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Brasil

11/04/2017


Revista NORDESTE: Deixe o Sol entrar

Piauí e Bahia devem receber as duas maiores usinas de energia solar da América Latina. Apesar de ser país com maior incidência solar, energia ainda é pouco utilizada no Brasil

Por Jhonattan RODRIGUES

Conhecido pelos seus campos de energia eólica, o Piauí dá seus primeiros passos no comércio de energia solar. E são passos largos: está estimado para o segundo semestre de 2017, a conclusão da maior usina de energia fotovoltaica da América Latina, a Nova Olinda. Pertencente à Enel Green Power Brasil Participações, subsidiária da italiana Enel, a usina será construída em Ribeira do Piauí, e terá 292 Megawatts de capacidade instalada, em um investimento de US$ 300 milhões. A capacidade da usina chegará a 600 GWh anuais, o suficiente para atender as necessidades de consumo de energia anual de cerca de 300.000 lares brasileiros, ultrapassando Ituverava, no interior da Bahia, que tem 254 MW de energia instalada, e que gera 500 GWh, e ficará como a segunda maior da América Latina. A previsão de término para as duas, Ituverava e Nova Olinda, é para o segundo semestre deste ano.

O governador Wellington Dias (PT), antes mesmo do leilão, acompanhou os investimentos em energia no Piauí e realizou viagens à Itália e Alemanha para conhecer projetos e conversar com o empresariado local do setor. "Essa iniciativa faz parte do nosso projeto de trabalhar muito e produzir o que o Brasil precisa: energia, alimentos, bons serviços e gerar emprego e renda fazendo a economia crescer. O Piauí está pronto para esta tarefa e estamos trabalhando para ampliar investimentos e gerar emprego e renda para a população", afirmou.

Atualmente o Piauí é o 4ª em produção de energias renováveis e com capacidade de 1.200 megawatts só de energia eólica. Ano passado o Senador Elmano Férrer (PMDB-PI) se pronunciou pedindo mais investimentos na área dessas energias no Piauí, destacando que o Estado é o quinto do país na geração de energia eólica, e que agora irá receber o maior parque fotovoltaico da América Latina. Ele disse, entretanto, que o Piauí tem potencialidade para gerar muito mais energia do que a que já vem produzindo.
O interesse por essa energia que será produzida é grande. A força que será gerada em Nova Olinda já foi vendida em leilão ano passado pela Enel para uma empresa interessada, em um contrato PPA (power purchase agreement), assim como a energia de mais duas usinas, de Horizonte (103 MW) e Lapa (158 MW), ambos na Bahia.
O Piauí também segue com a política de energias renováveis. Foram aceitas ainda neste ano a construção de mais quatro usinas fotovoltaicas no sertão piauiense. As Sertão 1 e 2, de 30MW cada, na cidade de João Costa, da empresa A Sertão Solar Energia e mais outras duas, Sobral 1 e 2, também de 30MW cada, pela Sobral Solar Energia, na cidade de São João do Piauí.

Causas e efeitos da Energia Solar

A geração de energia solar é uma opção de energia limpa e renovável e uma das principais apostas para o futuro energético mundial a curto prazo. No Brasil, A primeira usina deste tipo instalada comercialmente foi a MPX Tauá, localizada no município de Tauá, no sertão cearense. Construída em 2011 pela antiga MPX, do empresário Eike Batista (hoje Eneva, após a venda para a alemã E.ON), Tauá foi a primeira usina solar em escala comercial do país conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Com investimento de R$ 10 milhões, inicialmente contava 4.680 painéis fotovoltaicos, gerando 1 MW, suficientes para 1.500 residências.

Atualmente, hidro e termelétricas são as grandes geradoras de energia no país, representando 67% e 28%, respectivamente. Porém hoje se percebe que essas matrizes energéticas apresentam limitações (hidrelétricas são afetadas pelas secas, muito comuns no Nordeste) e geram desgaste ambiental (termelétricas funcionam a partir de queima de materiais, gerando poluição do ar e hidrelétricas desviam curso de rios causando impactos sociais e ambientais). Esses fatores lançaram uma busca por fontes de energia alternativas, que unam bom custo benefício e que sejam sustentáveis.

