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Cultura

03/02/2016


Sarajane vê crise no Axé: “Sertanejo e pagode tomam carnaval da Bahia”

Na Revista NORDESTE

Por Paulo Dantas

A cantora Sarajane, conhecida em todo o Brasil pela música “A Roda” está numa nova fase da carreira. Investindo em forró, com um trabalho social para crianças e adolescentes em Salvador há 19 anos, a cantora se reinventa. Com o axé music chegando aos 30 anos – o ritmo começou a fazer sucesso na década de 80 – , depois do auge nos anos 1990, o estilo tem perdido espaço para outros gêneros, como sertanejo, o pagode e funk. Hoje o axé vive a um hit por vez durante o carnaval, ao contrário do que acontecia há anos atrás quando suas músicas tomavam o carnaval do país. “O axé está dessa forma porque não houve a continuidade do movimento”, afirmou recentemente a cantora, que completou: “Não considero esses 30 anos como uma homenagem ao axé, mas como um momento balzaquiano mesmo, de parar e pensar para ver onde errou e onde podemos acertar. Temos que nos unir, nos ajudar. Tirar a vaidade e ajudar todo mundo a mudar essa realidade.”


A artista considera que o carnaval de Salvador se transformou ao longo dos anos, agora com duplas sertanejas e pagodeiros ganhando seus próprios trios, provocando um êxodo dos artistas do axé para outras cidades, principalmente no interior de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.
Um outro ponto crítico no carnaval de Salvador são as cordas, que separam os pagantes nos blocos, do pessoal da “pipoca”, que ficar fora da área vip. O método tem gerado críticas. Artistas ouvidos pela Revista NORDESTE têm considerado que o carnaval da Bahia está cada vez mais caro e elitista. Na entrevista abaixo, ainda que algo meio reticente, a cantora e uma das percussoras do Axé Music no Brasil, fala com exclusividade à NORDESTE sobre o momento. Confira!


Revista NORDESTE: Como acontece hoje o carnaval na Bahia?
Sarajane:
Muita alegria gente bonita, descontração, muita energia!


NORDESTE: A festa perdeu força?
Sarajane:
Acho que sim, mas fico feliz em ver os blocos tirando suas cordas.


NORDESTE: Na época de Dodó e Osmar e Orlando Tapajós, se frisava a festa livre atrás do Trio Elétrico, é possível dizer que hoje houve uma mercantilização e industrialização do carnaval baiano?
Sarajane:
Claro! Tudo muito caro, mas estão tirando a corda, acho que a tendência é não ter corda


NORDESTE: Brincar o carnaval hoje ficou caro?
Sarajane:
Sim, o da Bahia é muito caro.


Nordeste: Qual a importância do surgimento do Axé para o Carnaval? Como ele surgiu?
Sarajane:
A música dos blocos afros eu trouxe para os grandes salões, a dança, o ritmo, a música, e tudo foi transformado, antes era um frevo, que não era igual ao Pernambucano, mas era com ritmo de frevo.


NORDESTE: Recentemente você falou que o Axé está em crise, por quê? Eu falei?
Sarajane:
Tá. Bem: O axe music, só o das antigas, hoje é mais estilo internacional.


NORDESTE: O Axé completa 30 anos, hoje quais as principais estrelas do gênero, surgiram novos nomes? Você mesma começou a cantar forró, ainda é possível sobrevir do gênero?
Sarajane:
Tem vários artistas novos uns cantando música carioca, eu sempre gravei forró em todos os meus discos, gosto muito e canto. Já tenho 5 discos gravados, quero muito cantar ai na sua terra que amo, sempre fiz João Pessoa, Campina Grande, tenho duas pessoas ai que tenho saudades e que gosto muito, Bobota impresario e Capilé.


NORDESTE: Há solução para o Axé voltar a ter a força que tinha antes?
Sarajane:
Acho que sim.


NORDESTE: Como você vê o carnaval de Pernambuco em contraposição ao da Bahia? A crise do Axé se estende ao Frevo?
Sarajane:
Não, Pernambuco cuida da sua cultura, os artistas tem cachês iguais, quem faz a história é o povo e o Pernambucano gosta da sua cultura na essência e isso traz força.


NORDESTE: Qual a sua agenda para o carnaval e os próximos projetos?
Sarajane:
Dia 21/01 canto com alguns convidados na Tereza Batista Pelourinho, domingo e terça palco segunda meio dia Trio no Campo Grande e ainda estou esperando fechar outros dias.


NORDESTE: Você faz um trabalho social em Salvador, pode falar um pouco sobre ele?
Sarajane:
ACASA existe à 19 anos, trabalhamos com educação cultural, gratuita para crianças e jovens.

 

Confira o novo disco de Sarajane, inclusive com o sucesso "A Roda":

 

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