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Brasil

11/08/2016


Revista NORDESTE: A exuberância econômica de Dubai

Exclusivo NORDESTE

Depois de fazer uma série de reportagens sobre a economia da Índia, o professor Marcos Formiga compartilha seus relatos dos Emirados Árabes. Em sua segunda matéria dos árabes, o professor destaca a rica cidade de Dubai, que em um pedaço de deserto fez crescer uma forte economia. Confira a matéria da 116ª edição da Revista NORDESTE. 

Dubai

Ciclos econômicos curtos constroem cidade-estado para o século XXI? Artigo aborda plano de crescimento de país que ousa construir ilhas no mar e prédios e shoppings considerados os maiores do mundo

Por MARCOS FORMIGA

Do passado remoto, à exuberância econômica e apelo consumista nas últimas décadas

Na edição anterior (junho/2016) da REVISTA NORDESTE, traçamos um breve perfil socioeconômico dos 7 Emirados que compõem a federação dos Emirados Árabes Unidos – EAU. Na ocasião, referimos Dubai como um hub global de negócios e comércio com 2,50 milhões de habitantes, apenas 5% do território da federação, todavia, em incessante e desafiadora busca pela necessária diversificação econômica. A partir de 1990 Dubai tornou-se um case de sucesso internacional e a estrela mais brilhante dos EAU. Entretanto, por trás da modernidade luminosa surgida há 25 anos, encontra-se uma tradição histórica, desde o Século XVI, como entreposto comercial.

Este passado rico e pouco conhecido foi revelado em construções dos Séculos V e VI, d.C., período do advento do islamismo, que atestam ao sítio funções de entreposto para as rotas mercantis de caravanas, à época, rumo a Omã (atual Iraque), considerado o centro do mundo islâmico.

O comércio de pérolas expõe Dubai ao mundo. A partir de 1580, o geógrafo e relojoeiro veneziano Gasparo Baldi começa a viajar pela região. Em 1590, publica o livro “Viagem às Índias Orientais” e elabora um mapa com a notação “DIBEI”, primeira referência conhecida, escrita, ao local. Aí começa a influência europeia protagonizada no interesse português nas rotas comerciais da região.

O sítio possui localização privilegiada no litoral do Golfo Pérsico, em particular, pela rara presença do pequeno rio “Creek” de modestos 10 quilômetros, algo semelhante a um riacho na escala fluvial brasileira. Mas, com uma característica favorável: canal natural com largura e calado suficientes para acesso ao mar de barcos pesqueiros e navios comerciais. Mais tarde, obras de drenagem e engenharia hidráulica, o expandem e aprofundam para facilitar a vocação de porto misto fluvial-marítimo e inspiram a construção, nos anos 70, do século passado, do gigantesco Port Rachid, anexado, em 1991, ao complexo portuário de Jebel Ali.

A abundância de recursos financeiros oriundos de recursos petrolíferos e gás natural permitiu a construção, em ritmo frenético, de uma portentosa e complexa infraestrutura. Os setores-chave foram prodigamente atendidos: energia elétrica, dessalinização, distribuição de água e saneamento básico, coleta e destinação de resíduos urbanos, malha rodoviária, porto, aeroporto, metrô, distribuídos sob planejamento com predomínio verticalizado, paralelo ao litoral. A malha urbana estende-se, em sua maior dimensão, no sentido Norte-Sul (desde o aeroporto, Creek, Deira, Bastakia e Bur Dubai) até o extremo Sul, ao longo do porto até a fronteira com Abu Dhabi. Neste miolo se distribuem os setores modernos de megaconstruções: hotéis, shoppings e torres-edifícios, bairros residenciais e extensas áreas de lazer, litorâneas e interioranas; estas, no sentido Leste-Oeste, menores, ou mais estreitas que o eixo Norte-Sul delimitado pela ligação férrea e a linha do metrô (ligando o porto ao aeroporto – extremos dos limites urbanos:) paralela à Sheikh Zaed Road, espinha dorsal rodoviária.

O plano urbano funcional de fácil orientação ao visitante, não encontra paralelo no planejamento das grandes edificações e conglomerados de megaconstruções que tornam Dubai um laboratório livre e diversificado de experimentação arquitetônica: do luxuoso bom gosto, à esnobação, e o “Kitsch” (cafona); do futurista às construções modestas, até certo ponto provisórias, esperando eventual especulação imobiliária para fazer tudo a partir do zero. Essa exótica e exógena combinação sugere ao visitante atento, que Dubai, como um lúdico “parque de diversões” de arquitetos, urbanistas e corporações imobiliárias internacionais e locais, paga um alto preço para alterar seu patrimônio histórico e o meio ambiente.

