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Brasil

29/03/2016


Saída do PMDB do governo leva oposição a se reorganizar para derrubar Dilma

No dia em que o PMDB define se desembarca de vez do governo federal, lideranças da oposição na Câmara dos Deputados se reúnem para traçar novas estratégias para impulsionar o impeachment da presidente Dilma Rousseff na Casa, a partir das 10h desta terça-feira (29), na liderança do Partido Social Cristão (PSC). Estarão presentes os líderes do PSDB, DEM, PSC, Solidariedade e PPS.

O objetivo da reunião é ampliar o grupo de trabalho de deputados que lutam pelo impeachment, organizando a oposição em lideranças de bancadas para cada um dos Estados para que trabalhem como interlocutores junto a parlamentares ainda indecisos em relação ao afastamento da presidente – e mirar aqueles com votos em tese já definidos a favor de Dilma, mas cujos partidos mostram tendência de votar pela queda do governo federal.

Além dos líderes das legendas opositoras, deputados atestam que a reunião também contará com a presença de parlamentares do PMDB já abertamente contrários à permanência de Dilma no poder. Os parlamentares também confirmam que o encontro ocorrerá muito em decorrência da ruptura peemedebista com o PT, a ser confirmada horas depois, em reunião partidária marcada para o período da tarde.

"Precisamos de um planejamento mais ampliado, dar atribuição para cada um dos 27 coordenadores estaduais e das bancadas partidárias para que possamos reforçar o diálogo e buscar um número cada vez maior de apoiadores para aprovar o afastamento", diz ao iG o líder do PSC na Câmara, André Moura.

"É de fundamental importância a saída do PMDB do governo, afinal, é o maior partido da Casa. É também algo muito simbólico por ser o partido do [vice] 'presidente' Michel Temer. Teremos um efeito cascata daqui para frente, com ampla queda no apoio ao PT."

A opinião de que o rompimento peemedebista levará a sucessivas perdas de apoio de deputados em relação à petista no Planalto é unânime entre os parlamentares opositores ao governo. Líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino (AM) afirma que, mesmo já em situação ruim, Dilma ficará ainda mais fragilizada com a perda do apoio do PMDB, maior partido de uma cada vez mais rachada base aliada da presidente.

"Temos mantido relação com mais da metade da bancada do PMDB, o PMDB dividido, que é o status atual do partido", afirma Avelino. "Mas, com o PMDB vindo para a oposição, é claro que teremos um reforço muito grande pelo impeachment. Será outro tipo de conversa."

Um dos mais barulhentos partidos em defesa do impeachment, o Solidariedade, representado por Paulinho da Força (SP), vê a saída do PMDB como um "gesto bonito, especialmente se seus filiados entregarem os cargos que atualmente mantêm no governo federal", avalia Genecias Noronha, líder da legenda na Câmara.

"Continuaremos o trabalho que estamos fazendo já desde o ano passado, de buscar apressar o impeachment cada vez mais. E, como o PMDB é uma parte extremamente interessada, com vice-presidente e ministros de Estado no governo, será muito importante nos reunirmos nesta terça-feira exatamente para tratarmos desta decisão do partido, que complica ainda mais a Dilma", enfatiza o parlamentar.

Base aliada
Enquanto a oposição traça estratégias para o impeachment de olho no PMDB como aliado, a base de apoio do governo, que ajudou a reeleger Dilma Rousseff à Presidência, também se movimenta para definir estratégias frente ao novo cenário.

No PSD, por exemplo, já há parlamentares defendendo a abreviação do governo Dilma, segundo confirmou o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), líder licenciado da legenda e presidente da comissão especial do impeachment na Câmara.

"Nossos deputados estão liberados para votar como acharem adequado", admite. "A saída do PMDB é muito importante no mundo político partidário. Talvez os poucos que estão indecisos [em relação ao impeachment] possam considerar esse fato [para votar contra Dilma]."

Em movimento semelhante ao que o PMDB realiza nesta terça-feira, o PRB se tornou a primeira agremiação a oficializar o abandono da base de apoio de Dilma, em 14 de março, um dia após os protestos que tomaram as ruas de todo o País contra a presidente.

"A saída do PMDB será uma mola propulsora para que outros façam o mesmo. E mesmo que os partidos não saiam oficialmente, os parlamentares farão isso adotando postura independente", avalia o líder do PRB na Câmara, deputado Márcio Marinho (BA).

No PT, o deputado Henrique Fontana (RS) faz pouco caso da definição peemedebista e diz acreditar que o governo poderá contar com os parlamentares do partido mesmo que a reunião desta terça-feira defina a saída da base aliada.

"Não tememos que outros partidos deixem o governo. As informações que nós temos indicam que um grupo significativo do PMDB está contra o golpe. Estou seguro que a oposição não vai conseguir os votos necessários para essa aventura", desafia Fontana.

Um dos principais aliados do governo petista, o PCdoB deve se manter fiel à gestão Dilma Rousseff, seja qual for a decisão peemedebista. "Não nos agrada ver um partido da base se afastando, mas nossa posição está consolidada", garante o líder do PCdoB na Câmara, deputado Daniel Almeida (BA).

De acordo com o parlamentar, a estratégia da agremiação frente ao novo quadro político será a de tentar evitar que a base aliada se esvazie ainda mais. "Não tenho dúvidas de que isso é possível. Podemos converter aqueles parlamentares que ainda mostram algum grau de oscilação."

Também integrante da base de apoio do governo, o PDT deve definir seu futuro nos próximos dias. O líder pedetista na Câmara, deputado Weverton Rocha (MA), garante que a postura do partido "não será pautada pelo PMDB".

"Vamos continuar dialogando nos próximos dias para definir como iremos agir", explica o deputado. "Defendo que a gente não deixe a base do governo e vou procurar o presidente do partido para conversarmos a respeito."

IG 

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