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Pernambuco

10/04/2015


Peixes-bois serão levados de Itamaracá para ilha no Caribe

Velhos conhecidos dos visitantes do Centro de Mamíferos Aquáticos, em Itamaracá, vão ganhar nova casa. Os peixes-bois marinhos Xuxa, Netuno e Daniel Toquinho serão enviados, na quarta-feira, a Guadalupe, ilha no Caribe pertencente à França. A medida, que faz parte de um acordo para repovoamento da espécie naquela região, divide especialistas.

O envio está previsto na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), assinado pelo Brasil. Inicialmente, viajarão os três animais de menor porte. Nos próximos seis meses, os peixes-bois Marbela e Sereia também serão enviados a Guadalupe.

A viagem tem caráter de empréstimo, sem tempo de finalização. Os animais vão se reproduzir pelo menos duas vezes até retornar ao Brasil. Em terras caribenhas, ficarão em cativeiro natural e terão a companhia de outros peixes-bois, possivelmente do México e da Colômbia. Os filhotes serão soltos na natureza. O governo francês pretende reintroduzir a espécie na área, extinta pela caça humana há 100 anos.

“Eles foram escolhidos por ter similaridade genética com os peixes-bois que habitavam Guadalupe no passado”, explicou a coordenadora do CMA, Fábia Luna. Segundo ela, os animais passaram por inspeção de saúde.

Polêmica
A medida desagradou outros especialistas. Para o diretor-presidente da Fundação Mamíferos Aquáticos, José Carlos Borges, a prioridade deveria ser o repovoamento de áreas onde o peixe-boi não é mais encontrado no Brasil. “Temos um número reduzido de animais. Nossos peixes-bois têm diferença evolutiva com os de Guadalupe. Existem riscos genéticos e de patógenos.”

Outros conservacionistas lutam para evitar o empréstimo. O caso foi parar no Ministério Público Federal (MPF), que arquivou a demanda por não encontrar ilegalidade. O grupo agora move petição que pode ser acessada no link www.change.org/peixe-boi.

Atualmente, 19 estão em Itamaracá, sendo que quatro serão reintroduzidos na natureza.

Diario de Pernambuco 

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