A cidade possui imenso rinque artificial de patinação no gelo com custo ambiental real desfavorável. Seu belíssimo e pacato mar azul turquesa assiste à contínua construção de ilhas artificiais (as maiores já construídas pelo homem!), loteamentos exóticos sob a forma de palmeiras, de mapa-múndi, até de um projeto, ainda não realizado, de hotel submerso: “hydropolis”. Tais intervenções de alto custo afetam adversamente as emissões de carbono, e a biodiversidade em áreas consideráveis do ambiente marinho.

Transparece ao viajante crítico a percepção que o lucro se sobrepõe à sustentabilidade. O ambiente desértico é subjugado por soluções tecnológicas caras e dissociadas das árduas condições impostas pela Natureza. Ao Invés de buscar harmonizar o artificial ao natural, optou-se por paradigmas tradicionais de baixa sustentabilidade: mais fáceis, rápidos e caros (financeiros e ambientais).

Após 25 anos de disparado crescimento imitando equívocos da farra imobiliária em escala pouco humana das megalópoles ocidentais, Dubai dá sinais que começa a repensar seu futuro rumo à sustentabilidade. Refiro-me à prática da “cultura verde” e “ecologicamente responsável” exemplificada na “Green London”, “Green Seoul” e “Green Stockholm”.

Por ocupar uma região ecologicamente frágil e de peculiar biodiversidade e pelas razões acima, o atual estado da arte científica, tecnológica e de inovação em sustentabilidade urbana recomenda a Dubai não continuar a protagonizar as extravagâncias existentes. Só recentemente, a cidade passou a valorizar adequadamente o que dispõe em abundância: sol, vento e luminosidade.

Como turista visitante, pela primeira vez na cidade, confesso que deixei Dubai mais preocupado do que satisfeito com sua exuberância de “novo rico” epitomizada no slogan pouco edificante: “fora o velho, viva o novo!” Até quando? 

Ciclos econômicos curtos de Dubai

A Região de Dubai atravessa velozmente ciclos econômicos a partir da exploração econômica do petróleo (1960-1976), como o Brasil ao longo de 5 Séculos de civilização euro-afro-brasileira caracterizados pela atividade econômica predominante: extrativismo, mineração, pecuária, cafeicultura, borracha e industrialização. Dubai e os Emirados passam pela pesca e comercialização da pérola natural até a década de 1930 – quando da invenção da pérola artificial pelos japoneses e a estratégica posição de entreposto comercial de tradição milenar recomeça a sustentar sua limitada economia. A natureza desértica abriga no subsolo riquíssimas reservas de petróleo e gás. A descoberta inicial do petróleo na região do Creek (em terra) será ampliada, em 1966, com a descoberta em alto mar. Este será o ponto de mutação para Dubai, repetindo o que ocorreu em Abu Dhabi, e marcará, em definitivo, a participação dos países do Golfo Pérsico no processo crescente de demanda por energia fóssil pelos países industrializados.

A descoberta pioneira de petróleo do Iran, em 1908, gradativamente, incorporará novas fontes de produção: Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Bahrein (1930). Em 1958, começa a exploração em Abu Dhabi, propelida pela crescente demanda global com auge na década de 1970, seguida por Dubai. Paralelamente, os Emirados então conhecidos por Estados Truciais, ou Costa Trucial, se aproximam liderados pelo Xeque Zayed de Abu Dhabi, enquanto o Xeque Rachid preparava a infraestrutura de Dubai para a exploração de petróleo.

Ao tempo em que se organizava uma nova ordem econômica para os Estados Truciais, os Emirados se beneficiaram de sucessivos “booms” do petróleo, reforçados pela defesa da OPEP aos países produtores do Oriente Médio. As crises energéticas mundiais da década de 1970, elevaram vertiginosamente os preços. Novos produtores representados pela União dos Emirados Árabes – UEA são triplamente premiados: participação ativa no mercado com altos preços de venda, baixo custo de produção, e demanda crescente. Tal qual o movimento mágico da Lâmpada de Aladim, o conjunto de países enriquece, suas populações conseguem um vertiginoso salto quântico em renda Per-Capita e se emancipam, facilitados pela baixa densidade populacional da maioria dos países da região. Na trilha do petróleo e gás surge uma nova geopolítica e corrida armamentista vítima do desvario da “Guerra Fria” e da “Guerra Quente”, ou real, como os conflitos Egito x Israel (1967), Iran x Iraque (1980/90), Invasão do Kuwait pelo Iraque (Guerra do Golfo, em 1991), dissolução da União Soviética (1991), conflitos internos no Líbano, Síria, etc.

