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Ceará

08/08/2016


Secult não tem previsão para restauro do Arquivo Público

O encontro das ruas Senador Alencar e Senador Pompeu, no Centro de Fortaleza, guarda histórias do Ceará de tempos passados. Tombada como Patrimônio Histórico do Estado, a antiga casa da família Fernandes Vieira – ou apenas Solar dos Fernandes – fica cravada nesta esquina e abriga o Arquivo Público do Estado do Ceará desde 1993. O equipamento, contudo, não passou por uma reforma nestes 23 anos, salvo reparos pontuais feitos ao longo do tempo e a troca da fiação elétrica em 2007 e 2008. A majestosa casa com janelões e portas bem altas, delineada por uma arquitetura de estilo neoclássico do século XIX, aguarda a tão necessitada reforma desde o dia 20 de outubro de 2015, quando o governador Camilo Santana assinou autorização que disponibiliza R$ 2,17 milhões para reestruturação do espaço.

A reforma, que já deveria ter sido iniciada, teve de atrasar um pouco mais, depois que a empresa vencedora da licitação desistiu de realizar o projeto. A segunda colocada assumiu a frente e, agora, de acordo com a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), realiza o processo de avaliação de projetos a serem executados. Após a escolha do projeto, será emitida a Ordem de Serviço para que a obra licitada seja executada no período de seis meses. Mas ainda não há data para que a reforma seja iniciada.

Enquanto isso, no dia 1º de junho, o acervo alocado no Solar dos Fernandes começou a ser transferido para um dos antigos galpões da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), ao lado da Estação João Felipe, no Centro da Capital. E é lá onde irá permanecer até que a reforma seja concluída. A estrutura provisória conta com salas de pesquisa, além de estantes com documentos. Tudo isto ao lado de onde está instalado o acervo da Biblioteca Pública Menezes Pimentel, equipamento que também passa por reformas e deve ser reaberto no próximo ano, após mais de 40 meses funcionando em outro endereço.


No espaço provisório do Arquivo Público, os frequentadores podem fazer visitas e requerer documentos para pesquisa. O acervo, contudo, ainda não está todo organizado em estantes às vistas do público. Quando O POVO visitou o espaço, na segunda-feira, dia 1º de agosto, apenas uma porção dos documentos estava organizada e disponibilizada nas salas de pesquisa, como 3,5 mil documentos referentes à Ditadura Militar do Brasil, do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e do Serviço Estadual de Informação (SEI). Os demais documentos – que a reportagem não pode ter acesso – ainda serão organizados em prateleiras. Mas o público continua tendo acesso, garante Márcio Porto, diretor do Arquivo.

O que muda

“É uma reforma geral”, resume o Márcio.. Segundo ele, entre os pontos que se fazem mais urgentes na reforma, está a estrutura da coberta do Arquivo, que será toda substituída. “Porque ela tem linhas, caibros e madeira. Para um Arquivo como o nosso, que é 99% de papel, não é adequado. Essa parte será toda substituída por uma estrutura metálica e telha de fibra de vidro”, adianta. “No máximo de um mês, a gente deve começar a reforma”, aposta.

O resultado das obras trará a duplicação dos espaços internos para a armazenação do acervo, a biblioteca será ampliada, uma sala de pesquisa será repaginada, além da construção de dois novos banheiros (hoje são dois), da reforma do estacionamento e de obras de acessibilidade. A fachada histórica será mantida, mas terá suas esquadrias de madeira e vidro recuperadas. As instalações hidráulicas, ainda feitas com canos de ferro, também serão modernizadas, enquanto a parte elétrica será toda revisada.

O Povo Online

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