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Brasil

12/05/2014


Pesquisa revela que nordestinos são mais desconfiados

NESTA EDIÇÃO

A fama de desconfiado rendeu aos nordestinos novas expressões como ‘cabreiro’ ou ‘descabriado’. Essa característica folclórica da região acabou confirmada em uma pesquisa Ibope/CNI divulgada em março, onde aparecem no topo da lista dos mais desconfiados: 66% dos nativos, ou seja, dois terços dos nordestinos têm pouca ou nenhuma confiança nas pessoas. Isso representa 4% a mais do que a média nacional.

Nacionalmente, o brasileiro só confia muito na própria família. De acordo com o levantamento, 73% dos brasileiros têm muita confiança na família. Quando indagados sobre as outras pessoas com quem convivem, a desconfiança aumenta: só 18% dizem confiar muito nos amigos, 11% nos vizinhos e 9% nos colegas de trabalho ou da escola. Apenas 6% têm muita confiança nas outras pessoas. Outros 31% dizem ter alguma confiança nas outras pessoas em geral. E 62% dizem ter pouca ou nenhuma.

A justificativa para a baixa confiança está na impressão de que as pessoas agem de maneira errada. Para 82% dos entrevistados, a maioria das pessoas só quer tirar vantagem. A sensação é maior na região Nordeste – 89% da população têm essa percepção – e menor nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde o percentual cai para 71%.

A estudante de jornalismo Eduarda Campos, 27 anos, de João Pessoa (PB), é a desconfiança em pessoa. Ela diz que confia com total segurança em apenas cinco pessoas, incluindo o namorado, a mãe, o padrasto, o pai e a madrasta. Ela tem o pé atrás até com o resto da sua própria família. “Morei muito tempo com meu irmão e a experiência me trouxe problemas. Têm coisas pequenas, do dia a dia, que você talvez espere de alguém de fora da família, mas não de dentro de casa. Isso faz com que a gente tenha o pé atrás com os desconhecidos também”, justifica.

Um problema de relacionamento fez com que a analista de monitoramento Miriam Souto, 26, de Recife (PE) passasse a ficar mais cautelosa antes de confiar em estranhos. “Me relacionei por 3 anos e quando começaram a aparecer problemas no relacionamento tudo o que eu queria era sinceridade e respeito, mas a pessoa agiu exatamente de maneira oposta ao que eu esperava. A partir daí percebi que não adianta você conhecer alguém a fundo, sempre tem surpresas a serem encontradas pelo caminho, elas podem ser boas ou ruins. Mas não acho que vale a pena se fechar para o mundo por causa de experiências negativas ligadas a terceiros, só acho importante, acima de tudo, a pessoa aprender com o sofrimento a se cuidar e se preservar mais”, diz.

(Leia a reportagem completa na edição nº89 da Revista NORDESTE, à venda em todas as bancas do país)

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