui apenas o que vai encontrar no hotel, mas no próprio destino”, diz ele. “E o problema é que, aqui, você sai na rua e não encontra mais uma experiência de luxo. O governo brasileiro não investe nesse segmento”, completa.

 

iG

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