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Brasil

29/12/2016


Revista NORDESTE: Delações da Odebrecht aproximam Temer de impeachment

Temer na gangorra

Por Pedro Callado

Não é novidade que o presidente da República Michel Temer (PMDB) não é um sucesso. Decidido a resolver a situação econômica do país desde que assumiu ainda como interino quando a presidente Dilma Rousseff (PT) foi afastada durante o processo de Impeachment, Temer vem adotando medidas impopulares que devem frear os investimentos em diversos setores. Além destes temas, a reforma do Ensino Médio e a da Previdência, propostas pelo Governo Federal, também têm gerado manifestações (confira matéria nesta edição).

Agora, além de não despertar a simpatia, Temer caiu na lista da Odebrecht e pode entrar na mira da Lava-Jato. Somando a isso, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, está cobrando que o plenário da Corte inclua na pauta o julgamento do mandado de segurança pelo qual ele determinou que fosse aberto o processo de impeachment de Michel Temer na Câmara dos Deputados. A razão do processo é motivada pelo julgamento das contas da chapa Dilma-Temer na eleição de 2014. Em um despacho encaminhado à presidente do STF, Cármen Lúcia, o magistrado destacou que o processo está liberado para ser votado desde maio e depende apenas de uma decisão dela para que a liminar entre na pauta.

Citado nas delações de executivos da Odebrecht, o presidente enviou uma carta ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em que classifica como “ilegítima” a divulgação de “supostas colaborações premiadas”. Temer também pede à PGR celeridade nas investigações em andamento. “Com isso, a eventual responsabilidade criminal dos investigados será logo aferida. A condução dessas e de outras políticas públicas a cargo da União vem sofrendo interferência pela ilegítima divulgação de supostas colaborações premiadas e investigações criminais conduzidas pelo Ministério Público Federal, quando ainda não completado e homologado”, escreveu o presidente.

A DELAÇÃO

 

O nome de Temer aparece 43 vezes no documento do acordo de delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht. Aparecem também na delação o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, mencionado 45 vezes, e Moreira Franco, secretário de Parceria e Investimentos do governo Temer, 34. O ex-ministro Geddel Vieira Lima, que pediu demissão recentemente, surge em 67 trechos.

  

De acordo com Melo Filho, o presidente Temer atua de forma "indireta" na arrecadação financeira do PMDB, mas teve papel "relevante" em 2014, quando, segundo ele, pediu R$ 10 milhões a Marcelo Odebrecht para a campanha eleitoral durante jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014.

Segundo o delator, Temer incumbiu Padilha de operacionalizar pagamentos de campanha. O ministro, diz o ex-executivo, cuidou da distribuição de R$ 4 milhões daqueles R$ 10 milhões: "Foi ele o representante escolhido por Michel Temer –fato que demonstrava a confiança entre os dois–, que recebeu e endereçou os pagamentos realizados a pretexto de campanha solicitadas por Michel Temer. Este fato deixa claro seu peso político, principalmente quando observado pela ótica do valor do pagamento realizado, na ordem de R$ 4 milhões".

"Chegamos no Palácio do Jaburu e fomos recebidos por Eliseu Padilha. Como Michel Temer ainda não tinha chegado, ficamos conversando amenidades em uma sala à direita de quem entra na residência pela entrada principal. Acredito que esta sala é uma biblioteca", disse o delator, que conta detalhes do jantar.
"Após a chegada de Michel Temer, sentamos na varanda em cadeiras de couro preto, com estrutura de alumínio. No jantar, acredito que considerando a importância do PMDB e a condição de possuir o vice-presidente da República como presidente do referido partido político, Marcelo Odebrecht definiu que seria feito pagamento no valor de R$ 10 milhões", diz.

"Claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião. Inclusive, houve troca de e-mails nos quais Marcelo se referiu à ajuda definida no jantar, fazendo referência a Temer como 'MT'", ressalta o ex-executivo da Odebrecht.

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