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Brasil

08/06/2015


Postura xiita isola Aécio na disputa interna tucana

Oráculo maior da oposição, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou um artigo que ainda não foi totalmente decodificado. "A oposição de hoje será governo amanhã. Portanto, não deve escorregar para o populismo, e, sim, apontar caminhos para superar os problemas acima citados. O fator previdenciário, por exemplo, é indispensável, em longo prazo, para o equilíbrio das finanças públicas. Se for para mudá-lo, que se encontre um substituto à altura", escreveu o ex-presidente (leia mais aqui).

A crítica interna tem como alvo os 45 parlamentares do PSDB que votaram pelo fim do fator previdenciário, um mecanismo criado no governo FHC justamente para reduzir os gastos com a seguridade social. Ocorre que os deputados votaram sob o comando do presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (PSDB–MG), que, desde a derrota na sucessão presidencial, adotou um estilo de oposição implacável, quase xiita, que sinaliza uma aposta no 'quanto pior melhor'. Ou seja: qualquer iniciativa do governo federal tem encontrado oposição ferrenha do PSDB, mesmo quando alinhada com princípios históricos do tucanato.

Essas contradições têm gerado insatisfações internas. Na semana passada, Arnaldo Madeira, ex-secretário da Casa Civil de São Paulo, fez uma dura crítica ao PSDB comandado por Aécio. "Está difícil entender o partido. Em vez de defender conceitos, estamos fazendo uma oposição igual à que o PT fazia contra nós. Agora só falta o PSDB votar contra a Lei de Responsabilidade Fiscal", afirmou (leia mais aqui). Alerta semelhante também foi feito pelo ex-ministro Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda e dono da consultoria Tendências, tradicionalmente alinhada com o pensamento tucano. Segundo ele, o PSDB "virou um partido incoerente". Para o economista, o novo PSDB "imita o antigo PT oposicionista", "vota contra tudo" e "defende ideiais que, se aprovadas, lhe cobrarão preço alto caso volte ao governo". Outro militante histórico do PSDB também havia dito que, na gestão Aécio, o PSDB parecia incapaz de apresentar um "projeto de país".

Alckmin, Serra ou Perillo?

A disputa interna no PSDB sinaliza que Aécio vem se isolando, desde que a aposta no impeachment se mostrou fadada ao fracasso. Hoje, até adversários do PSDB, apostam que o senador mineiro não terá condições de se viabilizar como candidato à presidência da República, em 2018. "Na minha opinião, Geraldo Alckmin será o escolhido do campo oposicionista", afirmou Carlos Araújo, ex-marido da presidente Dilma Rousseff e ainda um de seus principais conselheiros (leia mais aqui). "Não dá para excluir o José Serra, pelo seu passado, sua experiência, mas acredito que o embate será mesmo com o Alckmin".

Favorito na disputa, Alckmin tem feito movimentos para nacionalizar o seu nome. Criticou a posição tucana pelo fim da reeleição (também criada por FHC) e prometeu se unir até ao PT contra a redução da maioridade penal. Serra, por sua vez, tem se concentrado na agenda legislativa e se manteve distante da movimentação pró-impeachment que marcou a gestão Aécio. Assim como ele, o governador de Goiás, Marconi Perillo, outro potencial candidato em 2018, ficou longe dessa marola e foi o primeiro nome da oposição a defender a legitimidade da eleição vencida por Dilma em 2014.

O artigo de FHC no fim de semana sinaliza que Aécio, com seu radicalismo, pode ter sido deixado só, à beira da estrada.

Brasil 247 

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