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Economia

03/07/2015


Recém-contratados ganham salário 10,7% menor do que profissionais desligados

Desemprego em alta e salários em baixa. Os brasileiros estão sendo contratados ganhando menos. Em maio, o salário de admissão foi, em média, 1,6% menor na comparação com o mesmo período do ano passado, já excluindo os efeitos da inflação. Considerando a queda da pressão salarial média dos últimos três meses, o resultado é o pior desde a crise de 2008/2009. Significa que os trabalhadores foram admitidos por um salário 10,7% menor do que aqueles que deixaram seus empregos no mês.

Os dados da Catho-Fipe confirmam a piora do mercado de trabalho, fruto do aumento do desemprego. Desde janeiro, os salários de contratação vêm ladeira abaixo. O quadro deve piorar com a projeção de 6,8% da taxa de desemprego para as seis principais regiões do país em junho. Para calcular o salário médio de admissão do mês, os economistas da Catho-Fipe usam os salários médios de admissão e desligamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Quanto maior a pressão salarial, maior o aperto no mercado de trabalho.

A pressão salarial média dos últimos três meses aferida foi de 0,0893, abaixo de 1, mostrando que os novos trabalhadores foram contratados com salários 10,7% menor do que os que foram desligados no período. O economista responsável pelo índice da Cataho-Fipe, Raone Costa, diz que os índices são preocupantes porque indicam movimento de queda dos salários de admissão nos últimos cinco meses. Ele explica que o salário médio de admissão afere melhor as variações salariais do que a remuneração média de toda a população ocupada porque é influenciada pelos dissídios coletivos.

“O salário médio se movimenta de forma mais lenta por conta da variação dos dissídios coletivos cujos índices são negociados nas datas base das categorias”, explica Costa. Com a tendência de retração da economia nos próximos meses, a taxa de desemprego antecipada da Catho-Fipe é de 6,8% para junho, contra 6,7% de maio. Diante das projeções negativas para o mercado de trabalho, os salários médios de contratação devem continuar em queda. “Embora a taxa ainda esteja baixa, vemos que o desemprego se move numa velocidade maior nos últimos meses”, comenta o economista.

Raone Costa diz que a redução dos salários de contratação é disseminada em todas as regiões do país, e generalizada para todos os setores de atividades econômicas. Como a crise econômica bateu forte no setor industrial, principalmente no setor automotivo que vem demitindo trabalhadores, os empregados da indústria foram os que tiveram maior perda salarial. “Esse movimento é natural no momento de crise econômica. Quando o mercado de trabalho está bom, o desemprego cai e os salários sobem.”

Diario de Pernambuco

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