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Brasil

20/05/2014


Revista conversa com especialistas para saber qual será o legado da Copa

NESTA EDIÇÃO

Os impactos econômicos da Copa do Mundo no Brasil podem chegar a mais de R$ 180 milhões. Autoridades e especialistas afirmam que depois do Mundial o Brasil será uma grande vitrine para o segmento turístico, mas tudo depende do que será mostrado por aqui. A Revista NORDESTE procurou saber qual será a herança do campeonata para o país e conversou com vários especialistas do trade turístico. 

A chegada da Copa do Mundo de 2014 é aguardada com ânsia. O torneio está trazendo para o Brasil grandes expectativas em relação a investimentos em vários seguimentos, principalmente no trade turístico. De acordo com levantamento da consultoria Value Partners encomendado pelo Ministério do Esporte, os impactos econômicos podem chegar a R$ 183,2 bilhões. Só com turismo incremental a previsão é de que sejam gerados R$ 9,4 bilhões. Espera-se que o evento, que acontece entre 12 de junho e 13 de julho deste ano, traga 600 mil turistas internacionais (movimentando cerca de R$ 3,9 bilhões) e mobilize 3.100 mil turistas nacionais (gerando em torno de R$ 5,5 bilhões). Um número de visitantes equivalente a praticamente dois terços da população da segunda maior cidade do Brasil, o Rio de Janeiro. Mas, depois que o fervor e os gritos pelos gols deixarem de ecoar nos estádios, qual será o real legado turístico do torneio para o país?

Para o ministro do Turismo, Vinicius Lages, a herança da Copa do Mundo será a consolidação do Brasil como destino internacional e o crescimento do turismo interno. Desde que foi selecionado como país que realizaria o torneio, o Brasil, apesar dos atrasos nas obras, vem movimentando o setor. “Em matéria de ‘aquecimento’ para o mundial de futebol, há indicativos de que estamos indo muito bem. Em infraestrutura turística, por exemplo, o MTur garantiu investimentos para atender a importantes demandas dos destinos. Somente via Matriz de Responsabilidades do governo federal para a Copa, as 12 cidades-sede receberam R$ 177,9 milhões do MTur para implantar obras de três categorias: sinalização turística, acessibilidade e Centros de Atendimento ao Turista”, afirma.

Para a redação da Revista NORDESTE, Vinícius Lages explicou que o setor turístico passou a receber recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e vai se beneficiar de melhorias executadas com crédito dos bancos públicos para o setor. “É o caso da linha de crédito BNDES ProCopa, articulada pelo Ministério do Turismo, que disponibilizou R$ 2 bilhões para construção, reforma, modernização e ampliação de meios de hospedagem no país”, diz o ministro.
Esses investimentos, principalmente os voltados para infraestrutura, são para Enrico Fermi, presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis (ABIH), uma das duas grandes heranças que a Copa do Mundo deixará para o Brasil. Outro importante legado será a ascensão da imagem do país para o mundo. “Nós aguardamos temos uma grande expectativa em torno de um legado da visibilidade. O país está tendo a condição de se mostrar a nível internacional, isso tanto quatro anos antes do evento, quanto quatro anos depois. Tem também as obras de infraestrutura de equipamentos nas cidades-sede, contribuindo para a mobilidade urbana, segurança etc.”, afirma.

Não há dúvidas que durante a Copa do Mundo o setor turístico do país terá um crescimento exponencial: os aeroportos vão lotar, os hotéis não terão vagas e os restaurantes e bares praticamente estarão sem reservas. De acordo com Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o faturamento desses estabelecimentos deve dobrar durante o evento. Depois que o torneio passar, a tendência é ter uma leve queda em relação aos dias de Copa, mas um considerável aumento em comparação com os períodos antes do Mundial. “Os dias de partidas serão feriados e é tradição assistir jogo de futebol em bar. O grande erro é imaginar que o sucesso do evento é apenas durante um mês, a expectativa é que isso continue acontecendo. A Copa vai trazer uma visibilidade que o país não experimenta há alguns anos. Isso trará impactos grandes”, comenta. 

Para que cada país possa sediar a competição, a Federação Internacional de Futebol (Fifa), elaborou uma série de normas na publicação intitulada Football stadiums technical recommendations and requirements (o mesmo que recomendações técnicas e requisitos para estádios de futebol). Essas recomendações, porém, são apenas parte das exigências, a organização também tem um lista de pedidos em relação a outros setores que envolvem segurança pública, infraestrutura das cidades-sedes, mobilidade urbana entre outras. Só para a rede hoteleira, por exemplo, são exigidos 32.000 quartos por cidade-sede e arredores. 

Segundo Enrico Fermi, houve muito investimento nessa área, mas as aquisições desse setor não foram realizadas apenas para um grande evento. “Até por que os equipamentos que foram feitos não foram pensados para um evento de apenas 40 dias. Os investimentos de hotéis são construídos para uma previsão de 30 anos, visando atrair um crescimento no mercado interno. O setor hoteleiro cresce 10% ao ano”, completa. Até agora, já foram registrados 240 mil diárias para os dias de jogos da Copa e da véspera, de acordo com levantamento do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB). Para que os dados continuem apresentando resultados satisfatórios, o presidente da ABIH afirma que a estratégia é continuar estimulando o setor, mobilizando os turistas, oferecendo preços acessíveis e motivando, principalmente, o mercado interno.
 

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