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Ceará

30/09/2015


Reservatórios que abastecem Fortaleza tem nível mais baixo em 22 anos

Com o pior aporte de água dos últimos 18 anos, 2015 é o quarto ano seguido em que os açudes do Ceará não têm recarga considerável. Com isso, a rede de abastecimento de Fortaleza e Região Metropolitana chega à média de 39% de volume, segundo dados da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). “A situação se agrava porque foram anos sequenciais de baixo aporte”, frisa Débora Rios, diretora de Operações da Cogerh.

A última vez que a RMF viveu situação parecida, ela recobra, foi há 22 anos. Entre 1990 e 1993, não houve chuvas consideráveis no Ceará e foi necessária a construção do Canal do Trabalhador para aliviar o racionamento que acontecia na Capital à época.

Por conta da baixa nos açudes metropolitanos, o abastecimento tem de vir de longe: do açude Castanhão. Os açudes Pacajus, Pacoti, Gavião e Riachão, que fornecem água para a a rede, também têm o volume complementado pelo maior reservatório do Estado, que hoje tem apenas 15,27% da capacidade.

Se o consumo seguir o ritmo atual, sinaliza Débora Rios, os quatro milhões de habitantes da RMF podem ter de conviver com restrição de abastecimento a partir de setembro do ano que vem. “É preciso ter o uso responsável na Região Metropolitana e cumprir a restrição de oferta (para irrigação) no Vale do Jaguaribe. Se tiver essa ação integrada, não vamos ter medidas drásticas para 2016”, a diretora ressalta.

Além das ações, o Estado também depende que a pré-estação e estação chuvosas representem aportes satisfatórios. Atualmente, o Castanhão libera 22 metros cúbicos de água por segundo. A vazão já foi limitada por conta do baixo volume e é condicionada à restrição do uso para que permaneça acontecendo.

A necessidade da Região Metropolitana é de 12 metros cúbicos de água por segundo (sem contar a evaporação), de acordo com Débora. “Disso, 88% é abastecimento urbano, e o resto é para a indústria (especialmente Pecém e os Distritos Industriais de Pacajus e Maracanaú)”. Diretamente do Castanhão, vêm nove metros cúbicos de água por segundo para complementar o sistema metropolitano, e o restante vem dos açudes.

“Para o ano que vem, ainda estamos esperando um pequeno aporte, mas que deve ser abaixo da média. Isso reforça, ainda mais, a necessidade de a população usar de forma mais inteligente a água”, assinala a diretora interina de Operações da Cagece, Neuma Buarque.

Diante da “situação crítica”, segundo Neuma, pode ser necessário realizar o racionamento no futuro. Na necessidade de conviver com a seca, Fortaleza depende cada vez mais da água que vem de longe, pelo Canal do Trabalhador e pelo Eixão das Águas. “Também é preciso mudar a consciência das pessoas pra que não tenham ações só agora, mas que elas sejam permanentes”.

Mariana Freire
O Povo

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