Hoje, existem cerca de 164 usinas solares no país. Parece muito, mas esse tanto representava apenas 0,01% da energia produzida. Um desperdício, já que estudos apontam o Brasil como o país com maior taxa de irradiação solar no mundo. São mais de 3000 horas anuais de sol, com incidência diária de 4,5 a 6 kWh, principalmente no Nordeste. Isto seria motivo mais que suficiente para políticas mais fortes e eficientes de implantação da energia fotovoltaica no país. Com Nova Olinda e Ituverava, se avança para corrigir esse erro, mas ainda falta muito. A Alemanha é atualmente o país mais adiantado no uso de energias renováveis: 50% de sua energia é gerada por fontes desse tipo. Os Estados Unidos, entretanto, lideram o ranking dos maiores parques solares do mundo, como pode ser conferido no gráfico da página ao lado. Na lógica mercantilista, isso é bom, pois é um vasto ramo a ser explorado no Brasil.

Energia do Futuro

A utilização do sol como fonte de energia elétrica não é novidade. O efeito fotovoltaico foi demonstrado pela primeira vez em 1839 pelo físico francês Edmond Becquerel e a primeira célula fotovoltaica comercial foi lançada em 25 de Abril 1954 pelo Laboratório Bell. Mas como isso funciona? Quando a luz solar atinge os painéis movimentam elétrons, gerando a chamada energia solar fotovoltaica. Ela é enviada então para o inversor, que transforma em energia elétrica. A energia não usada pode ser armazenada para ser utilizada à noite ou em dias nublados. Os painéis podem ser feitos de diversos materiais, mas hoje 90% deles são de cristal de silício, por ser o mais barato. Ele perde em eficiência para o arsenieto de gálio, mas o alto custo deste material faz com que fique limitado à projetos espaciais.

Painéis solares caseiros, gerando energia limpa, barata e praticamente infinita é o sonho de muita gente preocupada com o meio ambiente e com um futuro mais livre. Em um futuro, próximo quem sabe. Pesquisadores do mundo buscam um material que barateie os custos de produção e torne os painéis acessíveis para todo mundo. Ainda assim, hoje é possível ver um ou outro telhado coberto pelos painéis azul petróleo. No Brasil, empresas e entidades trabalham para a divulgação e incentivo da energia solar, como a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e a startup Insolar que trabalha com comunidade Santa Marta, no Rio de Janeiro, instalando painéis solares em locais de uso comum para os moradores. E para os interessados em ter energia limpa e infinita em casa a baixo custo, existe, por exemplo, a Renova Green, de Curitiba que ‘aluga’ energia solar. A startup oferece a instalação de um kit de 2 placas por R$ 200 e por mais R$ 20 mensais, mantém o equipamento gerando 60 kw/h, equivalente à energia gasta por uma pessoa no mês.
 

Filhas do sol

Estados Unidos dominam a lista de maiores parque fotovoltaicos do mundo, mas China fica em primeiro, com um verdadeiro devorador de energia solar

1 – Longyangxia Dam Solar Park (China) 850 MW
2 – Kamuthi Solar Power Project (Índia) 648 MW
3 – Solar Star (EUA) 597 MW
4 – Topaz Solar Farm (EUA) 550 MW
5 – Desert Sunlight Solar Farm (EUA) 550 MW
6 – Huanghe Hydropower Golmud Solar Park (China) 500 MW
7 – Copper Mountain Solar Facility (EUA) 458 MW
8 – Quaid-e-Azam Solar Park (Paquistão) 400 MW
9 – Yanchi Solar Park (China) 380 MW
10- Charanka Solar Park (Índia) 345 MW
 

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