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Brasil

10/12/2015


PSDB mantém “gás” de Eduardo Cunha em caos do Congresso

O que seria de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, sem o PSDB? Em primeiro lugar, ele jamais teria sido eleito presidente da casa. Além disso, não teria espaço para conduzir o Legislativo de forma tão aviltante. Primeiro, com sua pauta-bomba, que os tucanos apoiaram apostando no 'quanto pior, melhor'. Agora, com manobras jamais vistas no parlamento para impedir sua própria cassação.

A mesma pergunta pode ser feita trocando-se Eduardo Cunha por Michel Temer. Sem o apoio dos tucanos, Temer não poderia estar se movimento de forma tão explícita para tomar a cadeira da presidente Dilma Rousseff. É o apoio do PSDB que lhe dá fôlego para embarcar de forma acintosa no impeachment.

Se antes um golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff dividia os principais caciques tucanos, hoje há unidade no PSDB. No fim de semana, o regente da tropa, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defendeu que ela seja afastada por "responsabilidade política", ou seja, mesmo sem ter cometido crime de responsabilidade – o que a Constituição exige (saiba mais aqui).

Agora, tanto Geraldo Alckmin quanto José Serra defendem a mesma posição. O governador paulista tenta criar um novo discurso depois de sofrer a maior derrota de sua gestão, após ver seu projeto de fechamento de 93 escolas ser repudiado por estudantes e pela sociedade. Ontem, ele defendeu o processo contra Dilma e disse que "impeachment não é golpe". Precisou levar uma aula de direito de Flávio Dino, governador do Maranhão, que o lembrou o óbvio: só não é golpe se houver crime de responsabilidade (saiba mais aqui).

Serra, por sua vez, sonha em ser para Temer o que FHC foi para Itamar Franco – um superministro que assumiria a Fazenda e depois se elegeria presidente. No entanto, Temer já fez chegar ao mercado financeiro (que detesta Serra) que seu homem forte da economia seria Henrique Meirelles.

De Aécio Neves, nada é necessário dizer. Basta lembrar que, em 2015, ele não fez outra coisa a não ser contestar o resultado das urnas que o derrotaram em 2014.

Hoje, os fatores que criam instabilidade e ameaçam a democracia brasileira não são apenas a ambição de Temer e a loucura de Cunha. São também o rancor e a descompostura dos caciques tucanos.

Brasil 247

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