Ao lado da guerra econômica e ideológica Ocidente-Oriente pelo domínio das reservas de petróleo, as guerras no Oriente-Médio ocorrem, predominantemente, pela disputa de liderança política e áreas de influência.

A partir de 1990 o ciclo do petróleo nos Emirados começa a dar sinais de alerta de inflexão rumo à novo paradigma pós petróleo. A partir de 2000, Dubai começa a tornar público uma nova estratégia para reduzir e evitar a dependência excessiva dos hidrocarbonetos. Sua ancestral experiência comercial fornece um elemento vital para manutenção da prosperidade no ciclo pós-petróleo: a tradicional facilidade fiscal de quase inexistência de impostos deve continuar a atrair novos, maiores, investidores.
Dubai como modelo econômico se revigora, pela obsessão de construir um ambiente amigável e cada vez mais atraente aos negócios internacionais. Ao lado desta flexível legislação de impostos “quase zero”, afirma seu líder Xeque Mohammed Al Maktoum, exemplo de dirigente empreendedor “Shumpeteriano” – lógica traduzida pela necessidade da destruição, renovação criativa para inovar, produzir o novo –“Dubai não precisa de investidores, os investidores é que precisam de Dubai”.

Com este mantra, e a partir do declínio da indústria do petróleo, surge uma nova era: o ciclo econômico, agora, se volta aos serviços com forte valor agregado: turismo, finanças e negócios. Duas atividades caracterizam esta reinvenção de Dubai para o turismo: a construção de luxuosos e confortáveis hotéis iconizados pelo famoso Burj Al Arab, em forma de vela de barco. O edifício construído em uma ilha artificial possui altura superior à Torre Eifel em Paris, sendo pouco mais baixo que o “Empire State building” de Nova Iorque, segundo o Guia “Estadão-Time-out”.

A outra atividade mira os gigantescos templos do consumo, os shoppings centers: o “Dubai Mall”, com 500 mil metros quadrados de área. Em 2020, será superado pelo “Mall of the World” (Shopping do Mundo), com mais de 700 mil metros quadrados, anunciado como “uma cidade dentro da cidade”.


 

Laboratório econômico e Investimento em turismo

Dubai dispõe de um moderníssimo aeroporto internacional que, em 2015, atingiu 78,0 milhões de passageiros – o mais movimentado do mundo, e companhia aérea própria: a “Emirates”. Esta conjunção de luxuosos complexos hoteleiros e mega-shoppings, fazem-na a “meca do consumo”.
Diz-se que a cada 500 metros se encontra uma mesquita em Dubai, todas em fiel arquitetura árabe, de beleza reconhecida e indiscutível bom gosto. É uma pena que, a concentração de genuínas mesquitas transcendentais para a prática do islamismo, enfrentem a concorrência profana dos templos mercantilistas do consumo desvairado, território livre de exibicionistas “novos ricos” de lá, e alhures.
Consolidado como polo turístico internacional com acesso anual, em 2015, de 13,6 milhões de turistas estrangeiros, Dubai funciona como “benchmarketing” ou boa prática de negócios para o surgimento de um novo ciclo econômico. Isso aconteceu na virada do milênio com uma nova e bem-sucedida incursão no mundo da indústria imobiliária.
O “parque de diversão” ou de experimentação arquitetônica afasta-se da rica tradição da arquitetura histórica da região (ressalva-se a preservação da arquitetura em Omã). A indústria imobiliária de Dubai divorcia-se da preocupação com a sustentabilidade ambiental e se caracteriza pelo pulsante e lucrativo mercado imobiliário que atrai grandes corporações internacionais e arquitetos consagrados, e outros em busca de afirmação no laboratório aberto ao design luxuoso e inovador.

