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Rio Grande do Norte

27/06/2016


RN avança economia com investimento em energia, turismo e agronegócio

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Seguindo a série com os retratos da economia de cada estado do Nordeste, é o Rio Grande do Norte que aparece na edição 114 da Revista NORDESTE. A matéria traz todos os detalhes sobre o avanço econômico potiguar aliado ao crescimento do turismo e a força do agronegócio. Confira a matéria a seguir e leia a edição da Revista AQUI.

ENERGIA E TURISMO PARA SAIR DA RETRAÇÃO

Economia potiguar avança com foco no turismo e no impulso recebido pela indústria do petróleo e gás e graças a força do agronegócio

Por Paulo Dantas

Em valores correntes, o PIB do Rio Grande do Norte passou de R$ 36,185 bilhões para R$ 51,446 bilhões entre 2010 e 2013, com crescimento real acumulado de 10,3% no período. No período 2012-2013, o crescimento real do PIB foi de 4%. Em relação ao conjunto do Nordeste a fatia de participação do PIB potiguar aumentou de 6,9% em 2010 para 7,1% em 2013. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria – CNI.
Em 2013, valores mais recentes divulgados pelo IBGE, o Rio Grande do Norte tinha a seguinte distribuição por setor da economia: Agropecuária, 3,2%; Indústria, 23,4% e Comércio e Serviços 73,4%.

Na Agropecuária estão inseridas a agricultura, pecuária, produção de flores, pesca e aquicultura. No setor da indústria estão descritas as industrias extrativistas, de transformação, elétrica, gás, água e construção; e no setor de Comércio e Serviços estão o próprio comércio, setores de reparação, transporte, alojamento e alimentação, informática e comunicação, financeiras, imobiliárias, atividades profissionais, educação, saúde, artes e cultura e serviços domésticos.
Na indústria podem ser ressaltados os setores têxtil com mais de 200 indústrias. O segmento emprega hoje cerca de 6 mil pessoas no estado. Contudo, a indústria vem sofrendo com a concorrência asiática, sobretudo a chinesa. Outro motor da indústria é o petróleo. O Estado responde por cerca de 29% da produção terrestre brasileira. Isso coloca a exploração de petróleo no RN como o principal ramo de atividade da indústria potiguar. A indústria potiguar de produção e refino de petróleo responde por 17,6% do valor bruto da produção industrial regional. Só perde para a Bahia, que possui atualmente a maior refinaria de petróleo do Nordeste.

Parques Eólicos

Atualmente, o investimento em parques eólicos têm se mostrado um novo filão da indústria do Rio Grande do Norte. A entrada em funcionamento de novos parques eólicos contribuiu para o crescimento do setor energético e hoje o Rio Grande do Norte possui o maior número de megawatts instalados, o maior número de turbinas instaladas e as duas cidades com maior geração de energia eólica do Brasil: Parazinho e João Câmara. O estado conta com 97 parques eólicos em operação, 20 em construção e outros 60 contratados, que totalizam 2.671,6 MW instalados (equivale a mais de 30% de toda a geração do Brasil), e mais 2.066,1 MW a serem instalados nos próximos três anos, segundo a ANEEL. Até 2019, um total de 35 mil novas vagas de emprego serão criadas. 

Incentivos fiscais

O estado tem conseguido atrair algumas indústria de peso, entre elas a Huawei, maior multinacional de telecomunicações e equipamentos para redes do mundo, e a fábrica de cimento Cortesia. A intenção continuar a atrair indústria. Para isto, entre os incentivos fiscais ressaltados pelo Governo do Estado estão o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial – PROADI. No programa o incentivo econômico é diretamente aplicado na redução do ICMS. Empresas industriais novas, em ampliação ou que estejam em fase de reativação podem solicitar essa vantagem fiscal. Em 2015, o programa passou a ser estendido aos micro e pequenos empresários e às atividades agroindustriais. Além disso, para evitar que as empresas após findo o prazo de concessão dos incentivos fiscais, deixem o estado, a empresa beneficiada terá que permanecer em atividade no Estado o equivalente a 20% da quantidade de anos em que teve direito ao benefício. As empresas beneficiadas podem requerer a prorrogação do prazo de financiamento, por iguais e sucessivos períodos, a partir do quinto ano de cada período aquisitivo.

