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Brasil

14/03/2014


Planalto avança reaproximação; estado segue indefinido

CEARÁ

Se alguns nós da crise na base aliada já começam a ser desatados em Brasília, segue sem definição ou avanços o entrave entre PMDB e PT em torno da sucessão no Ceará. Sem acordo que resolva impasse da candidatura de Eunício Oliveira (PMDB), o Estado permanece hoje como um dos principais obstáculos na relação dos partidos.

Ao longo da semana, foi intensa a movimentação do Planalto no sentido de apaziguar ânimos da base e isolar o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ) – porta-voz dos rebeldes na Casa. A melhora na relação ganhou peso na noite de ontem, com nomeação de ministros próximos a defensores da aliança com o PT, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL).

Antes disso, o Planalto já havia se reunido com o presidente do PMDB, Valdir Raupop (RO), e se comprometido em abrir mão de lançar candidatos em seis Estados para apoiar nomes do partido. Além dos peemedebistas, também iniciaram reaproximação com o governo PP, Pros e PDT.

Os reparos ocorrem após “blocão” – rebelião de partidos comandada por Cunha – impor duas derrotas sobre o governo em votações do Legislativo, como aprovação de comissão para investigar a Petrobras. Após a reação do governo, o grupo rebelado já encolheu de nove para cinco partidos apoiadores.

Apesar da melhora nas relações de modo geral, PT e PMDB, os dois maiores partidos da coalizão de apoio ao governo federal, mantiveram ontem clima de animosidade no Congresso. À tarde, Eduardo Cunha rebateu críticas do presidente do PT, Rui Falcão, de que estaria “chantageando” o Planalto. “É lamentável que ele [Falcão] fale isso desses partidos todos e, ao mesmo tempo, os chame para oferecer cargos”, disse.


Sucessão no Ceará

Os afagos oferecidos por Dilma a segmentos do PMDB nacional acabam por afetar pretensão de Eunício Oliveira de sair candidato ao Governo do Ceará. Com a base aliada “pacificada”, o senador perde poder de pressão sobre o PT e deve sair sozinho no Estado.

As discordâncias ocorrem porque petistas possuem compromisso de apoiar candidato indicado por Cid Gomes (Pros) no Estado. Pesa a favor de Eunício, no entanto, grande Capital político no PMDB. Atualmente, o senador controla 54 dos cerca de 700 votos da Executiva Nacional do partido, com a 3ª maior “bancada”.

Em entrevista ao O POVO, o deputado Danilo Forte apresentou visão menos otimista sobre os embates entre PT e PMDB na Câmara. Segundo ele, projeto hegemônico do PT, sem espaço para aliados, ainda será foco de críticas na Casa. (com agências)

 

Os principais personagens


Eduardo Cunha (PMDB-RJ) Líder do PMDB na Câmara, comanda grupo de partidos rebeldes. Já impôs derrotas ao Planalto

Rui Falcão (PT) Presidente do PT, tem atuado no sentido de isolar Cunha. No Ceará, trabalha para manter aliança com Cid

Eunício Oliveira (PMDB) Falta de apoio do PT à candidatura do senador é hoje grande entrave na aliança nacional

Michel Temer (PMDB) O vice-presidente tem sido pressionado por apoio tanto por governo quanto por peemedebistas

 

(O Povo)

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