Mais uma vez, o modelo de economia liberal impulsiona soluções alternativas para atrair novos investidores em território de fortes relações de propriedade historicamente caracterizado pela herança feudal. Dubai revoluciona este conceito e muda as regras da posse da terra ao admitir a compra e o direito de propriedade aos estrangeiros. Se as zonas livres foram capazes de atrair investidores para uma nova forma de industrialização automatizada com plantas pequenas e baixo nível de poluição, a nova legislação de uso do solo e construção de imóveis de influência inglesa denominada “freehold”, ou direito pleno de propriedade, tem abastecido e reanimado o mercado imobiliário. Mesmo atingido de forma menor e gradativa, a crise econômica mundial, iniciada em 2008, também chegou a Dubai. Nota-se, a partir de então, um mercado imobiliário mais cauteloso, todavia, não inibe o governo a estimular o sistema financeiro para irrigar a atividade, e buscar novas e sucessivas maneiras de atrair investidores para reduzir os caros alugueis aos residentes. Paralelamente, o governo capitaliza a vaidade de turistas e investidores ávidos em demonstrar a propriedade, o uso e o “leasing” de imóveis particulares em um dos mais competitivos mercados imobiliários mundiais. Uma espécie de um olho na busca do lucro fácil e rápido e o outro preocupado com a “badalada” afirmação de posse de uma casa, apartamento, na “meca do consumo”. Lá o exibicionismo da propriedade é fator de ostentação do poder econômico.

A evidência deste ciclo se revela pelos exóticos projetos concluídos, ou em curso, agora, em ritmo menos acelerado. As “Palm Islands” ou loteamentos construídos artificialmente em aterros marítimos provocam uma corrida por lotes com vista para o mar em ambos os lados do terreno. O mapa “mundi”, formado por 300 ilhas é outro loteamento refreado pela crise econômica. Seu apelo é despertar o apetite consumista do “grand-mond” internacional de morar em uma das “ilhas” com acesso exclusivo por barco ou helicóptero, já que não dispõe de nenhuma ligação terrestre com o continente.

Aquele com capacidade aquisitiva pode se dar ao luxo de morar na ilha “Brasil”, em uma ilha do “Caribe”, ou da “Polinésia”. Endereço “chic”, sem a poluição da Quinta Avenida de Nova Iorque, ou o barulho ensurdecedor do trânsito das avenidas que formam a “Etoile” Parisiense. Estas ilhas artificiais ocupando preciosas zonas costeiras encravadas no mar do Golfo Persico compõem um complexo que pelo seu gigantismo pode ser vista do espaço: talvez, inspirado pela visão cósmica da “Grande Muralha da China”.

Outra prova do exibicionismo arquitetônico de Dubai e da poderosa indústria de construção civil é a fixação por torres, gigantescas estruturas que cortam o céu denominadas “Burj” no idioma árabe. Para eles o céu não tem limite: Lá está a mais alta edificação do mundo a “Burj Khalifa” com imponentes 828 metros abrigando um diversificado conjunto de hotéis, bancos, escritórios, residências, lojas, cinemas, teatros, etc.

As belas, antigas e ecológicas Torres de Vento, ícones da arquitetura histórica dos povos do deserto, tal qual suas mesquitas, convivem, cada vez mais, com o artificialismo dos “Malls” e “Burjs”. Estes, configuram amontoados bem desenhados de concreto, aço, metais brilhosos e vidros espelhados, cujo arranjo induz ao visitante saciar a sede de consumo e alimentar a fome pantagruélica do sonho proporcionado pelo poder econômico dos entesourados.

Esse sistema produz mercados volúveis e voláteis com preferência pela liquidez dos ativos. Ao longo de 50 anos, Dubai e arredores registram ciclos curtos com duração média pouco superiores a uma dezena de anos, numa sucessão de momentos favoráveis: petróleo e gás, prestação de serviços qualificados de turismo e finanças, e mais recentemente, pela explosão imobiliária. Não significa, entretanto, que os ciclos são completamente substituídos; eles se perenizam na diversificação, onde um novo predomina sobre os demais.

Uma palavra adicional sobre o artífice deste “milagre econômico”. Em épocas de escassas lideranças políticas internacionais, caso brasileiro, Dubai se destaca pela liderança de amplo espectro que resume ousadia nos negócios, domínio pleno do cenário mutante aberto à inovação, e sintonia com os avanços científicos, tecnológicos e negociais. Trata-se do Xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum de Dubai, preparado ao longo da vida para liderar, ainda sob influência britânica nos Estados Truciais, estudou na Inglaterra e fez treinamento militar como piloto de caça. Exímio jóquei e profundo conhecedor da criação de cavalos árabes, comanda as equipes de Dubai em certames internacionais de equitação. Combina a disciplina militar com a praticidade e destreza para tomar decisões. Nas horas vagas dedica-se a poesia, nada mal para um estrategista, ser, também, poeta.

Sua forte liderança herdada do avô e do pai, transmite confiança aos patrícios e súditos. Enfrentar com segurança, mudanças e incertezas. Em vez de render-se ao imponderável prefere desenhar o futuro do seu país. É dele a frase: “Tivemos sucesso porque sempre consideramos o amanhã como um novo dia, o que foi construído no passado já está garantido. E esta História não é sobre o que realizamos no passado, mas o que podemos realizar no futuro”. 