Turismo no litoral e no interior

O Rio Grande do Norte conseguiu manter um crescimento de mais de 20% em 2015 no setor de Turismo, comparado a 2014. Uma das estratégias tem sido participar de todas as feiras nacionais e internacionais, além fazer uma forte campanha de divulgação na Itália, Portugal e em Campinas.
O principal tipo de turismo empreendido pelo estado é o voltado para o lazer, em especial o de aventura e o de família, além do turismo religioso e de eventos. Natal e Pipa são os dois principais destinos internacionais, tendo São Miguel do Gostoso como terceiro maior destino turístico potiguar. Outro destino potencial é o município de Santa Cruz, onde está localizado o santuário de Santa Rita de Cássia, além de Mossoró, com forte calendário de eventos e local que abriga o parque nacional de Furna Feia. O governo também planeja consolidar o projeto do Geoparque Seridó, que será o terceiro da América do Sul e o segundo do Brasil. A intenção é que o projeto possa atrair turistas e ajudar no desenvolvimento da região.

Infraestrutura

Mas para entender o estado como um todo é preciso mergulhar nas obras feitas pelo governo para melhorar a sua infraestrutura dando melhor acesso aos turistas e disseminando as possibilidades na área. Uma das principais obras é a ampliação do Centro de Convenções. As obras do Centro foram iniciadas no segundo semestre de 2015. Orçada em 30 milhões de reais, a obra está prevista para ser concluída em 18 meses. Com a ampliação, o Centro de Convenções irá aumentar a sua capacidade de sete para onze mil pessoas impulsionando o turismo de eventos.

Outra obra importante em Natal é a que vai facilitar o escoamento do transporte na capital do Rio Grande do Norte. O pró-transporte, orçado em R$ R$ 88,2 milhões com recursos advindos do FGTS, Proinveste e OGU, consiste na criação de dois grandes eixos em pista dupla. O primeiro, denominado Eixo Fronteiras, parte do Gancho de Igapó, na Av. Tomaz Landim, percorrendo a Avenida das Fronteiras, a Av. Rio Doce e a Av. Tocantínea, até o entroncamento com a Av. Moema Tinoco. O segundo grande eixo, chamado de Eixo Moema Tinoco/Conselheiro Tristão, é a continuação do primeiro, ao longo da Av. Moema Tinoco e a Av. Conselheiro Tristão até o encontro com a Av. João Medeiros Filho (estrada da Redinha), onde será construído o Viaduto da Redinha, que dá acesso à Ponte Newton Navarro. Além da duplicação dos corredores viários, o ponto alto das obras está relacionado à mobilidade de pedestres e à valorização do transporte público, necessária para o pleno funcionamento do tráfego na região. A implantação de corredores exclusivos de ônibus será um dos diferenciais da obra que tem o objetivo de dar fluidez ao transporte coletivo, além de contar com 108 novos abrigos de ônibus. Outro benefício aguardado pela população, e que será implantado no Pró-transporte, é a criação de 11 quilômetros de ciclovia. Natal também deve investir na padronização de passeios públicos, a obra promete dar segurança e comodidade ao simples ato de ir-e-vir, que muitas vezes é dificultado devido às irregularidades encontradas nas calçadas.
 

Melão e mamão para exportação

A Agropecuária do Rio Grande do Norte vai muito bem, obrigado. Ao se detalhar por atividade o setor tem a fruticultura em geral com participação de 1,70%; cana-de-açúcar com 0,45%; outras lavouras respondem por 18,52% e a pecuária por 8,62%. O agronegócio patronal, por sua vez, integra o PIB potiguar com 18% a 20%, enquanto o agronegócio familiar responde por 10% a 12% do produto interno bruto.

Nos programas e ações desenvolvidas pela Secretaria de Agropecuária e Pesca (Sape), estima-se que no atual Governo já foram investidos recursos financeiros que somam algo em torno de R$ 21,4 milhões, incluindo o Programa Bancos de Sementes, a contrapartida do Estado para o Garantia Safra, os eventos agropecuários e a recuperação e aquisição de equipamentos para a Central de Comercialização da Agricultura Familiar. O Estado também elaborou dez projetos técnicos para o fortalecimento da agropecuária do Rio Grande do Norte via RN Sustentável. Os projetos já estão prontos, aguardando apenas aprovação do Banco Mundial para serem executados. As diretrizes incluem: fortalecimento da pecuária leiteira e qualidade do leite; incentivo à conservação de forragem; ampliação da área de palma forrageira tolerante à cochonilha do carmim; melhoramento genético do rebanho bovino leiteiro; melhoramento genético do rebanho caprino leiteiro; produção de feno; estruturação de viveiros para produção de mudas e recuperação de pomares de cajueiro; fortalecimento das ações de defesa e inspeção agropecuária; estruturação do sistema Ceres; ampliação e modernização do monitoramento hidrometeorológico, climático e agrometeorológico do estado.

