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Brasil

17/02/2014


Segmento de viagens corporativas sofre impacto negativo da Copa

TURISMO

São Paulo é uma cidade reconhecida por seu turismo corporativo. Tanto que é a cidade-sede dos jogos da Copa do Mundo que registra maior disponibilidade de diárias durante o mundial. Segundo dados do Fórum de Operadores Hoteleiros (FOHB), que reúne 25 redes hoteleiras e têm 600 hotéis no Brasil, 53% das diárias oferecidas no mês do Mundial ainda não foram comercializadas na cidade, faltando apenas quatro meses para o mundial.

Ainda que pese o fato de a cidade ter a maior oferta de hotéis e já comercializou mais diárias para o período do que outras cidade-sedes do Mundial de Futebol, como a turística Salvador, a ocupação não costuma ser tão baixa no período. Isso porque o evento esportivo está fazendo com que empresas adiantem ou adiem viagens corporativas, seja por custos maiores ou por falta de disponibilidade, tanto de vôos como hotéis.

Quando se trata de maior disponibilidade de diárias durante o Mundial, São Paulo é seguida por Belo Horizonte, que tem 39% dos quartos disponíveis para o período; e Curitiba, que tem 37% dos quartos vagos no mês de junho. 

Para o presidente do FOHB, Roberto Rotter, a perda dos hóspedes executivos não será compensada pela vinda de turistas, diante de uma procura menor do que a expectativa. Além disso, o prejuízo será maior porque o cliente corporativo costuma gastar mais. "Acreditamos que o segmento de viagens corporativas em São Paulo vai parar por 90 dias: um mês antes da Copa, no mês do evento e no mês seguinte. Além disso, ainda tem eleições em outubro, que também deve desaquecer o mercado".

Neste cenário, considerado por Rotter como crítico, a previsão do FOHB é que o mercado se mantenha estável em 2014, enquanto nos últimos anos cresceu a uma taxa de dois dígitos, em torno de 15%. "No mínimo, é isso o que vai acontecer", alerta.

Frank Pruvost, diretor de Operações da marca Ibis na América Latina, da Accor, conta que o cenário é diferente nas cidades-sede. "Haverá um pico muito forte de ocupação dos quartos durante os jogos e na véspera. Estamos analisando com cuidado os dias anteriores. Esperamos um impacto negativo".

Empresas antecipam negócios

Como consequência, o calendário de viagens corporativas começou mais cedo este ano. "Dizem que o brasileiro só começa a trabalhar depois do carnaval. Este ano, ele começou no dia 2 de janeiro", brinca Márcio Margini, diretor operacional da agência de viagens corporativas Tivoli, em São Paulo.

Na agência, muitos de seus clientes optaram por antecipar as viagens a negócio para antes do Carnaval, conta.

Com a concentração da demanda em poucos meses do ano, Rotter, do FOHB, acredita que as cidades não conseguirão atender toda a demanda. Margini confirma. "Há dificuldade para realizar reservas. Quanto maior o planejamento e a antecedência do pedido do cliente, melhor".

Orçamento é otimizado

Para driblar a alta de custos, as empresas estão se dedicando ainda mais aos orçamentos. É o caso da consultoria TMX. O diretor de serviços Roberto Toledo conta que o planejamento de viagens para este ano foi feito há sete meses.

Os consultores da empresa realizam cerca de 16 viagens por mês. Na Copa, serão realizadas apenas duas. "Não conseguimos remanejar. Estamos evitando o período. Queremos até dar férias para os consultores em junho".

Sobre custos, o executivo verifica que os preços de hospedagem em cidades como o Rio já subiram pelo menos 50%. O jeito, conta, é antecipar as viagens e aproveitá-las ao máximo. "Por viagem, os consultores visitam de dois a três clientes. Agora, pedimos para que visitem de quatro a seis".

Saídas para economizar

Rodrigo Santos, diretor de Novos Negócios da Master Turismo, costuma aconselhar os clientes que querem planejar e economizar em viagens este ano.

Uma maneira é reservar quartos em hotéis de longa estadia por um mês em destinos mais frequentes. "Desta forma, é possível economizar e o cliente não corre o risco de ficar sem o quarto".

Outra maneira de cortar custos é reservar apenas um quarto para mais de um funcionário, que também podem compartilhar o táxi do aeroporto. "Em Belo Horizonte, o táxi do aeroporto até a cidade pode custar mais do que uma passagem aérea. Vale a pena", conta o executivo da Master Turismo.

Santos está otimista com a devolução de quartos pela agência de viagens oficial da Fifa, a Match, nas cidades-sedes do evento. "As empresas têm mais opções para alocar funcionários agora". Ainda assim, ele espera uma queda de 15% a 20% do faturamento da agência no período da Copa. "Além do evento, o dólar mais alto, que encarece as passagens aéreas, e o corte de custos das empresas diante de uma economia mais fraca, também não colaboram".

 (do site iG)

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