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Brasil

06/02/2015


Salvação da Petrobras inclui blindagem política e faxina na imagem

O novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, terá uma série de desafios ao assumir a gestão da estatal petroquímica – afundada na maior crise de sua história. Para dar início a recuperação financeira da empresa e superar o tranco sofrido pelas revelações surgidas a partir da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, a nova administração terá de recuperar a credibilidade de investidores nacionais e estrangeiros.

Executivo de carreira no Banco do Brasil, Bendine substituirá Graça Foster, que renunciou ao cargo depois do desgaste frente à investigação dos casos de corrupção na estatal. A situação ficou insustentável quando a Petrobras divulgou o balanço não auditado do terceiro trimestre, mostranto as incertezas em relação ao critérios que deveriam ser empregados nas revisões dos ativos – o documento informa que os ativos teriam sido superavaliado em cerca de R$ 88 bilhões.

Leia também: Ex-estagiário do Banco do Brasil assume presidência da Petrobras

Especialistas ouvidos pelo iG apontam as principais dificuldades para o novo presidente da Petrobras.

Melhorar a governança: "Uma das maiores dificuldades do novo presidente nos próximos meses será recuperar a imagem da empresa. Para se recuperar financeiramente, a Petrobras vai precisar buscar crédito fora do País e, no momento atual, sem emitir um balanço oficial, o investidor estrangeiro não tem confiança", afirma Alexandre Wolwacz, sócio da escola de traders Leandro Stormer.

Segundo o analista, isso implicará na tomada de medidas de austeridade. "É preciso buscar transparência e punição aos envolvidos em casos de corrupção. O novo presidente vai ter de mostrar que veio para praticar uma gestão correta e transparente."

A indicação do nome de Bendine não deve causar grandes reações no mercado investidor, avalia. "Para quem esperava Henrique Meirelles [ex-presidente do Banco Central], essa não é a melhor notícia. Para quem esperava um CEO de verdade como Roger Agnelli [ex-presidente da Vale], é uma péssima notícia. No geral, não é das melhores notícias, mas não é das piores. O mercado veria com péssimos olhos uma indicação politica, e vejo essa é indicação como neutra: não deixa o mercado eufórico, nem pessimista", explica.

Superar o bombardeio político: Para Divanilton Pereira, dirigente da Frente Única dos Petroleiros (FUP), Bendine deve se preparar para um "bombardeio de ordem política". "Diante de um episódio grave de corrupção, exigimos que a empresa apure e puna os culpados para que a Petrobras dê continuidade a seu papel de ser geradora do desenvolvimento brasileiro. O presidente tem de reforçar o planejamento estratégico da empresa", afirma.

Segundo Pereira, o novo presidente terá de "conter as forças adversárias históricas que querem desmoralizar e fragilizar" a empresa. "Esse episódio revelou a fragilidade do sistema de transparência e controle da Petrobras. É inadmissível que uma empresa que ganhe prêmios pela tecnologia empregada na retirada do pré-sal não desenvolva sua inteligência e um sistema transparente, sobretudo no aspecto da contratação de serviços. Faremos pressão para que isso ocorra."

Bombar a Petrobras: Para João Luiz Zuneda, diretor fundador da consultoria Maxiquim, especializada no setor petroquímico, o novo presidente precisa potencializar e valorizar a estatal. "A Petrobras é uma das maiores empresas de petróleo do mundo e é a maior empresa do Brasil. Temos o pré-sal, uma riqueza econômica que não surgiu do nada, mas do desenvolvimento tecnológico de técnicos da empresa. Isso mostra a força do Brasil", diz.

Para o analista, o novo presidente da estatal tem de retomar a valorização da Petrobras como verdade. "A população brasileira, os competidores internacionais e os investidores tem de entender a força da Petrobras e da economia brasileira. O novo presidente precisa fazer um plano para mostrar isso", afirma.

Equacionar os custos do pré-sal: "Existe uma preocupação em relação aos custos do pré-sal e a queda no preço do barril de petróleo. Se o valor cair para US$ 45 ou menos, isso pode inviabilizar a retirada do pré-sal. Baratear os custos da exploração seria uma estratégia bem vista", afirma Leandro Martins, analista-chefe da Walpires Corretora.

Para Martins, a indicação de Bendine pode não ser a esperada, mas não é reprovável. "O nome poderia ser melhor se não tivesse relação com estatal e fosse alguém doi mercado. Mas, é um profissional do mercado financeiro e o setor é transparente, tem mais controle e é bem regulamentado, além de ser bastante lucrativo." 

 

(Do iG)

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