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Rio Grande do Norte

13/05/2015


Projetos para agropecuária não saíram do papel no Rio Grande do Norte

Quase dois meses após a oitava publicação do decreto de calamidade da seca no Rio Grande do Norte, em 30 de março, os projetos voltados para a convivência da agropecuária com a estiagem em 2015 ainda não têm data para serem iniciados. Um deles prevê a distribuição de forragem para o gado, e depende de aval do Ministério da Integração. Com a não concretização das chuvas esperadas para abril, produtores aguardam uma frustração de até 90% da safra, dependendo da cultura. No ano passado, devido à estiagem, a agropecuária potiguar deixou de produzir R$ 3,8 bilhões – 48% da contribuição anual do setor para o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado.

“Um programa que estamos pleiteando é a suplementação forrageira, que conseguimos no ano passado pelo Ministério da Integração”, explica o coordenador de assessoria técnica da Secretaria Estadual de Agropecuária, Eribaldo Cabral. No ano passado, com as publicações do decreto de calamidade, o Ministério da Integração destinou R$ 8 milhões em recursos para aquisição de torta de algodão e forragem.

“Isso dá para minimizar os períodos da estiagem de maio até o início do período de chuvas. A secretaria tem recursos para manutenção e de contrapartida para esses programas, mas não para bancar isso”, acrescenta Cabral. De acordo com coordenador da Sape, os projetos já foram encaminhados e aguardam aprovação.

A estiagem prolongada dos últimos quatro anos também ceifou o número de ocupações no setor agropecuário. De acordo com a última Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), o número de pessoas ocupadas no setor caiu em 26,5% entre 2011 e 2015. Na semana passada, a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn) divulgou que as chuvas em abril alcançaram menos de 50% do esperado.

Enquanto isso, para os produtores, a perspectiva de safra não são muito animadoras. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), preparado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Conab em abril, mostra que este ano houve um crescimento de 16% da área plantada. Porém, a produção em abril, comparada à área plantada em dezembro, sofreu baixa em culturas como cana de açúcar (-9%), tomate (-7%), castanha de cajú (-5%), banana (-4%) e coco da baía (-2%).

“Temos alguns programas para dar continuidade, como o de barragens submersas e a distribuição de sementes, mas são programas que dependem da condição de inverno”, acrescentou Eribaldo Cabral. Entretanto, ele ressalta que ainda é cedo para definir as perdas. “O que preocupa a gente é a questão de falta d’água. O programa estamos vendo uma forma de conseguir recursos”, acrescenta.

Ração
No ano passado, o Estado perdeu 50% do rebanho, ou R$ 1,2 bilhão. Para a Federação de Agricultura e Pecuária do RN (Faern), a falta de programas que ajudem o pequeno e médio produtor a se manter durante a estiagem contribuem para as perdas. Um dos mais conhecidos seria a venda de milho subsidiado pela Conab, hoje suspenso. A Faern pleiteia a retomada da venda em balcão, com redução do preço da saca de R$ 43 (preço de mercado) para R$ 28. Porém, o transporte de 100 mil toneladas depende da licitação do frete pelo Governo Federal.

“O Estado deveria estar tentando trazer milho pelo porto, que está preparado para receber grãos”, disse o presidente da Faern, José Alvares Vieira. Para ele, ainda haverá demissões. “Boa parte do pessoal que saiu da agricultura migrou para a construção civil. Com o corte de empregos com a construção, agora é que vamos sentir”, asseverou.

Questionado se, com a seca, o uso da água para agricultura deveria ser restringido, Vieira foi incisivo. “Se o Estado tivesse feito a interligação de bacias e sua política de recursos hídricos, não precisaríamos ter o discurso de restrição de água”, afirma José Vieira.

Operação Pipa
– R$ 70 milhões é o custo da operação no RN para o Ministério da Integração Nacional
– 632 pipeiros contratados para fazer a distribuição de água
– 57 mananciais para captação estão cadastrados
– 123 municípios atendidos
– 8.323 pontos de abastecimento (ex.: cisternas)
– 248.177 pessoas recebem água
– 160.646 m³ de água distribuídos por mês
– 20 litros/dia é a água destinada por habitante

Decreto de emergência da seca
– 30 de março foi a oitava e mais recente publicação do decreto
– 153 municípios contemplados
– 91,6% dos municípios potiguares

Tribuna do Norte 

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