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Alagoas

12/01/2017


Revista NORDESTE: Alagoas, novas perspectivas da indústria ao turismo

Estado perde espaço no cultivo da cana- de-açúcar, mas começa a diversificar produção agrícola e industrial abrindo portas para turismo pelo litoral e interior

Por PAULO DANTAS

O estado de Alagoas parece viver uma bifurcação. O processo de desenvolvimento do estado começou a partir da cultura cana-de-açúcar. O setor sucroalcooleiro ainda é muito importante. O estado é o 6º maior produtor de açúcar do Brasil e o 4º maior exportador. Contudo, hoje o Estado não depende economicamente da cultura da cana, está em processo de mudança econômica. Ainda tem na produção de biocombustíveis, principalmente o etanol, sua principal fonte de econômica, no entanto o setor vem caindo vertiginosamente. Já chegou a representar 15,4% da geração de empregos do estado, em 2007. Em 2012, estava em 4% do total. A reboque da cana-de-açúcar é possível ainda ver a força das indústrias de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos, e crescente influência da indústria química de material plástico. Nos últimos anos a indústria tem buscado novos nichos, como a fabricação de móveis, a partir da plantação de eucaliptos. O estado também quer diversificar sua agricultura, com grãos e plantação de raízes. Tem investido em turismo e em infraestrutura, mas parece que ainda não encontrou sua nova vocação.

A Superintendência de Produção da Informação e do Conhecimento (SINC) informou à Revista NORDESTE que o Produto Interno Bruto – PIB do estado de Alagoas nos últimos anos, de 2010 a 2013 (último dado disponibilizado pelo IBGE) saltou cerca de 10 bilhões. Saiu de R$ 27,135 para R$ 37,223 bilhões. O sétimo maior PIB da região, a frente apenas de Sergipe e Piauí.

A participação da Indústria no PIB do estado variou de 2010 a 2013 em 19,93%. Em linhas gerais, ainda são as indústrias tradicionais ligadas ao segmento Sucroenergético que apresentam maior representatividade no Estado. Apesar disso, houve crescimento na indústria de transformação, tendo como destaques: os segmentos Têxtil e de Produtos Químicos, extração de minerais não metálicos.

O setor de Serviços tem a maior fatia da economia do estado. Em 2013 despontava com 71,97%. O setor terciário cresceu em 2,03%, motivado pelos comportamentos da Administração Pública e Comércio. No Turismo, Alagoas mantém a taxa de ocupação hoteleira acima da média nacional e, inclusive, maior do que nos últimos anos, reflexo de um trabalho intenso que tem sido feito pelo Governo do Estado em relação ao marketing turístico, com a promoção do destino nos principais mercados emissores.
A proporção da Agropecuária na economia alagoana oscila em torno de 10,5% (11,96% em 2010 e 10,42 em 2013). 

A cana-de-açúcar ainda alinha-se como a principal cultura agrícola do Estado. Em 2011 o crescimento da economia aconteceu em virtude dos resultados apresentados no setor. A força da cana-de-açúcar seguiu nos anos subsequentes agregando também a ampliação da lavoura de grãos e da lavoura temporária. Apesar disso, é inegável que a seca tem deprimido a agropecuária alagoana como um todo, devido aos seus efeitos na produção agrícola e na criação de animais, os quais são percebidos pelo crescimento nos custos, tanto para se plantar, quanto para manejo dos rebanhos.  

Indústria: a cadeia produtiva da Química ao Plástico

Alagoas conta com dois polos industriais principais: o Polo Multifabril José Aprígio Vilela, em Marechal Deodoro, e o Polo Multissetorial Governador Luiz Cavalcante, em Maceió. Juntos, os dois distritos industriais somam mais de 140 indústrias, de grande, pequeno e médio porte. O Estado oferece incentivos fiscais e locacionais que reduz em 92% o pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na saída dos produtos industrializados, também venda de terrenos a preços subsidiados e condições especiais de pagamento, além da menor tarifa média industrial de gás natural do Nordeste e a energia elétrica mais barata do país.

