menu

Brasil

17/11/2016


Revista NORDESTE: O homem bomba

Desde que teve início, há mais de dois anos atrás, a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, fez vários presos políticos e denunciou vários esquemas de corrupção no país. Boa parte das denúncias foram feitas a partir da delação de outros presos, que fizeram acordos para diminuir suas penas. Dessa vez uma nova delação assombra vários políticos, até o momento, intocados: a delação da Odebrecth.


A maior empreiteira do Brasil foi apontada no meio de vários esquemas, incluindo o Petrolão. Além disso, a empresa foi a que mais fez doações na campanha eleitoral de 2014, beneficiando vários partidos com milhões de reais. Os sócios Emílio Odebrecth e seu filho, Marcelo Odebrecth, já foram presos. Agora, para amenizar suas penas, eles concordaram em fechar um acordo de delação premiada que deve colocar em evidência grandes nomes da política brasileira. E não é só isso, vários executivos e funcionários da empresa também farão a delação, somando mais de 50 depoimentos com detalhes sobre o organizadíssimo esquema de corrupção do qual a companhia fez parte.


Quem não deve estar contente com essa iminente delação é o presidente da República, Michel Temer. Além do seu próprio nome poder aparecer na lista da Odebrecht, alguns de seus ministros como Eliseu Padilha, da Casa Civil, José Serra, das Relações Exteriores, e Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, ficam ameaçados.


Segundo já foi apurado, Serra (PSDB-SP), recebeu R$ 23 milhões da epreiteira para a sua campanha presidencial em 2010. O repasse teria sido feito via caixa dois, com parte do dinheiro sendo transferido através de uma conta na Suíça.


O repasse no Brasil foi negociado com o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ), próximo de Serra. No exterior, a negociação foi feita com o também ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho (ex-PSDB e hoje no PSD), que era da coordenação política da campanha de Serra.


Na fase preliminar das negociações do acordo, Marcelo Odebrecht e outros executivos citaram pelo menos 130 deputados, senadores e ministros e 20 governadores e ex-governadores. Além dos nomes já citados do Governo Temer, também podem aparecer os nomes do senador Aécio Neves (PSDB-MG), do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, (PSDB-SP), do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e também dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT.
 

Notícias relacionadas