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Política

28/07/2015


PMDB suspeita ser o foco da investida da Lava Jato sobre Furnas

Parlamentares do PMDB suspeitam de que as novas investidas da Operação Lava Jato sobre a Eletrobras e sobre Furnas Centrais Elétricas têm por trás a briga entre o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Uma história que circula em Brasília — e que já foi até alvo da mídia — dá conta de que a origem do desentendimento entre Eduardo Cunha e a presidente Dilma Rousseff está no setor elétrico. Setor que fez de Dilma secretária de estado no Rio Grande do Sul, ministra das Minas e Energia e depois ministra-chefe da Casa Civil.

O motivo: Uma guerra aberta por mudanças na diretoria do fundo de pensão de Furnas Centrais Elétricas, depois que Eduardo Cunha conseguiu nomear como presidente da estatal o ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, falecido há poucos dias.

Num de seus primeiros encontros como presidente da República com o então líder do PMDB, Dilma teria inquirido Cunha sobre quais seus interesses no fundo previdenciário da estatal. O deputado retrucou perguntando quais os interesses do PT, do ex-presidente Lula e do ex-ministro José Dirceu nos demais fundos de pensão do país. Daí em diante, os dois nunca mais se entenderam.

A história geralmente é contada para ilustrar o quanto Eduardo Cunha lutou para atuar no setor. Ele precisou assumir a relatoria da CPMF na Câmara e barrar por um tempo a votação da prorrogação do imposto sobre cheques — então importantíssimo no governo Lula — para conseguir empossar Luiz Paulo Conde em Furnas.

Mas o fato é que, mesmo desentendendo-se com Dilma, Eduardo Cunha conseguiu manter-se forte no PMDB e só acumulou poder até virar presidente da Câmara. Ele nunca perdeu sua influência em Furnas, e tem acompanhado cada passo da luta do PMDB contra o PT pelo controle da Eletrobras, assim como das demais estatais do setor energético.

O atual presidente da Câmara resistiu bravamente a denúncias, como a publicada pelo jornal O Globo, em 2011, segundo a qual Furnas pagou R$ 73 milhões a mais por ações vendidas a empresários ligados a ele.

A reportagem — que Eduardo Cunha contesta — relata que o negócio, ocorrido entre dezembro de 2007 e julho de 2008, favoreceu a Companhia Energética Serra da Carioca II, que pertence ao grupo Gallway:

“Um dos seus diretores, na época, era o ex-presidente da Cedae e ex-funcionário da Telerj Lutero de Castro Cardoso. Outro nome conhecido no grupo é o do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, que se apresenta em negócios como representante da Gallway. (…) Lutero, também nome indicado por Cunha para a Cedae, chegou a ter bens bloqueados pela Justiça por operações ilegais na companhia de águas em 2007. Já Funaro, ao ser investigado pela CPI dos Correios, teve de explicar os motivos que o levavam a pagar aluguel, condomínio e outras despesas do apartamento ocupado por Eduardo Cunha no flat Blue Tree Tower, em Brasília, em 2003.”

É isso o que teme o PMDB: que fatos como este estejam sendo agora perseguidos pela Polícia Federal para ilustrar a nova leva de denúncias contra parlamentares.

Mas não é só o PMDB que está atento.

O setor elétrico é povoado por personagens poderosos do PT, do PMDB e de outros partidos. E sempre foi a menina dos olhos da presidente Dilma Rousseff.

IG

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