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Brasil

30/12/2016


Privatizar BB, Petrobras e CEF: Entenda o que pensa ‘nova’ direita brasileira

exclusivo!

Por Paulo Dantas

Revista NORDESTSE: Quais são as principais Bandeiras do Movimento Brasil Livre (MBL) e as suas próprias Bandeiras?
Fernando Holiday:
O MBL e eu temos uma bandeira liberal que propõe uma redução de estado para o estado que seja necessário. Que cuide das áreas essenciais que a nossa sociedade preconiza, como saúde, segurança, educação e deixe de focar em negociatas inúteis e planos estatais gigantescos com cargos aqui e acolá e procure fazer também políticas de um modo diferente. O MBL tem como bandeira a redução da máquina pública, redução de cargos públicos o incentivo à iniciativa privada, abertura do mercado também para investimentos internacionais, para geração de emprego e riqueza. Nesse sentido de trazer mais liberdade e valor ao indivíduo em detrimento dos coletivos que se formaram nos governos. Eu acho que as eleições de 2016 sinalizaram isso, sinalizaram uma vitória, não sei nem dizer se de uma direita conservadora mas de pelo menos de uma centro direita que pensa diferente do que os governos que nós tivemos nos últimos tempos.

 

NORDESTE: A que você atribui essa mudança ou esse desejo de mudança do povo brasileiro?
Holiday:
Acho que o esse sentimento vem principalmente do esgotamento do modo de fazer política que nós tínhamos nos governos petistas de Dilma e Lula. Modelos de governar com base no inchaço do Estado. O modelo de esquerda de governar esgotou. Nós acabamos voltando para a realidade, conversando seriamente sobre equilíbrio fiscal abertura de mercado, coisas do tipo. Isso a esquerda não ofereceu como resposta, não apareceu uma resposta digna aliás nos últimos tempos para esses problemas que ela mesma criou e a sociedade apresentou a solução, virar para o outro lado.

 

NORDESTE: Mas os estudiosos falam de ganhos durante o governo Lula e Dilma, principalmente a ascensão de uma boa parte da população para a classe média você vê também esses ganhos?
Holiday
: Os ganhos que nós podemos falar do governo petista também foram justamente os ganhos que não vieram da sua ideologia, foram medidas liberais implantadas no governo do PT. Por exemplo o ProUni e o FIES, são medidas desse tipo onde o governo admite a sua ineficiência de oferecer uma educação superior de qualidade para as famílias mais pobres e acaba oferecendo um vale para essas família e até mesmo financiamento para que elas possam se formar em escolas da iniciativa privada. O próprio bolsa família também vem da ideia do Imposto de Renda negativo de Milton Friedman que era também um autor liberal que inclusive idealizou os vouchers, uma espécie de ProUni também foi idealizado por ele no século passado e que foi aderido por diversos governos liberais pelo mundo, um exemplo mais próximo da gente talvez seja o Chile. Os ganhos que vieram do PT, o bolsa família apesar do modelo do Bolsa Família não oferecer uma porta de saída para essas famílias como se elas entrassem no programa e fossem ser eternamente dependentes, de qualquer forma, ainda que precisem de reformas, o ProUni, FIES, Bolsa Família acabaram sendo resultados positivos, mas são positivos justamente por que não seguiram a ideologia que é aquela que conduz o PT: inchaço do Estado e da máquina política.


NORDESTET: Você é a favor de uma diminuição do SUS privatização da Petrobras Caixa Econômica Banco do Brasil?
Holiday:
Quanto ao SUS acho que a gente precisa criar um modelo que ofereça a essa família uma maior eficiência. Claro que não a privatização, porque senão eles ficam sem ter como pagar, mas talvez uma parceria no fornecimento de equipamentos na contratação de médicos, ou mesmo na formação de médicos na iniciativa privada. Criar um modelo como o João Dória pretende criar aqui em São Paulo para adiantar a fila de exame. Ele vai contratar nos hospitais particulares nos horários noturnos para aqueles que estão há meses na fila esperando por um exame que não conseguem fazer na iniciativa privada. Os hospitais particulares podem ser subsidiados pelo Estado. Acho que esse modelo para as família mais pobre na área de educação, na área de saúde, são um bom método de começar a resolver esses gargalos que hoje são terríveis. Para a Petrobras, Correios, todos esses sou a favor da privatização

 

