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Brasil

02/03/2017


Revista NORDESTE: O cenário de problemas que atormenta Aguinaldo

Novo Líder do Governo chega sendo exigido para aprovar Reformas

por Walter Santos

O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que foi ministro das Cidades no Governo de Dilma Rousseff (PT) e ex-líder da bancada do PP na Câmara, após o Carnaval, será líder da bancada do Governo de Michel Temer. A tarefa vem com o prestígio da função, o destaque político que traz e os possíveis frutos que poderá até colher nas próximas eleições. Mas não é uma tarefa fácil que vem pela frente: Aguinaldo vai representar no parlamento o Governo de um presidente com queda de popularidade e que vê cada vez mais aliados sendo citados em delações e processos criminais. Mesmo assim, precisará se desdobrar para fazer aprovar as medidas encaminhadas pelo presidente.

Anunciado quando estava nos Estados Unidos, foi o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), que confirmou que o deputado Aguinaldo seria nomeado pelo presidente Michel Temer como novo líder do governo na Casa. Ribeiro substituirá o deputado André Moura (SE), do PSC. As conversas com integrantes do PP ocorreram após reunião de Temer com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), principal articulador da substituição do atual líder do governo, André Moura, por Aguinaldo.
Desde que foi reeleito para presidência da Câmara Federal, o parlamentar do Rio de Janeiro vinha pedindo a troca do líder do governo por alguém mais alinhado a ele. O argumento de Maia é de que o deputado do PSC não foi imparcial na eleição para a presidência da Câmara, por ter apoiado o líder do PTB para o cargo, Jovair Arantes (GO). André Moura deve ficar com a “liderança da maioria” na Câmara, de acordo com parlamentares da base aliada e auxiliares de Temer. O posto ainda precisará ser formalmente criado.

Os problemas imediatos

Aguinaldo Ribeiro desembarcou em Brasília, depois de alguns dias nos Estados Unidos, com uma missão hercúlea, imensa e cheia de problemas para administrar porque a Base do Governo anda reproduzindo ensaios de rebelião como reação a outro assunto, longe da alçada do líder do PP, por conta da nomeação de Osmar Serraglio no Ministério da Justiça. Parlamentar com experiência acumulada em 4 mandatos, é de perfil negociador, com espectro ideológico de centro–direita, mas com convivência fácil até mesmo com radicais ao seu estilo político. Ele sabe que está diante de muitos problemas para resolver, entretanto, resolveu encarar.

O novo Líder chega com as principais bases do Governo Temer dentro da Presidência da República totalmente abaladas com o afastamento de Geddel Vieira Lima (PMDB), acusado de usar a Secretária Geral para favorecimento pessoal em imóvel na Bahia, e mais recentemente com o afastamento de Eliseu Padilha (PMDB) de posto estratégico para a vida normal de Temer.

Antes de Padilha, o presidente conviveu com o desconforto de ver seu aliado de primeira hora, Moreira Franco (PMDB), denunciado em delações, embora neste caso tenha conseguido manter o ex-governador do Rio em posto blindado depois que o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin considerou constitucional a condição “inovadora” de ser protegido por foro privilegiado, quando em idêntica situação o STF impediu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fosse ministro da Casa Civil.

Outra tarefa árdua do novo líder será explicar para a Imprensa os aspectos positivos de diversas medidas polêmicas do Governo. Para citar as mais recentes, a reforma do Ensino Médio, a Reforma da previdência, que deve obrigar o brasileiro a trabalhar por 49 anos para receber uma aposentadoria digna, e ainda mais recentemente, Temer afirmou que quer impedir policiais militares de realizarem greve, assim ele espera resolver crises de segurança pública, como a que aconteceu no Espírito Santo.

Prova de fogo

O que está sendo desencadeado internamente a partir do PMDB de Minas, que anda furioso com a nomeação de Osmar Serraglio, é outro problemão. O novo Líder terá de conter e debelar o novo posicionamento de uma bancada importante, como a de Minas, anunciando votação contra o Governo a partir de março.

