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Brasil

07/03/2016


Retração do PIB no Nordeste é pior que a média nacional; confira matéria

exclusivo revista

As regiões Norte e Nordeste, que haviam mostrado maior resistência à desaceleração econômica em 2014, foram as mais afetadas pela retração da atividade verificada no ano passado. É o que mostram dados sobre o nível de atividade em cada região divulgados pelo Banco Central e por órgãos federais e estaduais. Na semana passada, o IBGE informou que o PIB nacional de 2015 registrou a maior queda desde 1990.

O Índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central (IBCR), utilizado pela instituição para avaliar o desempenho da economia por regiões, indica um quadro de recessão generalizada, mas com dados piores para o Norte e Nordeste. Na virada de 2014 para 2015, Norte e Nordeste passaram de uma expansão próxima de 2% para uma retração de 3% no ano passado. Já o Sudeste encerrou 2015 com queda de 2,5%.

A matéria da 111ª edição da Revista Nordeste, "De marcha ré", traz de forma detalhada a participação do PIB do Nordeste em relação aos números nacionais e porque essa participação patina nos 14% há muitos anos.

A matéria completa você encontra na revista, que pode ser acessada neste LINK 

Por Paulo Dantas

A economia Nordestina se mantém próxima a 14% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil desde a década de 40 – em 1939 chegou a 16%, mas o percentual não se sustentou. O valor, que em 2013 era 13,6% do valor total do PIB, está nesse patamar desde o início do século. O PIB Percapita, isto é, o produto das riquezas totais produzidas pela região dividido pela quantidade de habitantes no Nordeste, era de 48% do que ganhava alguém no Brasil em 2010. Um boom no crescimento fez a região sair de 43% em 1989 e chegar aos 48%. Esse valor significa que enquanto na região sudeste e sul do país a média salarial esta acima de R$ 20 mil reais ao ano, no Nordeste esse valor é de cerca de R$ 10 mil. Entretanto, esse crescimento do PIB Percapita fez surgir a argumentação que, mantido esse ritmo, em 50 anos, segundo estudos divulgados pelo Instituto de Políticas Econômicas Aplicadas (IPEA), o Nordeste poderia chegar a 75% do PIB Percapita do país, um percentual utilizado pela União Europeia e considerado aceitável entre regiões ou países desenvolvidos.

No entanto, o Nordeste parece que perdeu seu fôlego. O motivo: a crise que assola o país. O banco Credit Suisse já afirmou que o país caminha para a pior recessão de sua história. A afirmação foi baseada em um estudo feito pela própria organização bancária, que aponta o risco do Brasil viver três anos seguidos em recessão, o que não ocorre desde 1901. O Credit Suisse acredita ainda que o desemprego, que tem andado na casa dos 8%, pode chegar a 13% em 2017. Neste cenário a região Nordeste corre o risco de perder ganhos adquiridos nos últimos anos. O economista Guilherme Resende, do IPEA, em entrevista exclusiva à Revista NORDESTE, foi enfático e as notícias não são boas. Resende apresenta indicadores como a produção física mensal, o próprio PIB, índices do comércio e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Esses indicadores trazem variáveis que mostram o que está acontecendo com a economia do Nordeste e do Brasil.
O último número do PIB Percapita regional de 2013 mostra ainda uma economia do Nordeste que cresce mais que o Brasil, mas já diminuindo o ritmo. Os números de 2000 a 2013 apontam crescimento de 31,5%, enquanto o PIB Percapita brasileiro foi de 29,8%. A média do PIB percapita do Nordeste entre 2000 e 2010 foi de 3,12%, enquanto a média brasileira foi de 1,8%. Isto é, o Nordeste cresceu nesses dez anos quase o dobro do Brasil. “O Nordeste já não tem aquele fôlego no final do período pré-crise e aquela projeção de 50 anos atingir os 75% do PIB nacional, se mantiver esse passo, já não consegue. Vai precisar de muitos mais anos”, avisa Resende.
 

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