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Brasil

29/11/2016


Revista NORDESTE: Medicina de Ponta

O transplante de órgãos é um procedimento cirúrgico de grande complexidade que envolve muitos profissionais e requer uma estrutura de ponta. Entretanto, a maior dificuldade do transplante de órgãos no Brasil, principalmente no Nordeste, é o fator mais simples. A doação.

Uma pessoa que está na fila para receber um transplante de coração só receberá o que necessita quando alguém falecer por morte encefálica, traumatismo ou alguma doença terminal, além disso é preciso uma autorização, que pode ser prévia da própria pessoa, que pode se cadastrar como doador de órgãos, ou da família. Acontece que muitas vezes as pessoas sequer sabem da importância que é ser um doador de órgãos e outras vezes as famílias não dão permissão com tanta facilidade. Os motivos podem ser religiosos ou, simplesmente, para respeitar o morto, já que não sabem se ele permitiria isso. Há também casos de morte por acidente em que a família demora a ser notificada sobre o acontecido e, mesmo que exista intenção da família em permitir a doação, os órgãos acabam se perdendo porque passou-se o tempo limite para doação.

A Revista NORDESTE conversou com a Dra. Alexandrina Lopes, pediatra e gestora clínica do Hospital Alberto Urquiza Wanderley, da Rede Unimed em João Pessoa. A médica contou um pouco sobre o trabalho realizado na unidade que é referência em procedimentos de alta complexidade no estado e na região. O Unimed João Pessoa, é o único da Paraíba com autorização do Ministério da Saúde para a realização de transplantes de coração, fígado, rins e pâncreas. As equipes do hospital já realizaram 95 transplantes, desde 2004, quando os procedimentos começaram a ser realizados no estado. “O Hospital está devidamente preparado para a realização de procedimentos de alta complexidade e conta com uma equipe multiprofissional capacitada. Por isso, conseguimos obter resultados extremamente positivos”, enfatizou a gestora clínica.
Lopes contou que o hospital já tinha como exemplos no Nordeste a realização de transplantes no Ceará e em Pernambuco, além do trabalho realizado no estado de São Paulo. “O que a Paraíba está fazendo não deixa a desejar a nenhum estado do Sul e Sudeste com o que nós temos aqui, em matéria de tecnologia e de avançar em tratamentos de alta complexidade”, colocou.

Entretanto, a doutora enfatizou que a maior dificuldade são as doações. “A nível de estrutura técnica, tecnológica, recursos humanos… a gente não tem dificuldade. A maior dificuldade que temos até hoje é em relação a essa sensibilização da população, até por uma cultura no Nordeste, de entender a importância de ser um doador e também da família, diante de um problema tão sério, que é uma doença que leva a uma morte encefálica, ou um trauma, ou uma situação terminal, de estar preparado a realizar essa opção de ser um doador”, colocou.

Pactuação com o SUS

O Unimed João Pessoa está à disposição de toda a população no que diz respeito a realização de transplantes e também no acompanhamento dos pacientes que receberam novos órgãos. O processo é todo feito em pactuação com o Sistema Único de Saúde que, por não dispor da estrutura necessária na rede pública, transfere recurso para a rede privada realizar os procedimentos. Além disso o Hospital Alberto Urquiza Wanderley tem a certificação da Acreditação Plena Nível 2. “Começamos esse processo, que visa preparar todas as nossas unidades, desde o pronto atendimento, até a alta do paciente, que ele tenha todas as medidas de segurança, para que ele adentre na instituição, e ele passe por fluxos pré-determinados durante sua assistência e que garanta a segurança durante a sua admissão até a sua alta. O processo de acreditação visa também a instituição, protocolos uniformizam condutas para que todas as equipes trabalhem de forma linear e organizada, e com segurança dentro do que a instituição oferece”, explicou a Dra. Lopes. 

Transplantes no Unimed

Número de cirurgias realizados na unidade de João Pessoas desde 2004
Coração 11
Rim 17
Fígado 67
Total 95

Fila de espera nacional*

Coração 223
Rim 19.700
Fígado 1.353
Pulmão 171
Pâncreas 21
Rim/Pâncreas 511
Córnea 11.220

*Associação brasileira de Transplante de Órgãos (até junho)

Achar doadores não é fácil

Doar um órgão não é simples. Mesmo que o cidadão se declare doador, isso não é suficiente para que salve a vida de quem precisa. É necessário verificar se os órgãos estão aptos para doação e são várias as razões que podem provocar o impedimento da doação, como tipo sanguíneo e histórico de doenças.

Doadores na Paraíba em 2016:
Potenciais 75
Elegíveis 21
Efetivos 2

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