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Pernambuco

21/06/2016


Profissionais de saúde passarão a observar outros sinais além da microcefalia

As autoridades de saúde querem ampliar o foco na hora de diagnosticar complicações decorrentes do contato com zika vírus em crianças. A consequência mais evidente continua sendo a microcefalia, que permanece como parâmertro de identificação visual. No entanto, a orientação para profissionais de saúde passará a ser a observação macro do bebê que teve contato com zika, ou seja, a busca de outros sinais como deficiências auditivas, oftalmológicas, clínicas, motoras ou cognitivas. Essa é uma discussão mundial que objetiva concentrar os esforçoes na síndrome congênita relacionada à infecção pelo zika vírus e suas sequelas.

Por ser pioneiro na descoberta dos casos, que passaram a fugir do padrão no estado em outubro passado, Pernambuco vai contribuir com as novas regras de identificação publicando a terceira edição do protocolo que norteia os diagnósticos. O documento será lançado no início do mês de julho, conforme anúncio feito ontem pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) durante o Seminário Estadual de Vigilância e Resposta às Arboviroses e suas Complicações. O evento termina hoje e está sendo realizado em um hotel em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, em parceria com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial de Saúde (OMS) no Brasil.

O protocolo pernambucano tem servido de guia para ações em outros estados e países. A primeira versão foi lançada em novembro do ano passado. Em dezembro houve a atualização. Com essa terceira versão, a SES espera que a rede de assistência aos bebês possa aprimorar o olhar para as outras consequências do zika. De acordo com a secretária-executiva de Vigilância em Saúde do estado, Luciana Albuquerque, 20% dos casos confirmados de microcefalia no estado não atendem mais aos padrões dessa condição estabelecidos pela OMS, mas têm outras alterações neurológicas identificadas a partir de tomografia e exames clínicos. Atualmente, a OMS confirma como microcéfalos bebês que nascem com menos de 31,9 centrímetros de perímetro cefálico. Em novembro do ano passado, o diagnóstico era dado a crianças com 33 centímetros ou menos.

Em Pernambuco, foram confirmados 366 casos de microcefalia até ontem. Desses, 70 não atendem mais ao padrão da OMS, mas continuam sendo acompanhados pela rede porque apresentaram outras complicações neurológicas relacionadas ao zika vírus. A consultora nacional da Opas, Adriana Bacelar, afirmou que está sendo feito um mapeamento das possíveis alterações que o zika pode causar. “A microcefalia é a expressão de um efeito. Mas o que se fala agora é que o zika não causa apenas a microcefalia, mas a síndrome congênita relacionada à infecção pelo vírus”, detalhou Adriana Bacelar. Segundo ela, o último dado publicado pela OMS, em 9 de junho, aponta que a transmissão do zika ocorre em 39 países das Américas. Já a microcefalia está presente em 14 países, sendo o Brasil com o maior número de casos.

Interior

O número de unidades de saúde para atendimento, assistência e diagnóstico às mães e bebês acometidos pelo zika vírus em Pernambuco vai subir de 24 para 26 a partir de julho. Entrarão no sistema o Hospital Regional Fernando Bezerra, em Ouricuri, no Sertão, e a Unidade Pernambucana de Atenção Especializada (UPAE) de Limoeiro, no Agreste. A secretária-executiva de Atenção à Saúde de Pernambuco, Cristina Mota, explicou que em outubro do ano passado, quando começaram a aparecer os primeiros casos de microcefalia relacionados ao zika, três unidades atendiam aos pacientes (Imip, AACD e HUOC). Mas, diante da demanda, toda a rede foi readequada para contribuir.

Diário de Pernambuco

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