Atualmente, Alagoas tem a cadeia produtiva da Química e do Plástico consolidada, e a da Cerâmica e a Moveleira em franca ascensão, além de 18 novas empresas em instalação em virtude dos benefícios oferecidos, o que representa um investimento de mais de R$ 1 bilhão de reais e cerca de 2400 novos postos de empregos diretos. Isso sem mencionar as grandes conquistas na política energética do Estado, que utiliza 77% da energia de fontes renováveis, e dos avanços regionais com os Arranjos Produtivos Locais, que atendem mais de 10 mil pessoas em 82 municípios. 

Com o desenvolvimento do setor Químico-plástico, com mais de 70 indústrias transformadoras, e tendo a Braskem como indústria âncora, Alagoas ocupa a primeira posição em produção de PVC na América Latina e está preparada para dar suporte às indústrias de 2ª e 3ª geração, com disposição de matéria-prima, petroquímicos e produtos intermediários e finais.

A Cadeia Produtiva da Cerâmica também segue em ascensão, com a chegada da Pointer (Portobello) em Alagoas, e a confirmação de novos negócios para o segmento, como a Esmalglass, multinacional espanhola de esmaltes para cerâmica. Alagoas dispõe ainda de matéria prima, como argila e gás, em abundância e com amplas possibilidades de aumentar as reservas conhecidas. 

A crescente demanda por móveis no Nordeste, aliada a uma perspectiva de produtividade anual de eucalipto superior à média brasileira, tem fortalecido também o seguimento moveleiro. A multinacional Duratex confirma a tendência de crescimento deste setor, com a instalação de uma indústria para fabricação de MDF e MDP. Para os três setores, considerados prioritários, o Estado concede diferimento de ICMS na aquisição interna de energia elétrica e gás natural para uso no processo industrial. 

Praias, Quilombos e São Francisco

Alagoas foi mapeada e dividida em seis regiões com potencial turístico: Lagoas e Mares do Sul, Costa dos Corais (litoral norte), Região dos Quilombos, Caminhos do São Francisco, Agreste e Maceió.

Maceió é conhecida como "Cidade-Sorriso" e "Paraíso das Águas", também considerada como o "Caribe Brasileiro", devido às suas belezas naturais, que atraem turistas de todo o mundo. É conhecida como o Paraíso das Águas e abriga praias e piscinas naturais de águas cristalinas e mornas. Além de praia e sol, a cidade oferece aos seus apreciadores as lagoas, o artesanato do Pontal da Barra, museus, engenhos, folguedos, teatros e igrejas. Surf, stand up paddle, windsurf e uma gastronomia que deve ser conhecida.

Pontal da Barra é um bairro de Maceió com ondas boas para o surfe, próxima à Lagoa Mundaú. É um núcleo tradicional de rendeiras e que vem sendo conhecido pelos turistas. Propícia para a prática de pesca. Tem excelente culinária cuja base está na variedades de peixes e moluscos. Para o Pontal partem os barcos para o passeio das 9 ilhas espalhadas pela extensão da lagoa Mundaú. Durante o passeio é possível conhecer as vilas de pescadores e rendeiras, a vegetação de manguezais, restingas e até algumas praias isoladas onde a lagoa encontra o mar. Na lagoa Mundaú é possível conhecer também a comercialização do Bordado Filé, artesanato genuinamente alagoano, e a “Rua das Rendeiras”.

