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Pernambuco

12/12/2016


Presença dos militares nas ruas divide opinião entre os recifenses

Desde a última sexta-feira, 3,5 mil homens das Forças Armadas estão atuando em Pernambuco para reforçar a segurança do Estado. A chegada dos soldados se deu após o governador Paulo Câmara solicitar ajuda ao governo federal após os policiais militares ameaçarem entrar em greve. Os PMs estão em operação padrão, ou seja, atuando apenas em “serviços básicos”. Os militares foram divididos em grupos e atuam em oito áreas da Região Metropolitana do Recife, nos municípios de Olinda, Abreu e Lima, Paulista, São Lourenço da Mata, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes, além da capital pernambucana. No interior do estado, o efetivo da Polícia Militar trabalha normalmente.
Cristiano José Santos acredita que a PM é mais preparada para lidar com as ocorrências comuns da cidade, como assaltos. Foto: Henrique Souza/Esp. DP  
Cristiano José Santos acredita que a PM é mais preparada para lidar com as ocorrências comuns da cidade, como assaltos. Foto: Henrique Souza/Esp. DP
A presença dos militares divide opiniões entre a população recifense. Funcionário de um dos quiosques da praia de Boa Viagem, Cristiano José Santos acredita que a PM é mais preparada para lidar com as ocorrências comuns da cidade, como assaltos. "O que já era ruim ficou ainda pior. Os soldados passam em um caminhão e não param nem fazem abordagens. Ontem mesmo teve um assalto em um quiosque aqui perto. Pelo menos a PM conhece melhor a cidade e sabe quais os pontos críticos onde é preciso estar", afirma. 
Richard Luciano não vê muitas diferenças entre a atuação dos militares e dos policiais. Foto: Henrique Souza/Esp. DP  
Richard Luciano não vê muitas diferenças entre a atuação dos militares e dos policiais. Foto: Henrique Souza/Esp. DP
O autônomo Richard Luciano não vê muitas diferenças entre a atuação dos militares e dos policiais. "Estão roubando do mesmo jeito. Embora o número de soldados seja maior do que o normal (em relação aos policiais), o treinamento da PM é diferente e eles estão mais prontos para lidar com os problemas da cidade", diz. Já a estudante de direito Rayanne Costa acha que a presença das Forças Armadas proporciona uma falsa sensação de segurança. "Não muda muito, na verdade. Pelo menos a PM conhece o Recife", aponta.
Edgmar de Souza aprova o reforço dos militares. Foto: Henrique Souza/Esp. DP  
Edgmar de Souza aprova o reforço dos militares. Foto: Henrique Souza/Esp. DP
Mas há quem pense o contrário. O vendedor Edgmar de Souza aprova o reforço dos militares. "Acho que eles impõem mais respeito do que os policiais. Mesmo que possam não ter sido treinados para as situações de rua, a presença deles intimida mais os bandidos", elogia. Um dos encarregados da montagem do palco de Natal no Marco Zero, Marco Antônio Cordeiro pensa que a ação dos soldados é positiva, especialmente para os turistas. "É melhor com eles aqui. Mesmo não sabendo se eles tiveram treinamento para trabalhar nas ruas acho que os turistas se sentem mais seguros", comenta. A opinião dele é compartilhada pela turista gaúcha Iara Machado. "Os soldados são melhores do que a PM. Me sinto mais segura do que com a presença deles aqui", declara.   
 
Carros blindados, caminhões e três helicópteros estão sendo usados na operação, que ocorrerá até o próximo dia 19. A segunda fase da Operação Leão do Norte começou ontem com a chegada de militares dos estados do Ceará, Sergipe, Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas. Uma equipe de Garanhuns, Agreste do estado, também foi deslocada para o Grande Recife para atuar na segurança pública. O investimento do governo federal foi de R$ 270 mil para o deslocamento dos soldados e de R$ 20 milhões pelos dez dias de permanência das tropas no estado.
 
Diante da ameaça da Polícia Militar de iniciar uma greve, o governador Paulo Câmara havia solicitado, no último dia 6, ao governo federal reforço caso a paralisação fosse deflagrada. A Operação Leão do Norte tem como objetivo “preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio”. O emprego das Forças Armadas foi autorizado pelo presidente Michel Temer através do decreto 8928.
 
Mobilização
Apesar de não estarem em greve, os policiais militares estão em operação padrão, também conhecida como operação tartaruga. A categoria pede reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Na última sexta-feira, depois de mais de cinco horas de manifestação, representantes da polícia foram recebidos pelo secretário da Casa Militar, coronel Eduardo Pereira. Uma nova reunião entre a categoria e o estado acontece no dia 4 de janeiro. Durante a assembleia na Praça do Derby, o presidente e o vice-presidente da Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados, Alberisson Carlos e Nadelson Leite, respectivamente, foram presos. Eles ficaram detidos, mas foram liberados no sábado pela Justiça.



 

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