Parte do Plano Estratégico 2015 que estabelece prioridades estratégicas em 5 áreas:

• Desenvolvimento Econômico: (Crescimento do PIB, estabilidade econômica e competitividade);

• Desenvolvimento Social: (Identidade nacional e coesão social, disponibilidade de educação e saúde de qualidade, serviços públicos eficientes e vida cultural);

• Infraestrutura, Uso da Terra e Meio-ambiente: (Planejamento urbano, energia e água, transportes, gestão de resíduos);

• Segurança e Justiça: (Proteção de direitos civis e de liberdade, gestão de crises e desastres, igualdade e expedição do sistema judicial, sistema de saúde pública e segurança);

• Excelência em Gestão Governamental: (Aprimoramento das estruturas organizacionais: “Accountability” ou responsabilização, eficiência no atendimento ao cliente, “empowerment” ou empoderamento dos servidores públicos).

Para onde Dubai quer ir? Qual futuro do seu Planejamento?

O crescimento de Dubai nas duas últimas décadas transformou uma pequena e histórica cidade-pérola em uma importante cidade mundial ímpar: espécie de metrópole-ponte ligando o Leste ao Oeste.

A cidade planeja, com esmero tático, seu plano estratégico. À medida que a realidade torna-se mais complexa, busca, no exterior, e internamente, talentos para construção coletiva de sucessivos planos estratégicos com crescente visão de longo prazo. Desde 2007 busca ideias portadoras de futuro.
O Plano Estratégico Dubai 2016-2021, semelhante a “Visão Econômica 2030 de Abu Dhabi,” é um documento robusto e atualizado para traçar um “roadmap” baseado na economia do Conhecimento, Inovação e Empreendedorismo, valorizando as tradições históricas. 

Aposta: inteligência humana e artificial combinadas

Os mandatários de Dubai perceberam, com clareza, que os ciclos vivenciados, ou em processo, estão atrelados à velha economia referida nas páginas anteriores. Passada a fase de prover uma portentosa infraestrutura, e seguros do fim da economia do petróleo e gás, e arrefecimento do modismo turístico e da construção e incorporação de facilidades imobiliárias, parecem confirmar: “tudo que é sólido desmancha-se no ar”.

Voltam-se mais para a sustentabilidade, e o insubstituível poder da inteligência, preparação e uso de mentes brilhantes. Estão alertas para a convergência tecnológica da biotecnologia, nanotecnologia, informática, comunicações e ciências cognitivas (NBIC).

Dubai, em seus documentos e diretrizes governamentais reconhecem as potenciais limitações, entretanto, demonstram que a nação sabe o que quer e está preparada ou preparando-se competentemente para o futuro. O futuro será da inteligência humana combinada à inteligência artificial. Pretendem antecipar-se à Singularidade Tecnológica, mutação na história tecnológica, política e econômica das sociedades prevista para a quarta década deste Século, quando a inteligência artificial, a robotização, a internet das coisas e a automação avançadas superarão a capacidade da inteligência biológica.

Neste “avant-premier” de uma Economia do Conhecimento, Dubai terá a chance de se redimir pelo descuido com o meio-ambiente, e, em um novo patamar de relações humanas, antever a necessidade de corrigir a atenção aos trabalhadores migrantes (84% da população), desempenhando funções de menor qualificação.
A Economia do Conhecimento, Inovação e Empreendedorismo que começa a substituir a velha economia da riqueza material (física ou de capital financeiro), pode ser ilustrada pelo “Masdar Institute of Science and Technology”, universidade orientada à pesquisa focada em energia alternativa e sustentável. Localizada em Masdar City terá desperdício zero e zero emissão de carbono. Finalmente, o aproveitamento sustentável, da água do mar, seu sol permanente e os fortes ventos que sopram do oceano e do deserto será combinado à inteligência humana consciente, que não tolera poluição, nem desperdício para gerar uma economia limpa e renovável guiada pelo, e, para, o Conhecimento e Bem Estar. Oxalá, o Conhecimento substitua o consumo e transforme a Cidade-Estado em cidade inteligente.

Sediando a Expo 2020, de outubro de 2020 a abril de 2021, com o tema “Conectando Mentes, Criando o Futuro”, Dubai mostrará ao mundo seu novo paradigma referencial de Cidade-Estado, capaz de inspirar a humanidade do Século XXI rumo a uma nova civilização.
 

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