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Brasil

30/08/2016


Revista NORDESTE: Impeachment de Dilma vai aprofundar crise

Exclusivo

O processo de Impeachment está acontecendo no Senado desde a última quinta-feira (25). Nesta segunda (29) a presidente Dilma foi ao plenário da Casa e respondeu a perguntas de mais de 40 senadores. Respondeu de cabeça erguida e com segurança. O julgamento pode acabar hoje ou no próximos dias dessa semana. Dilma Rousseff, reeleita em 2014 com 54 milhões de votos, pode ser impedida de exercer a função para qual foi eleita. Impedida pelo voto de dezenas de senadores e centenas de deputados que carregam nas costas acusações muito piores das quais ela é apontada como responsável (mas não comprovado).

A matéria a seguir faz parte da edição especial de aniversário da Revista NORDESTE.

Início de Tempos Sombrios

Impeachment de Dilma pode aprofundar crise política e econômica no país. Cientista político classifica julgamento da presidenta como imposição autoritária de plataforma de regresso reacionária

Por Pedro Callado

Foi no dia 11 de maio que o Senado votou pela aprovação do processo de Impeachment e afastou de forma provisória a presidente Dilma Rousseff (PT), dando lugar ao vice Michel Temer (PMDB) que assumiu o Governo Federal de forma interina. Pouco mais de três meses depois o Impeachment vai a julgamento no Senado com a expectativa de que provavelmente será aprovado e assim Dilma deverá deixar a presidência.

Cercado de controvérsias, o processo do Impeachment é declarado como um verdadeiro golpe pelo PT e a maioria dos partidos de esquerda. Algumas partes isoladas da mídia e certas personalidades, como sociólogos, economistas, juristas e artistas também denunciam que o impeachment contra Dilma é um golpe.
A Revista NORDESTE conversou com o professor da Universidade Federal da Paraíba, o cientista político José Henrique Artigas, e ele falou sobre como o país deve se comportar após o julgamento do Impeachment no Senado.

Desde que Dilma foi reeleita em 2014 que se fala de Impeachment. Em um primeiro momento tratava-se de um setor mais conservador de direita, com os eleitores mais fervorosos da petista fazendo um contraponto. Com as dificuldades econômicas, reflexos da crise, que vieram a aparecer, tais como o preço da gasolina e da energia elétrica, isso tudo se intensificou. Grandes manifestações pró e contra o Impeachment aconteceram em todo o país. Com o fim do julgamento no mês de setembro, poderia se esperar que seja colocado um ponto final e que voltemos a nos preocupar com política só em 2018, mas não deve ser o caso. O professor Artigas afirma, “estamos apenas iniciando um processo que tende a aprofundar-se. Estamos entrando em tempos sombrios e imprevisíveis”.

Artigas aponta todo o processo como um golpe e afirma que a consolidação do golpe intensificará a crise política e econômica no Brasil. “Se trata de um projeto de dominação de classe. E as propostas que advirão do período imediatamente após dada a consolidação do golpe, vão atingir em cheio os direitos da classe trabalhadora, e isso naturalmente vai estimular uma reação imediata das forças progressistas e, particularmente, dos sindicatos.

Para Artigas, ‘o golpe’ abrirá caminho para uma plataforma absolutamente reacionária. “Eu acredito que haverá muita reação, muita manifestação. Possivelmente greves em todo o país, particularmente no setor público. Acredito que a crise irá se aprofundar e será duradoura”.

Artigas pontua que as possibilidades de fortes reações nas ruas diante do afastamento definitivo da presidente, não se devem ao simples fato da troca de governo, mas do rumo que a política brasileira está tomando. “Se fosse apenas uma troca de governo, não acho que haveriam grandes alterações no quadro politico, mas como não é só isso, mas é fundamentalmente a troca de uma plataforma política pela imposição autoritária de uma plataforma de regresso reacionária, de retirada de direitos, de garantias de liberdades… a censura já esta acontecendo no nosso país a algum tempo. Isso ficou patente durante o transcurso das Olimpíadas, então não tem como não haver reação a essa avalanche reacionária que virá com a posse definitiva do Michel Temer. A crise vai continuar, vai se aprofundar e vai ser longa. Eu vou até mais longe. Se a crise se aprofundar ainda mais, eu não tenho dúvidas de que a violência também vai aparecer e se amplificar”. Para corroborar a tese, Artigas lembra os episódios violentos em que a Polícia do Estado de São Paulo enfrentou estudantes que ocuparam escolas protestando contra a reforma proposta pelo governador Geraldo Alckmin. 

Um líder sem popularidade

“O Michel Temer é um elemento de instabilidade, não de estabilidade”, coloca José Henrique Artigas. O vice-presidente que assumiu o Governo prometendo buscar a estabilidade econômica e retomar o crescimento, se assumir de forma efetiva a presidência, assume uma verdadeira batata quente. Artigas lembra que Temer já apresenta níveis gigantescos de impopularidade antes mesmo de assumir a faixa de presidente. “Ele não conta com nem 20% de apoio na sociedade, isso fatalmente o fragilizará perante o próprio Congresso Nacional, porque uma coisa é conseguir uma base parlamentar para colocar o impeachment, outra coisa muito diferente é conseguir base parlamentar para impor uma plataforma deste governo golpista”.

Dito isso, o cientista político aposta que Temer não conseguirá dar coesão a sua base política e isso, somado a outros fatores, resultará em uma oposição mais acirrada. “Sabemos que foram 30 anos de construção do movimento de esquerda e de instituições fortes do movimento social como, CUT, MST, Movimeno Social Urbano e todos esses movimentos certamente não ficarão calados, assistindo de camarote os seus direitos serem tolhidos. O PT sempre soube, muito bem, melhor que qualquer outro partido, fazer oposição. E agora ele volta para uma posição que ele sempre soube manejar com maestria. O PT sempre teve muita dificuldade de ser governo, mas sempre foi muito bom em fazer oposição, então por isso deve haver mais instabilidade política”. 

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