Mas, sem tirar nem pôr, as delações da Odebrecht são o maior dos problemas com os quais o Líder Aguinaldo Ribeiro vai conviver de março em diante, porque a maioria dos líderes políticos do Brasil e governadores devem estar na lista, entre eles o presidente Michel Temer. Há quem diga que o próprio Líder possa estar na relação. A Odebrecht, inclusive já fez duas “vítimas”. Tanto o ministro das Relações Exteriores, José Serra, e o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, entregaram as pastas para tratar de condições de saúde. Entretanto, as licenças veem logo depois de ambos serem citados em delações como receptores de milhões em propinas. 

 Não é à toa que a popularidade do presidente está caindo. Temer reconhece que suas medidas não são agradáveis de cara, mas ele garante que tudo será melhor a longo prazo, conforme ele mesmo disse no início do mês de fevereiro, “popularidade virá depois”. Mas essa popularidade ainda parece distante.

Em pesquisa de popularidade do Barómetro Político, realizada pela consultoria Ipsos e divulgada pela BBC Brasil, foi questionada a opinião de 1.200 brasileiros nas cinco regiões do país sobre 20 personalidades do mundo político. Apenas o juiz da Polícia Federal Sérgio Moro recebe apoio da maioria, atingindo 65% de aprovação. O presidente Temer, que a um ano atrás, ainda como vice, era reprovado por 61%, hoje atinge 78%. O peemedebista conseguiu ultrapassar a impopularidade da ex-presidente Dilma Rousseff, que tem 74% de reprovação, e agora só não está pior que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tem 89% e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que tem 84%.

De acordo com as apostas em Brasília, este será o maior teste de fogo do novo Líder porque, se conseguir enfrentar e superar este estágio, terá condições de ampliar sua força política e dar estabilidade política de que precisa o Governo Temer. O deputado federal Aguinaldo Ribeiro se credenciou no Congresso Nacional como um articulador respeitado porque cumpre com os entendimentos construídos com cada um dos parlamentares na Casa – afirmaram diversos Líderes partidários à NORDESTE.

A fala do novo líder

Em entrevista sobre o novo cargo, Ribeiro afirma que pauta seu trabalho na Câmara pela ética e defesa do povo paraibano. “Vou trabalhar de forma contrária a muitos, que muito falam e pouco fazem. Tenho um estilo de mais discrição. Tem gente que fala muito mais do que faz, às vezes diz sem nem fazer, prefiro trabalhar e ter a consciência tranquila do compromisso cumprido”.

Aguinaldo afirmou, inclusive, que chegou a articular diretamente com o presidente Temer para pedir recursos para enfrentamento da crise hídrica: “Temos defendido os recursos do Orçamento Geral da União para os municípios e o Estado, a exemplo dos recursos para a pavimentação de centenas de ruas em João Pessoa e do canal de Bodocongó, em Campina Grande. Os recursos para entidades como o Hospital Napoleão Laureano na Capital e a FAP em Campina, e tantas ações, como na questão da crise hídrica, estivemos diretamente com o presidente Michel Temer explicando a situação calamitosa do Estado e pedindo que além da urgência da conclusão da transposição, se tomassem medidas emergenciais para garantir água para Campina Grande e demais municípios também na mesma situação”. Agora ainda mais próximo do presidente, Aguinaldo terá a chance de articular ainda mais pelo seu estado, ampliando sua chance de ganhar mais notoriedade diante do eleitorado paraibano.

Lava Jato

Assim como muitos dos aliados de Temer, Aguinaldo Ribeiro também tem seu nome envolvido em denúncias. O deputado é alvo da Operação Lava Jato e está sendo investigado desde 2015. Seu nome foi apontado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como supostamente fazendo parte de uma “organização criminosa” que atuava no âmbito da Petrobras. Quando o inquérito foi fatiado, a pedido de Janot, Ribeiro permaneceu entre os investigados na parte relacionada à atuação dos parlamentares do PP no esquema.

Ribeiro é conhecido em Brasília como um político de perfil alinhado ao seu partido, sempre ao lado do Governo. Foi um nome forte ao lado de Dilma e assumiu o Ministério das Cidades. Em um primeiro momento, declarou voto contra o Impeachment da presidente, mas acabou seguindo a tendência da bancada do PP e votou pelo afastamento da petista. Comportou-se de forma semelhante na cassação do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ribeiro era um deputado próximo ao peemedebista, mas na hora da votação seguiu o partido e votou pela perda do mandato.

 

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