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Brasil

04/12/2013


Pedras de mármore somem da Piedade

BAHIA

 

Desde que a Prefeitura de Salvador iniciou as obras de requalificação da Avenida Sete de Setembro, a Praça da Piedade tem sido alvo da ação de vândalos antes mesmo de a obra ficar pronta. Em dois meses, a Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal) estima um prejuízo em torno de R$ 45 mil só com os pisos de granito que foram danificados. “Tivemos que fazer nova licitação em caráter de urgência para concluir as obras na praça até antes do Natal, como quer o prefeito ACM Neto”, afirmou o presidente da Desal, Marcílio Bastos.

Mas a agressão contra o patrimônio público não para por aí. De acordo com denúncias que chegaram à Tribuna, algumas pessoas estariam também subtraindo as pedras de mármore que iriam compor a nova praça. O detalhe é que cada pedra chega a pesar cerca de 90 kg e mesmo assim desapareceram do local da obra. As ações teriam acontecido à noite. Entretanto, a Desal informou desconhecer os sumiços das pedras, mas confessou que a empresa prestadora de serviço foi obrigada a retirar os materiais não utilizados e os que ficavam estavam desaparecendo do local.

Segundo informações da equipe que trabalha na Praça da Piedade, além das pedras de mármore que seriam colocadas nos pisos e bancos da praça, os madeirites que cercam a praça, fios de cobre que compõem a iluminação, chapas de inauguração dos bustos, bombas do chafariz da fonte, também desapareceram na calada da noite. Informantes que preferiram manter-se no anonimato garantiram que o sumiço dos materiais foi realizado por mais de uma vez e por vândalos que têm o conhecimento do valor de cada material.

 

Crime comum

Para os ambulantes que trabalham nos arredores da praça, esse tipo de crime geralmente é cometido por moradores de rua e sacizeiros que trocam o material vendido por dinheiro para a comercialização e uso de drogas. Já para a o coordenador do Projeto Cultural da Praça da Piedade, Bob Baiano, o crime é praticado por pessoas de poder aquisitivo alto e de grande entendimento.

“Atribuo o roubo ao pessoal da classe média, responsáveis por sempre culpar os pobres. Com o Carnaval chegando, eles contratam pessoas ignorantes para roubarem os madeirites, futuramente utilizados em prédios no período do Carnaval. Fora isso tem os outros materiais que eles aproveitam para uso pessoal. Como tem câmeras instaladas aqui na região, é muito fácil comprovar que estes são os responsáveis pelo crime”, assegurou.

Para a estudante de direito Emília Campos, este crime só acontece porque a cidade está entregue à criminalidade: “Salvador não tem nenhum tipo de segurança e vem colecionando uma série de crimes. Pode ter certeza de que se a polícia estivesse atuando na área a história seria outra”.

A assessoria de comunicação da prefeitura informou à Tribuna que os responsáveis pela Praça da Piedade eram a Desal e a Superintendência de Conservação e Obras Públicas (Sucop). Mas apenas a Companhia de Desenvolvimento de Salvador se manifestou sobre o assunto e, mesmo assim, negou saber sobre o desaparecimento das pedras de granito. Já a Sucop negou qualquer responsabilidade pela obra naquele local.
 

iG Bahia

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