O estado ainda tem a região Costa dos Corais, no Litoral Norte de Alagoas. Quando a maré está baixa é possível ver de perto um dos mais belos conjuntos de corais do mundo. A Área de Preservação Ambiental (APA) Costa dos Corais é considerada a maior unidade de conservação marinha federal do Brasil, com cerca de 120 km de praia e mangue. A região parece intocada pelo homem, proporcionando um cenário de cinema, com cores intensas e rica biodiversidade. A região carrega esse nome por possuir a segunda maior barreira de corais do mundo. As belas praias de águas mornas e piscinas naturais, além de resorts e pousadas. Tranquilidade e requinte encontram o destino perfeito na Rota Ecológica, composta pelos municípios de São Miguel dos Milagres, Porto de Pedras e Japaratinga. São aproximadamente 55 km cercados de vastos coqueirais e um imenso mar azul.

No litoral sul, é possível encontrar as praias do Francês, Barra de São Miguel, Gunga, Jequiá da Praia, Coruripe e Feliz Deserto. As praias são conhecidas pelas belezas de suas águas. Na alta temporada, lugares de festa e agitação. A região oferece ainda um pólo gastronômico às margens da lagoa, que aguça o paladar com diversos pratos a base de frutos do mar, tendo como destaque o sururu, marisco típico de Alagoas.

Trilhas, São Francisco e a Rota do Cangaço

O estado possibilita ao turista ainda uma experiência única com o Rio São Francisco: a visita aos seus cânions e o turismo ecológico. Quem passeia de barco pelas águas do São Francisco pode desfrutar de um caminho de contemplação. A bucólica Piaçabuçu, o município situa-se entre o oceano Atlântico e Rio São Francisco, e presenteia ao turista um conjunto de belas praias urbanas. É conhecida como a "Capital Alagoana das Palmeiras". O auge desse trajeto é o encontro do rio com o mar, emoldurado por coqueiros , dunas de areias claríssimas e várias lagoas de águas mornas. Durante o passeio pelo São Francisco é possível ver ainda os paredões de arenitos, grutas, cavernas e até pinturas rupestres, onde a aridez da terra contrasta com o leito do rio formando um belo cenário. O mergulho entre as formações rochosas em um dos melhores locais do Brasil para o banho de água doce é uma ótima pedida. No turismo ecológico uma ótima pedida é visitar as cidades ribeirinhas de Traipu, Delmiro Gouveia (Mirante do Talhado), Piranhas (Grota de Angicos) e Olho D’Água do Casado. Na região é possível praticar esportes radicais, como tirolesa e rapel, contemplando os ecossistemas e conhecendo a caatinga. 

Ainda há a Rota do Cangaço. foi na Grota de Angicos, em Piranhas, que Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros morreram numa emboscada, em 1938. A Rota do Cangaço permite ao visitante percorrer o caminho por onde o bando de Virgulino foi caçado, acompanhado de guias vestidos de cangaceiros que contam causos do Cangaço e histórias de Lampião, tudo isso ao som do típico forró nordestino.

Resistência negra e reservas ecológicas

A região Quilombola de Alagoas, na Zona da Mata, atrai, todos os anos, os visitantes interessados em conhecer o berço da resistência negra e o passado de luta e tradição do povo alagoano. No passeio à Serra da Barriga, em União dos Palmares, a identidade do povo quilombola permanece viva. No dia 20 de novembro, quando se comemora a Consciência Negra, o lugar recebe uma programação especial, com subida à Serra, tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Destinadas aos amantes da ecologia, as reservas oferecem aos visitantes um ambiente tranquilo, proporcionando um verdadeiro encontro com a natureza. Nessa região está a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), localizada na zona rural, próximo à área urbana do município de São José da Laje. No período colonial, a cidade assistiu à passagem de tropas que defendiam o Quilombo dos Palmares. O povoamento da chamada Cerca dos Macacos ou República dos Palmares, foi preponderante para a exploração da área geográfica da atual São José da Laje. Negros quilombolas, soldados e capitães do mato que perseguiam os escravos fugidos das regiões de engenho para a cidadela negra, foram os primeiros a fazer o reconhecimento da região, e alguns deles até a radicar-se lá. No espaço, é possível encontrar corredores de bambuzais, nascentes de água potável, lagos e espaços de preservação de aves em extinção. Outro ponto turístico importante é a cidade de Murici. No município está localizada a maior área contínua de Mata Atlântica do Nordeste (com cavernas, cachoeiras, flora e fauna variadas), protegida por lei federal, denominada Estação Ecológica de Murici. Ainda, na serra do Ouro está localizada a Estação Experimental de pesquisa da cana-de-açúcar.

