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Brasil

09/04/2014


PMDB da Câmara cobrará apoio de Temer na relação com o governo

POLÍTICA

A bancada do PMDB na Câmara dos Deputados tem encontro marcado nesta quarta-feira com o vice-presidente da República, Michel Temer. A reunião será realizada às 14h, na casa do vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli. Os deputados pretendem servir um menu farto de reclamações ao vice-presidente para deixar claro a Temer que a bancada está descontente com o governo e que cresce o número de parlamentares que votará contra a manutenção da aliança com o PT na convenção nacional do partido, marcada para o dia 10 de junho. Os deputados querem saber de Temer se o PMDB tem alguma estratégia para lidar com as questões que hoje são motivo de desavença entre os dois aliados.

O cenário nos Estados tem sido um ponto de tensão importante para os deputados do PMDB. Tanto que os mais exaltados defensores de um rompimento com o governo são parlamentares de Estados em que PT e PMDB são adversários. Daí surgem focos importantes de litígio no Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Bahia e Mato Grosso do Sul. Ontem, durante a reunião da bancada, deputados de Goiás também manifestaram descontentamento com a presidente Dilma Rousseff (PT), dando força para a corrente beligerante.

Nesse quesito, os deputados reclamam que são tratados como inimigos pelo PT. Essa corrente avalia que o partido da presidente tem feito movimentos claros no sentido de ganhar espaço em detrimento do PMDB. Citam como exemplo as entregas e eventos feitos por Dilma nos Estados que não são comunicadas pelo Executivo ou quando são, o convite seria feito em cima da hora, impossibilitando a presença deles. Alegam que o partido não consegue capitalizar os louros de um governo da qual fazem parte e dão sustentação. Sentem-se preteridos pelos petistas, que ao mesmo tempo cobram do PMDB apoio nas votações no Congresso.

A turma do deixa disso busca na reunião uma forma de construir um diálogo que atenda às demandas do partido sem rupturas. Classificam o clima ruim de “tensão pré-eleitoral” e alegam que é tarde demais para viabilizar uma alternativa eleitoral do partido. Durante a reunião desta terça-feira, houve quem sacasse o nome de Roberto Requião como uma possibilidade de candidatura própria. Velho balão de ensaio do PMDB nacional, Requião é combatido pela ala mais pacífica que argumenta que o ex-governador do Paraná não consegue sequer agregar o partido no seu Estado.

CPI da Petrobras

A criação da CPMI da Petrobras é outro assunto que tem despertado atritos entre PT e PMDB. Na reunião da bancada desta terça-feira, o PMDB fechou questão sobre o tema: apoiará a criação de uma CPI para investigar somente a estatal petrolífera. Não dará apoio à estratégia do governo de inchar a CPI por meio de requerimento que amplia o escopo da investigação incluindo o Metrô de São Paulo e o Porto de Suape, em Pernambuco.

Algumas alas da bancada defendem inclusive que Temer assuma uma posição mais clara sobre a CPI da Petrobras para que o PMDB possa sinalizar de forma explícita ao eleitor que defende a investigação. Os deputados avaliam que um posicionamento dúbio sobre o tema poderia resultar em sérias consequências eleitorais. Muitos dizem que têm sido cobrados em suas bases a respeito do tema e que ficam em posição desconfortável ao tentar explicar a manobra do governo de desviar o foco da investigação.

Nesse assunto, uma rusga com o PMDB do Senado também acaba exposto. Os deputados, que já andam descontentes com as lideranças no Senado, criticam a estratégia de Renan Calheiros (PMDB-AL) de jogar a decisão sobre a abrangência da CPMI para a Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Consideram que esse foi mais um movimento da elite do PMDB no Senado em favor do governo e contra os correligionários. Por isso não é comum que os deputados do partido critiquem reservadamente de modo muito enfático não apenas Renan, mas José Sarney (AP), Romero Jucá (RR) e o próprio Temer.

Os recentes embates relacionados à votação de vetos presidenciais aumentou a insatisfação do PMDB da Câmara em relação aos correligionários do Senado. Os deputados do PMDB acusam seus pares no Senado de trabalhar em parceria com o governo e contra os interesses defendidos pelo partido na Câmara. O episódio de apreciação do veto ao projeto que muda as regras para a criação de novos municípios é o mais lembrado.

Reunião esvaziada

Na semana passada, Temer esteve reunido com parte da bancada para um jantar, também na casa do vice-governador do Distrito Federal. O baixo comparecimento, entretanto, motivou o encontro desta semana. Alguns veem no episódio um termômetro da popularidade de Temer entre os deputados, outros atribuem o grande número de ausentes aos trabalhos na Câmara aliado ao temporal que caiu na Capital federal naquela noite. De um modo ou de outro, a artilharia começou naquela ocasião. Os deputados reclamaram, e pretendem trazer de volta o tema, sobre a falta de protagonismo dentro da gestão petista. Alegam que não são convidados a participar ou mesmo a opinar nos programas do governo federal.

De acordo com o relato de parlamentares presentes àquele encontro, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), fez a fala mais direta cobrando mais atenção de Temer em relação às demandas dos deputados. A muitos desagradou o fato de o encontro ter sido convertido num jantar, evento social que consideraram incompatível com o clima interno e com as demandas por respostas do vice-presidente. Os elogios ao encontro ficaram mesmo para o cordeiro servido como um dos pratos principais. No mais, a cobrança de uma reunião estritamente de trabalho, onde os temas mais ásperos pudessem ser abordados sem constrangimento, resultou na rodada desta semana.

Na ocasião, os deputados ouviram de do vice-presidente que ele respeitará as deliberações da Executiva Nacional no que diz respeito a manutenção da aliança com o PT. De acordo com parlamentares presentes no primeiro encontro, Temer usou sua fala para rebater um argumento que não foi diretamente usado contra ele, mas que é recorrente nas conversas reservadas. Ele disse que não está buscando emprego de vice-presidente e que tudo que conquistou em sua carreira política deve ao PMDB. Muitos deputados reclamam que Temer se preocupa mais consigo do que com a situação de seus correligionário. Daí a resposta de Temer.

(iG)

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