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Brasil

17/08/2015


Relator descarta Lula na CPI do BNDES

Quem anda ansioso para ver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa CPI pode ficar decepcionado com a opinião do deputado José Rocha (PR-BA), relator da CPI que investigará contratos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Ao chegar ao seu gabinete na noite de quinta-feira (13), Rocha recebeu de sua assessoria uma lista com mais de cem requerimentos relativos à CPI, muitos deles pediam a convocação de Lula e de Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente. Entretanto, ele descarta a presença do petista nos bancos da CPI do BNDES, pelo menos por enquanto.

“É mesma coisa de querer trazer aqui o Fidel Castro ou o [Nicolás] Maduro. Não vejo nenhum sentido de você, neste momento, convidar pessoas como o ex-presidente (Lula). Agora, no decorrer das investigações, se houver necessidade, um fato que determine isso, aí não tenha dúvida que a gente pode analisar essa convocação. No momento, no início do uma CPI em que não temos processo investigativo na área judicial em curso, não há nenhum embasamento para convocar essas pessoas. Vejo que isso é mais no sentido de politizar a comissão, e não é por aí. Temos de fazer um trabalho técnico”, diz Rocha.

O relator prega responsabilidade com o BNDES. “O BNDES é o maior banco de fomento do mundo. Temos de preservar essa entidade, que é da sociedade brasileira. Não podemos fazer o trabalho que venha criar dificuldades para que o banco continue exercendo suas atividades”, defende ele, que classifica a enxurrada de requerimentos para trazer Lula para a CPI como uma tentativa de politizar a comissão, algo que ele enxerga como algo muito difícil de ser evitado.

“Realmente evitar a politização é difícil. Agora, não podemos chegar a níveis em que chegue a ser só esse o debate na comissão. Na medida em que você politiza a comissão, muda o foco da investigação para ficar fulanizando, e não podemos fazer isso”, declara Rocha. Nessa direção, o relator evita até polemizar a criação da CPI, ato do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que o fez tão logo anunciou sua ida para a oposição. “Não foi ele [Cunha] quem criou a CPI. Quem criou a CPI foram os deputados que assinaram o requerimento feito pelo líder do PPS, Rubens Bueno. O presidente da Casa apenas instalou a comissão, como era seu dever”, avalia.

A referência a Castro e Maduro ao falar de uma suposta convocação de Lula vai na direção dos contratos que o BNDES fechou para viabilizar obras em Cuba e Venezuela. Segundo Rocha, esses contratos deverão ser um dos grandes motes da CPI. “Não tenha dúvida, a CPI vai investigar esses contratos que foram feitos com Cuba, Angola e Venezuela."

IG

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