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Brasil

14/08/2014


PSB tenta superar divergências e decidir destino de Marina Silva

Eleições 2014

Um dia depois do acidente aéreo que matou o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, o PSB se lança na tarefa de decidir o destino da ex-senadora Marina Silva. Na quarta-feira (13), diante da notícia de que o avião que levava o socialista caiu em Santos, no litoral paulista, a ordem na campanha era silenciar. Embora aliados mais próximos do ex-governador estivessem totalmente concentrados nas investigações do acidente, parte da direção partidária dava início, nos bastidores, a conversas sobre se Marina deve assumir de fato a cabeça da chapa presidencial.

Ainda na noite de quarta, parte da executiva socialista tentava articular uma reunião para esta quinta-feira (14) entre as direções do PSB e da Rede Sustentabilidade a fim de dar início as tratativas para a substituição.

De acordo com o senador e candidato ao governo do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), “ainda não há nada definido”. Mas há a expectativa de uma reunião informal nesta quinta-feira, em São Paulo. “Primeiro, vamos resolver coisas que precisam ser operacionalizadas – como liberação do corpo – e depois vamos conversar melhor sobre tudo isso”, disse ele.

Ao menos dois fatores elevaram a pressão para que o PSB inicie imediatamente as negociações. O primeiro é a proximidade do início do horário eleitoral no rádio e na televisão, que começa na próxima terça-feira (19). Se for para formalizar o nome de Marina na disputa, o partido poderia reformular seu programa a tempo de entrar na campanha de TV já com a nova candidata. O segundo motivo é a preocupação em manter sob controle as divergências entre o time de Campos e aliados de Marina, que pautaram boa parte dos preparativos para a eleição.

Pela lei eleitoral, a chapa de Eduardo Campos só tem duas alternativas. A primeira é indicar, no prazo máximo de dez dias, um substituto com o qual todos os partidos coligados concordem. Esse nome pode vir do próprio PSB ou de qualquer outra sigla coligada. A candidatura de Campos tinha apoio do PPS, PHS, PPL, PRP e PSL. Dentro dessa opção, faltaria indicar também o nome de um novo vice. A segunda alternativa é a dissolução da chapa.

Condições
Todas as conversas sobre a substituição de Eduardo Campos na cabeça de chapa ocorreram de maneira discreta. Nos bastidores, entretanto, aliados próximos do ex-governador admitiram que Marina é o único nome da coligação com viabilidade eleitoral. O simples fato de ser vice, disse um articulador da campanha, faz dela o nome natural. Soma-se a isso o recall da última eleição presidencial e o fato de ela já ser conhecida do eleitorado.

O problema, dizem os socialistas, é saber em que termos Marina se tornaria candidata. Uma questão a ser discutida nas negociações, por exemplo, é se a ex-senadora seguirá ou não com os planos de criar a Rede Sustentabilidade e deixar o PSB após as eleições. Ao ceder a legenda para Marina quando a ex-senadora falhou em criar seu próprio partido a tempo de disputar a eleição, Campos havia se comprometido a não impor nenhum tipo de empecilho para que ela e todos os seus aliados migrassem para a nova legenda.

A rigor, diz um socialista, Marina “nem sequer poderia ser considerada uma candidata do PSB”. Ou seja, coloca-se ainda a necessidade de a ex-senadora convencer os setores do PSB que já torciam o nariz para sua candidatura de vice a se lançarem na campanha para elegê-la presidente.

Questões operacionais da campanha também preocupam o PSB. Uma delas é a arrecadação da campanha. Como vice, Marina já incomodava potenciais doadores em áreas como o agronegócio, que agora podem se afastar ainda mais da campanha, na avaliação de aliados do ex-governador. Além disso, a indicação de um nome para a vice também pode gerar atritos nas negociações.

Bombeiro
As divergências entre integrantes da Rede e o time de Eduardo Campos são velhas conhecidas do PSB. Há no partido, neste momento, a preocupação de evitar que o clima de indefinição torne a convivência entre os dois grupos ainda mais difícil. Lá atrás, o clima esquentou principalmente no chamado período de pré-campanha, em momentos como a definição da estratégia eleitoral e montagens de palanques regionais.

Marina sempre defendeu internamente que o partido lançasse candidatos próprios em todos os principais colégios eleitorais, mesmo que isso significasse abrir mão de alianças que pudessem assegurar um palanque presidencial mais sólido. O time de Campos cobrava um pragmatismo maior na disputa. A ex-verde foi voto vencido em vários momentos. Teve que aceitar, por exemplo, a aliança do PSB com PSDB de Geraldo Alckmin em São Paulo.

No decorrer da pré-campanha, o próprio Eduardo Campos atuava como uma espécie de bombeiro. O socialista chegou a mediar conflitos entre alguns de seus aliados mais próximos e a candidata a vice. “Pode não parecer neste momento, mas o tempo vai mostrar que ela agrega votos. Ela vai nos ajudar a crescer lá na frente, temos que fazer algumas concessões”, disse o pernambucano a um aliado após uma discussão acalorada com um dos articuladores de sua campanha sobre a montagem dos palanques nos estados.

(do iG)

 

 

(do iG)

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