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Política

12/06/2015


PT cavou crise política e econômica com as próprias mãos

Nos discursos do 5º Congresso do PT, faltaram autocríticas do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff em relação aos seus próprios erros. É fato que o PT aplicou políticas públicas voltadas para os mais pobres e modernizou os mecanismos de combate à corrupção, mas enfrenta hoje uma crise política e econômica que cavou com as próprias mãos.

Houve algo em comum nos discursos de Lula e Dilma na abertura do encontro petista em Salvador ontem à noite: a ideia de que a melhor defesa é o ataque.

Lula falou num tom mais duro, no qual se queixou das previsões de jornalistas de que o PT estaria morto ou viria a morrer, atacou com força a imprensa e fez uma defesa de Dilma, amenizando o clima hostil à política econômica. O ex-presidente mostrou disposição de fazer a disputa política imediata e sinalizou possibilidade de concorrer novamente ao Palácio do Planalto. Se for candidato, Lula será um nome fortíssimo.

Dilma fez um discurso em que basicamente pedia uma trégua ao PT em relação à política econômica. Afirmou que o ajuste fiscal seria uma medida tática e que o país voltaria a crescer. Disse que está tomando medidas para fortalecer o equilíbrio fiscal e o combate à inflação, justamente duas áreas que tratou com frouxidão no primeiro mandato.

Os dois discursos devem ser entendidos como uma forma de mobilizar a militância em uma hora de crise. Para o grande público, funcionam como tentativa de vender uma campanha de perseguição ao PT e ao governo.

É fato que a imprensa também erra e não é imune a críticas. O mesmo vale para a oposição. No entanto, convém lembrar que os problemas na economia e a corrupção na Operação Lava Jato não foram criação da imprensa nem da oposição.

Obviamente, o PT não vai morrer. Mesmo que perca a eleição presidencial em 2018, não significa que deixará de ser uma força política importante no país.

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É visível o distanciamento entre os dois principais partidos que sustentam o governo, o PT e o PMDB. Na votação da reforma política na Câmara, isso tem ficado claro e sinaliza possíveis destinos diferentes na sucessão presidencial de 2018.

Essa distância crescente é sentida sobretudo na volta de um clima de confronto mais acirrado entre petistas e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, um dos principais líderes peemedebistas.

Um exemplo foi a aliança formada ontem entre peemedebistas e tucanos para votar a aprovação de requerimentos na CPI da Petrobras da Câmara que deixaram Lula e petistas expostos politicamente. Foi convocado o presidente do Institulo Lula, Paulo Okamotto, um dos auxiliares mais antigos e mais próximos do ex-presidente.

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Nos discursos de Lula e Dilma no congresso do PT, houve críticas abertas à tentativa de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Ambos trataram essa possibilidade como um retrocesso político, o que é verdade.

Em entrevista ontem ao SBT, Marina Silva também afirmou que é contrária à redução da maioridade penal porque isso criminaliza a infância. A ex-senadora criticou Dilma dizendo que a presidente criou um tsunami na economia. Mas também alfinetou Eduardo Cunha, o que é raro no campo da oposição, dizendo que o Brasil o via como uma grande interrogação.

Blog Kennedy

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