menu

Brasil

18/06/2014


Plano de saúde: gasto com consumidor cresce menos que receita

ECONOMIA

A receita das operadoras de planos de saúde cresceu mais do que as despesas com o tratamento de seus clientes em 2013: 16% ante 15%. Isso, aliado a uma alta ainda menor de gastos administrativos (9%), fez com que as empresas tivessem um resultado positivo de R$ 130 milhões – o primeiro desde 2007 e após um déficit de R$ 2 bilhões em 2012.

Os dados foram divulgados pela Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), que representa 29 grandes grupos do setor.

Em 2013, as operadoras gastaram R$ 91,6 bilhões com tratamentos de seus clientes – as chamadas despesas assistenciais –, e arrecadaram R$ 112,8 bilhões. Com isso, o índice de sinistralidade – que é o primeiro número dividido pelo segundo – ficou em 81,2%, abaixo dos 82,3% de 2012, quando o gasto foi de R$ 79,9 bilhões e arrecadação, de R$ 97 bilhões.

Em 2013, as operadoras usaram o aumento da sinistralidade em relação a 2012 para defender reajustes maiores nas mensalidades dos consumidores.

O iG tem solicitado à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) dados sobre os reajustes concedidos aos planos coletivos (aqueles contratados por empresas ou sindicatos, e que representam quase 80% dos clientes de saúde suplementar do País), mas a autarquia tem se negado a fornecê-los.

Federação defende taxa para coibir uso desnecessário

Um dos motivos para a elevação de 15% nas despesas administrativas é o próprio crescimento do setor, diz José Cechin, diretor-executivo da Fenasaúde. De acordo com os dados da ANS tabulados pela federação, em 2013 o Brasil atingiu 71 milhões de consumidores, alta de 5,6% em relação a 2012.

"Houve um crescimento importante do número de beneficiários, então parte desse crescimento da receita se deve a esse lado aí. A mesma coisa com a despesa. Fora isso tem inflação", diz.

Entre as estratégias para conter o aumento de despesas, as operadoras devem, em casos de alta complexidade, discutir com os médicos se um tratamento de custo elevado é o, de fato, o mais indicado, sugere Cechin

"Esse é o papel que ela [operadora] tem que fazer. Zelar pelo bom uso do dinheiro, que não é dela, é das pessoas que pagam. Dialogar com o médico a terapia que ele indica, e se não há alternativas igualmente eficazes com economia de recursos."

Outra indicação é o uso do modelo de coparticipação – em que o consumidor paga uma determinada quantia a cada exame ou consulta, por exemplo, como forma de evitar o uso desnecessário de serviços médicos – e a promoção de hábitos saudáveis – combate ao tabagismo, ao sendetarismo e ao sobrepeso.

Cechin critica, ainda, a alta de preços dos insumos. O índice Variação de Custos Médico Hospitalares (VCMH), do Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS)m subiu 15,4% em 2012 (último dado disponível), ante inflação oficial de 5,91%.

"O ponto que a gente está no momento é indagar aos responsáveis, fabricantes, o que que justifica essa corrida de preços", diz Cechin.

(do iG) 

Notícias relacionadas