NORDESTE: Você acha que esse é um movimento mundial hoje?
Holiday:
Acho que o mundo de uma certa forma o ocidente está dando uma guinada à centro-direita ou à direita. As próprias eleições dos Estados Unidos demonstraram isso. Eu não sou nenhum entusiasta do Donald Trump, aliás torci contra ele nas eleições. Mas é inegável, temos de reconhecer e a eleição de Trump é uma resposta a governos de esquerda que foram ineficientes em muitas áreas. O próprio presidente Obama teve uma experiência desastrosa ou não muito exitosa Ele criou uma expectativa muito grande em torno da sua primeira eleição em 2008, não demonstrou grandes resultados e um dos seus maiores projetos ele não mostrou a eficiência para ajuda esperada pelas populações mais pobres. Esses governos sempre falaram muito das minorias, negros, gays, etc. Eles esqueceram da maioria, o povo que trabalha, que sustenta a própria família, que é de classe média, acho que a eleição de Trump foi uma resposta a tudo isso. O mundo como um todo está dando uma resposta.

 

NORDESTE: Você é de origem humilde, é homossexual, é negro e já anunciou que é contra as cotas para os negros, contra secretaria LGBT, o que que leva a ter essa postura?
Holiday:
O maior problema aqui no Brasil é não se discutir essas questões. Geralmente elas existem como hegemônicas. As cotas raciais, por exemplo, nunca foram discutidos de uma forma séria aqui no Brasil. O movimento negro sempre colocou isso como uma verdade e todos aceitaram, fosse a direita, fosse a esquerda. Nunca questionou isso de forma enfática. Thomas Sowell analisa as ações afirmativas pelo mundo e diz que o resultado das cotas raciais em diferentes países, Índias, Estados Unidos, na Europa, Ásia, teve um resultado muitas vezes reforçando o preconceito. Hoje, no Brasil, temos na nossa sociedade miscigenada ao longo das décadas, a população pobre do país seja ela branca, negra ou parda, sofre com a mesma péssima qualidade de educação e saúde. Isso não depende da sua cor, é a pobreza, não a cor da pele que atrapalha essas pessoas. Sem isso elas conseguiriam entrar em uma universidade, uma vaga em uma empresa, em concurso público. Eu sou a favor das cotas sociais, mas elas não resolvem o problema, porque você está colocando pessoas não capacitadas dentro da universidade. Quanto a políticas públicas LGBTs, aqui em São Paulo tem a coordenação LGBT que está incluso dentro da Secretaria de Direitos Humanos e tem a Secretaria da Promoção da Igualdade Racial. Essa secretaria são completamente ineficientes e temos ainda um ministério para toda essa questão cheio de pessoas incompetentes. Verdadeiros cabides de emprego. Pessoas vagabundas mesmo, que estão lá para ser sustentadas por nosso dinheiro. Eles deviam estar lutando contra o racismo, contra uma suposta homofobia e que na verdade estão mamando nas tetas do Estado.

 

NORDESTE: Me fala um pouquinho sobre você. Quem é Fernando Holiday e por que esse nome?
Holiday:
Eu tenho 20 anos. Nasci em São Paulo, fui criado em Carapicuíba, cidade da região metropolitana de São Paulo. A maior parte da família dos meus tios e meus avós são do interior da Bahia, de uma pequena cidade chamada Érico Cardoso. É uma família muito humilde. A maior parte deles ainda vive do campo, na roça. Minha mãe é auxiliar de limpeza no Hospital Universitário da USP e o meu pai foi garçom. Meu pai desapareceu em abril de 1997, quando eu tinha cerca de nove meses. Até hoje minha família não sabe o que aconteceu com ele. Então fui criado somente pela minha mãe e estudei a minha vida inteira em escola pública. Não tive muitas oportunidades e nunca fui um bom aluno. Só no início do ensino médio tive uma virada que comecei a estudar um pouco mais sobre política, essas coisas de uma forma geral até que entrei no MBL em Janeiro de 2015. O meu nome é muito comum, é Fernando Silva Bispo. Eu ia montar um canal do YouTube e precisava de um nome diferente Fernando Bispo poderia ser associado a religião, e não era esse o objetivo do canal que eu iria montar. Então vem o nome Holiday até mesmo como homenagem ao Billie Holiday, de quem sou muito fã. E aí ficou o nome Fernando Holiday.

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