Agropecuária: Cana-de-Açúcar como principal produto

Os cinco anos de seca tem gerado uma grande perda na agricultura de Alagoas. “É só observar nos dados oficiais do IBGE, no que diz respeito a cultura principal do estado, a cana-de-açúcar. Além da seca estamos tendo um problema que é a falta de liquidez na maioria das usinas. Isso está fazendo com que caia vertiginosamente a produção e a produtividade. De 2012 para cá saímos de 28 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para 16 milhões, em números redondos. Pelo menos, durante esse período, quatro usinas foram desativadas”, alerta Hibernon Cavalcante Albuquerque, técnico da secretaria da Agricultura de Alagoas. Albuquerque coordena a implantação de novas culturas agrícolas em Alagoas e torce para uma diversificação maior na produção do estado. 

A preocupação recai também pela diminuição da área plantada de cana que caiu de 450 mil hectares para 350 mil hectares em seis anos, segundo dados tanto da Conabe e do IBGE. Ou seja, 100 mil hectares agora estão abandonados ou semiabandonados. 

O estado já foi o segundo maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, só perdendo para São Paulo. A produção ficava em torno de 32 milhões de toneladas – São Paulo estava muito à frente: 280 milhões de toneladas. O estado perdeu o posto há 15 anos quando as usinas do estado ficaram emparedadas, sem áreas para onde crescer, começaram a migrar para estados do sudeste. Hoje o estado é o sexto no ranking de produção no Brasil e o primeiro no Nordeste, seguido na região por Pernambuco.

Para Albuquerque, daqui para frente o futuro da cana-de-açúcar em Alagoas será a produção em ilhas de excelência. Locais próximos às usinas, com topografia plana e com água para manter uma regularidade na produção. “Você sabe que temos uma vantagem em relação ao sudeste pela proximidade do mercado norte-americano e europeu, no que diz respeito ao deslocamento dos navios. Ganhamos milhares de milhas náuticas em relação aos outros estados. Daí então eu penso que vamos continuar com a cana-de-açúcar como uma cultura principal, mas com ilhas de excelência, alta produtividade, baixo custo e com a presença de água principalmente para que não se tenha oscilação de safra”, entende.

Gado e leite, vocação do sertão e agreste

O tamanho do rebanho alagoano chegou a 1,8 milhão de cabeças em 2013. O principal rebanho é de bovinos, seguido por ovinos, suínos e caprinos. Na região do Sertão, para além de Arapiraca, o estado apresenta uma das melhores produtividades de leite do Brasil, perdendo apenas para Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Brasília. “Temos um rebanho leiteiro que foi formado a partir de matrizes tecnológicas desde o final dos anos 60. Tivemos no estado uma das primeiras centrais de inseminação do nordeste, daí então a genética que foi inseminada no nosso rebanho repercute hoje”, revela Hibernon. No entanto, a produção ainda é muito pequena, por volta de 350 milhões de litros leite ano. Além disso, o estado possui o primeiro programa de acesso a embrião pelo agricultor familiar. O programa começou em 2014. E já deu acesso à tecnologia a 700 pequenos produtores. A pecuária de leite tem se mostrado a exploração mais sustentável do sertão, junto a uma pequena produção de ovinos. 
 