Agronegócio

O agronegócio participa do PIB potiguar com quase 30%. Dentro da atividade, são destacadas a fruticultura, que segue líder da pauta de exportações. No primeiro trimestre deste ano houve um incremento de 13,6% nas exportações do estado, impulsionado principalmente pelos produtos do agronegócio. O melão é líder disparado, com 20,8 mil toneladas comercializadas para fora do país. Mas foi a castanha de caju que obteve maior crescimento: 76,6% em relação aos três primeiros meses de 2015. Os números mostram a força da agricultura potiguar e principalmente do melão, que representa quase 20% do total das exportações do estado entre janeiro e março. No primeiro trimestre deste ano o RN exportou US$ 60,9 milhões, contra US$ 53,6 milhões comercializados no mesmo período do ano passado. Em termos de volume, foi quase o dobro: 418 mil toneladas contra 220 mil toneladas do ano anterior. O melão aparece em primeiro, com 20,8 mil toneladas exportadas e US$ 11,6 milhões. A castanha de caju também aparece com destaque, em terceiro lugar na pauta: foram comercializadas 704 toneladas, contra 396 toneladas em 2015, um incremento de 76,6%. O mamão vem em seguida, com crescimento de 42% em relação ao ano passado. De janeiro a março deste ano foram exportadas mais de três mil toneladas da fruta, enquanto no mesmo período de 2015 o volume chegou a duas mil. Melão, mamão e castanha de caju têm participação de 32,8% no total do volume exportado pelo Rio Grande do Norte no primeiro trimestre de 2016. Além da fruticultura, que corresponde a 1,6% do PIB e R$ 466 milhões, há ainda a cana-de-açúcar com participação de 0,45% e R$ 125 milhões. As outras lavouras, juntas, correspondem a 18,52% do produto interno bruto e um montante de R$ 5 bilhões (segundo o IBGE/2015).

No entanto para se avaliar a maior cultura no estado, é preciso verificar que em termos de área plantada, a castanha de caju aparece como a maior área, com 96 mil hectares plantados. Já em quantidade produzida, a cana-de-açúcar se apresenta em primeiro lugar, com mais de três milhões de toneladas produzidas em 2015 segundo o IBGE. Depois da cana-de-açúcar, a maior quantidade produzida fica com o melão, com 271 mil toneladas.

Perdas com a seca

Apesar dos bons números, o estado teve grandes perdas com a seca. A estimativa é que tenha perdido, em 2015, em torno de R$ 4,6 bilhões, valor que representa uma redução de 57,54% se comparado com o valor da produção agropecuária obtida em anos de inverno normal (pouco mais de R$ 8 bilhões). O setor da fruticultura amargou 25% de perda, enquanto a cana-de-açúcar teve 30%, a pecuária 60% e as outras lavouras também apresentaram queda de 60% na produção. Para ajudar o setor, o governo investiu na pecuária leiteira. O projeto RN Sustentável irá investir R$ 14,6 milhões em ações para melhorar a qualidade do leite e a genética do rebanho. A melhoria da qualidade do leite se dará pela distribuição de 50 tanques de resfriamento de leite coletivo para comunidades rurais onde existam produtores. O projeto também busca o melhoramento genético dos rebanhos leiteiros, a partir da estruturação do primeiro centro deformação de inseminadores artificiais, com capacidade para formar 100 inseminadores por ano. Nesta etapa serão distribuídos kits de inseminação artificial para bovinos, com o intuito de formar 50 núcleos de inseminação artificial em bovinos leiteiros no Rio Grande do Norte. No rebanho caprino, também será feito um trabalho de melhoramento genético a partir da implantação de três núcleos de reprodução programada, para produção de no mínimo mil doses de sêmen, 50 reprodutores de raças leiteiras e inseminação de 600 cabras por ano. Segundo o Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do RN (Idiarn), o Rio Grande do Norte tem hoje um rebanho bovino de 955 mil cabeças. Os caprinos são 1.063.500 e ovinos respondem por 527.198 animais.

Produção de Flores

A produção de flores e plantas ornamentais no Rio Grande do Norte está em plena fase de desenvolvimento e expansão. A atividade movimenta cerca de R$ 6,1 milhões e envolve uma área cultivada superior a 40 hectares, a maior parte situada na Grande Natal – sobretudo em Macaíba, Ceará-Mirim e Parnamirim – considerada o mais significativo polo produtor do Estado. No total, são 154 empreendimentos ligados a esse segmento. A produção tem crescido num ritmo de 9% ao ano no Rio Grande do Norte. Para ampliar o volume de negócios, a meta estabelecida em conjunto com o Sebrae-RN é melhorar a qualidade dos produtos, abrir canais de comercialização e aumentar a receita.


 

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