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Bahia

26/09/2013


Primeiro médico estrangeiro começa a atender em Salvador

BAHIA

Ele chegou às 7h30 da manhã na Unidade de Saúde da Família da Nova Constituinte, no Subúrbio Ferroviário. Nem pessoas da comunidade, nem outros profissionais da área de Saúde haviam chegado.

“Fiquei preocupado com o trânsito, mas o problema do buraco na BR foi sanado”, disse. O posto não demorou a lotar de pacientes e o doutor Raul Ramalho, primeiro estrangeiro do Mais Médico a atender em Salvador, não tardou em dar um diagnóstico sobre a comunidade. “Eles estão carentes de atenção”, disse depois de atender algumas pessoas.

Maria do Socorro da Silva, 52 anos, foi uma das pacientes atendidas pelo médico no seu segundo dia de trabalho. “Ele é legal, bastante prestativo e inteligente. Conversou bastante comigo e isso me fez bem. É, sem dúvida, uma boa pessoa”, relatou ao sair do consultório.

Maria do Socorro, no entanto, não se recuperou totalmente do trauma que os outros médicos que atendiam na unidade de saúde do bairro deixaram nela e em outras pessoas da comunidade. “Só espero que ele não seja vítima da maldição que atinge esse posto”, disse, fazendo referência à grande rotatividade de médicos. “Eles ficavam dois meses e iam embora”, acrescentou.

Se depender do médico português, que deixou seu país, sua família e sua aposentadoria para participar do programa do Governo Federal, a “maldição” deve ser rompida. “Era minha hora de me dedicar a um trabalho como esse; contribuir com o meu conhecimento para a melhoria de vida de pessoas necessitadas”, disse.

Essa é sua primeira atuação em comunidades de baixa renda, mas a impressão deixada pelos primeiros pacientes, segundo ele, foi muito boa. “São pessoas humildes e muito simpáticas, mas percebe-se que eles querem ser escutados e eu vou escutá-los”, relatou.

Segundo o assistente administrativo da unidade de saúde, Alexandre Cunha, em seu segundo dia de trabalho, o médico português vai atender apenas dez pessoas. “É para ele pegar o ritmo”, explica Cunha. Ele informa ainda que à medida que o médico for se adaptando o atendimento será regularizado. “O funcionamento do posto é de 8h às 17h e serão atendidos de 20 a 30 pacientes por turno”.

Posto

Falta pouco para os moradores de Nova Constituinte se sentirem assistidos em suas necessidades de saúde. Eles ainda esperam a chegada do segundo médico, o angolano Francisco Pegado, que, segundo a administração da unidade de saúde, deve comparecer nos próximos dias. A unidade passou por uma reforma e foi reinaugurada na terça-feira, 24.

A comunidade, no entanto, está acostumada à deficiência no atendimento. No último ano, apesar de contar com duas equipes de saúde familiar, o posto teve apenas um médico. “E foram muitos, pois não demoravam muito tempo”, conta o assistente de administração, Alexandre Cunha.

Antes da reforma, cuja inauguração coincidiu com a chegada do médico portu-guês, a situação da unidade de saúde era bem diferente. “Hoje é um paraíso, temos móveis e ar-condicionados novos, paredes pintadas, nada a ver com a situação de alguns anos atrás, quando trabalhávamos sem equipamentos e entre paredes mofadas”, relata Cunha. Ele lembra que a melhora foi paulatina e que ouve uma pequena reforma em 2012.
 

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