Plantação de eucalipto, soja e milho já são opções

Nos últimos anos, novas culturas foram inseridas no estado, como eucalipto e grãos, Entre eles soja e milho. Hoje o estado tem em torno de 12 mil hectares plantados de eucaliptos. Segundo Hibernon Albuquerque, o rendimento do hectare tem sido maior que em Minas Gerais, estado referência do plantio de eucaliptos. O investimento é rentável. O eucalipto, além de servir para extração de madeira utilizada na confecção de móveis, também é usado como biomassa no auxílio da cogeração de energia nas usinas – caldeiras e turbo-geradores. Atualmente no Brasil, com a seca que já dura cinco anos, formas complementares de geração de energia são bem-vindas. O país adota a bandeira amarela desde novembro (cobrança de R$ 1,50 para cada 100 kWh de energia consumidos). 

Alagoas tem total dependência de soja e milho. O estado praticamente não produz soja e produz menos de 20% do milho que consome. Com o intuito de melhorar esses índices, o Governo do Estado instituiu desde 2015 uma comissão de grãos para implantação do produto em Alagoas, coordenada por Hibernon Albuquerque. Contudo, os resultados ainda não são estimulantes, em muito devido à seca. A precipitação pluviométrica tanto no nível quantitativo, como na distribuição não tem sido boa. “E esse ano foi pior que no ano passado. Mesmo assim, temos informações muito interessantes. Na soja, duas áreas pontuais: uma na região norte, quase na divisão com Pernambuco, e outra na região de Tabuleiro, tradicionalmente ligada a cana-de-açúcar, a produtividade foi acima da média nacional, chegamos a ter mais de 60 sacas por hectare com duas ou três das melhores variedades de soja que se adaptaram aqui”, conta o técnico. 

Outra possibilidade em aposta pela Secretaria da Agricultura é a fruticultura e a produção de fécula (raízes). Hiberton conta que toda a fruta produzida no nordeste em comparação com outros estados do sul/sudeste tem um brix melhor, consequentemente, um sabor melhor (a escala Brix é utilizada na indústria de alimentos para medir a quantidade aproximada de açúcares em sucos de fruta). Na região do agreste, principalmente ao redor de Arapiraca, que até a década de 80 tinha 40 mil hectares plantados de fumo, e viu a produção cair para 7 a 8 mil hectares, a terra hoje é ocupada com a mandioca, cana-de -açúcar e, em menor escala, condimentos e fruticultura. Boa parte dessa produção vem da agricultura familiar. São por volta de 120 mil pequenos agricultores no estado, a maioria planta grãos, mas também vivem de fruticultura, principalmente de citros. O estado tem o maior plantio de laranja lima do país, praticamente todo vindo da agricultura familiar. Esses produtores também plantam muita banana, mandioca, hortaliças e fumo.

Infraestrutura, Canal do Sertão e rodovias: de olho no futuro

A obra mais significativa do estado é, sem dúvida, o Canal do Sertão. O canal, após concluído, terá 250 km de extensão, e está entre as maiores obras hídricas do país, talvez a segunda maior, após a transposição do Rio São Francisco – obras também de grande porte para receber as águas do São Francisco estão sendo feitas na Paraíba (Canal Acauã/Araçagi) e no Ceará (Cinturão das Águas). 

 O Canal é a maior e mais importante obra de infraestrutura hídrica de Alagoas e deve alcançar mais de um milhão de pessoas, em 42 cidades, do Sertão ao Agreste do Estado. Está orçada em R$ 3 bilhões até o Trecho 5. Ao Canal serão integradas adutoras responsáveis por conduzir água tratada a dezenas de municípios do Sertão e Agreste. A primeira delas é a Adutora do Alto Sertão (R$ 88 milhões), que desde junho deste ano leva água às torneiras de 130 mil pessoas, em oito municípios e 40 povoados. Ao todo, já foram repassados R$1,9 bilhão para a execução das obras do trecho 1 ao trecho 4. O total de repasse previsto para a Secretaria de Infraestrutura de Alagoas através de convênios em 2016 é de quase R$ 178 bilhões. Em 2015, o valor foi de mais de R$ 226 bilhões. No momento, as obras do Trecho 4 contam com 60% dos serviços executados e têm conclusão prevista para maio de 2018, quando ampliará para 123 km o abastecimento de água e 160 mil o número de beneficiados. Além disso, o empreendimento já teve o quinto trecho licitado e contratado, para que as obras tenham início no primeiro semestre de 2017. A intenção é que o canal chegue até Arapiraca, no agreste alagoano, a segunda cidade mais populosa do estado. O Canal poderá transformar a paisagem da região. Mesmo sem solos contíguos propícios para irrigação na extensão do canal, as várias manchas de solos, que contém baixa precipitação e baixa umidade, oferecerá condições propícias para o desenvolvimento da fruticultura e a criação da bolvinocultura de leite.

