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Brasil

15/05/2015


Reconstruir indústria naval foi uma decisão estratégica do governo, diz Dilma

A construção de navios como o André Rebouças, que fez nesta quinta-feira (14) sua primeira viagem, resulta de uma decisão estratégica do governo, tomada desde o início dos anos 2000, de reconstruir a indústria naval do Brasil, afirmou a presidenta Dilma Rousseff, durante a cerimônia inaugural da embarcação e do batismo do petroleiro Marcílio Dias, no Complexo Portuário de Suape, em Ipojuca, região metropolitana do Recife (PE).

Nós não chegamos aqui porque, há um ano ou dois atrás, começamos a fazer o navio André Rebouças (…). Chegamos aqui porque rompemos com uma realidade terrível. O Brasil tinha sido, nos anos 80, o segundo maior produtor na área de indústria naval. E esse processo foi desmantelado. Foi tão desmantelado que os estaleiros que existiam, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao governo, produziam [apenas] pequenas embarcações. E alguns dos quais eu visitei – porque era então ministra de Minas e Energia -, tinham grama no chão. A grama crescia porque nenhum trabalhador, nenhum funcionário, ninguém passava pelos canteiros, pelas áreas dos estaleiros”.

A embarcação André Rebouças é a nona a entrar em operação das 49 encomendadas a estaleiros nacionais pelo Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). Na mesma cerimônia, realizada no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Ipojuca (PE), também será batizado o petroleiro Marcílio Dias.

Como resultado dessas iniciativas, o número de trabalhadores do setor, que em 2002 não chegava a sete mil, hoje, de acordo com dados do governo, somam cerca de 72 mil pessoas, com carteira assinada, capacitadas e bem remuneradas, responsáveis pela quarta maior carteira de encomendas de navios do mundo.

Descentralização e conteúdo nacional
Segundo a presidenta Dilma Rousseff, a decisão de recuperar a indústria naval brasileira levou a duas importantes consequências. A primeira, foi a decisão de espalhar os estaleiros pelas diversas regiões do território nacional, além do Sudeste, onde tradicionalmente já existia, para o Norte, Sul e o Nordeste.

A outra opção política foi a de valorizar e priorizar a indústria brasileira, ao exigir um percentual de tecnologia nacional na construção dos grandes petroleiros usados pela Petrobras. Essa decisão, juntamente com o incremento da produção do pré-sal, foi responsável pelo restauração da indústria naval no País.

 A indústria naval renovada, “fez com que incorporássemos tecnologia, melhorássemos a formação dos nossos trabalhadores e gerássemos emprego e renda. O que nós queremos é produzir no Brasil o que pode ser produzido no Brasil”, acrescentou Dilma. Apenas o petroleiro André Rebouças, por exemplo, tem 72% de conteúdo nacional, gerou mais de 2 mil empregos. O Marcílio Dias, batizado nesta quinta-feira, tem 67% de conteúdo nacional e criou 1,7 mil novos postos de trabalho.

Dilma recordou ainda que essas conquistas desmentiram o pessimismo de algumas pessoas, que diziam que o que o Brasil não tinha competência “para fazer, sequer, um casco de navio, de plataforma ou de qualquer um dos produtos da indústria de petróleo e gás”.

Maldição do petróleo
Com essas políticas, reforçou a presidenta, o Brasil está trabalhando para evitar a chamada “a maldição do petróleo” ou a “doença holandesa”. O fenômeno ocorre em alguns países onde a abundância dessa commodity leva ao fim de outras indústrias e a população é obrigada a utilizar apenas produtos importados.

“É o fato de que a riqueza gerada pode resultar no empobrecimento do resto do País e no enriquecimento só de um setor. Para não ter maldição do petróleo, temos de ter uma cadeia de petróleo e gás, fornecendo produtos com trabalhadores brasileiros treinados aqui, capazes, ganhando salários adequados e tendo uma renda adequada”, destacou a presidenta.

 E concluiu: porque não queremos a maldição do petróleo para o Brasil, “vocês podem ter certeza, a política de conteúdo local veio para ficar”.

Blog do Planalto 

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