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Brasil

21/03/2014


Revista NORDESTE traz resumo e depoimento de Torturados

50 ANOS DO GOLPE

A nova edição da Revista NORDESTE traz um assunto polêmico sobre uma fase importante do Brasil. Na iminência de completar os 50 anos da instauração do Golpe Militar no país, entre os dias 31 de março e 1 de abril de 1964, a sociedade brasileira olha pelo retrovisor mais uma vez e vê refletido nele um passado nem um pouco distante. Dos porões cheios de documentos ainda não revelados, o destino de muitos entes queridos de famílias que nunca tiveram acesso ao corpo para fazer um funeral digno.

Histórias de abusos, torturas e desaparecimentos sem nenhum paradeiro são comuns. O Nordeste, obviamente, tem seus exemplos. O quinto filho de Lincoln e Elzita, o então estudante Fernando Santa Cruz se envolvia com o movimento estudantil recifense desde jovem. No Ensino Médio, ainda menor de idade, foi preso durante uma passeata em 1967, na capital pernambucana. A manifestação era contra o acordo MEC-Usaid, que moldaria o ensino brasileiro segundo as normas norte-americanas, o que prejudicaria a qualidade do ensino nacional.

Sete anos depois, após ser forçado a sair de Recife com a instituição do AI-5, ele desaparece no dia 23 de fevereiro de 1974. “Ele saiu de casa às 16h e deveria voltar às 18h, mas nunca mais foi visto”, explica seu irmão, Marcelo Santa Cruz, atualmente vereador de Olinda pela quinta vez consecutiva. A suspeita de que esse sumiço tinha relação com o Regime Militar foi quando o apartamento de um amigo de Fernando, Eduardo Collier, foi invadido por agentes de segurança do governo de Emílio Garrastazu Médici. 

A partir daí, a família Santa Cruz passou a travar uma batalha para encontrar Fernando, na esperança de que estivesse vivo, detido secretamente pelas forças militares. “Iniciamos uma ação para denunciar o descaso do governo, que nunca assumiu oficialmente o caso, sendo considerado desaparecido político”, afirma Marcelo. Por causa do que aconteceu com seu irmão e também com outra irmã, torturada em um DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) no Rio de Janeiro, ele passou a se envolver na luta para revelar crimes cometidos durante os 21 anos de repressão.

(Leia mais na Edição n° 88 da Revista Nordeste já nas bancas de todo país)

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