Principal gargalo

Entre os principais gargalos do Estado está o saneamento básico. Por isso, o Estado lançou o Plano Estadual de Esgotamento Sanitário em 2015, que deve cobrir pelo menos 80% do Estado com infraestrutura de esgotamento sanitário, mediante um investimento de cerca de R$1,5 bilhão, que está sendo alavancado por recursos próprios do Estado e verbas do Governo Federal. As obras de esgotamento sanitário estão sendo feitas inclusive na Capital. A expectativa é de que mais de um milhão de alagoanos sejam beneficiados. Outra obra relevante na cidade é a do novo Sistema de Esgotamento Sanitário da Bacia da Pajuçara, que promete reforçar a coleta de esgoto em Maceió, comprometida pela saturação da atual rede coletora da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal). O Estado também tem investido na dragagem para aumentar o calado do Porto da capital. A ampliação do calado deve atrair empresas exportadoras de grande porte e auxiliar no atraque de navios de cruzeiro maiores, incrementando o setor turístico. Além disso, estão em andamento as obras de duplicação das rodovias federais que cortam Alagoas. Atualmente, o Governo de Alagoas executa 13 grandes obras rodoviárias em todas as regiões do Estado: Sertão, Agreste, Litoral Sul e Norte, e Região Metropolitana. A construção de estradas, restauração e melhoramentos de BRs (como a BR 423, Delmiro Gouveia, a BR 101), ajudam a impulsionar a economia, alavancando o desenvolvimento urbano e possibilitando o incremento da indústria têxtil, o comércio, turismo, as atividades agrícolas, a pecuária. Há a perspectiva da construção da nova ponte sobre o Rio São Francisco, ligando Penedo a Neópolis (SE), esse segmento da rodovia AL-105, ligando Penedo a Pindorama, passará a atender não só ao tráfego regional, como também servirá de importante corredor de transporte entre o sul e o norte do país. O projeto executivo da ponte foi recebido pelo governador Renan Filho das mãos do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, no último dia 17 de novembro. 

Eixos Cepa e Quartel

O estado também viabiliza a implantação dos Eixos Viários Cepa e Quartel que servirão como alternativas ao maior corredor viário da capital, a Avenida Fernandes Lima. Ambos os eixos estão em andamento. No eixo Cepa, já foram iniciados os serviços de terraplanagem na área do Hospital Portugal Ramalho, no bairro do Farol. O eixo também cortará a sede do Ibama e parte do Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa), que dá nome ao binário. Já no Eixo Quartel, na área do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado (59º BIMtz), destinada à construção da nova via, uma passagem de nível está em execução e servirá para a ida dos soldados ao campo de treinamento. Os dois eixos terão o formato de binários – duas vias paralelas, de mão única e sentido contrário – e irão servir como vias de escoamento do trânsito para a otimização do tráfego na área, permitindo com que a população possa escolher qualquer um deles para se conectar com as partes baixa e alta da cidade. O Estado também trabalha na primeira fase de obras da duplicação da Rodovia AL-101 Norte, que liga a capital às principais cidades do litoral norte de Alagoas. A obra está prevista para ser concluída até o fim de 2017.

 

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