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Rio Grande do Norte

10/11/2015


Seminário discute saídas para crise e oportunidades para o estado

A 25ª edição seminário Motores do Desenvolvimento promoveu mais um ciclo de debates na manhã desta segunda-feira (9), na Federação da Indústria do Rio Grande do Norte (Fiern), em Natal. Com o tema “Brasil, vamos crescer”, o evento debateu a crise econômica e as perspectivas de retomada do crescimento em 2016. O evento foi aberto com palestras de Luiz Mendonça de Barros, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e da colunista do jornal O Estado de São Paulo, Eliane Cantanhêde. Na solenidade de abertura, três pronunciamentos marcaram o início as discussões. O presidente da Fiern, Amaro Sales, o Governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria e o Ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves falaram do atual cenário econômico do Brasil e RN e pontuaram a importância do debate para enfrentar a crise.

O ministro do turismo, Henrique Eduardo Alves, disse que busca a facilitação para a entrada de turistas estrangeiros no país e também a viabilização de áreas especiais de interesse turístico. Para o ministro, a atividade precisa ser mais valorizada no país. “O setor representa 7% do PIB e gera 3,14 milhões de empregos, além de ser o 5º principal item da balança de exportações brasileiras, atrás apenas de minério de ferro, soja, petróleo e açúcar”, disse.

Apresentando dados sobre a importância econômica do fluxo de turistas no país, Henrique admitiu que não tinha o real conhecimento sobre a dimensão que o Turismo tem para o Brasil. Segundo o ministro, a atividade corresponde a 3,7% do PIB do Brasil, gerando 3 milhões de empregos diretos, e interage com 52 atividades comerciais, industriais e de serviços no país, com aproximadamente 6,4 milhões de turistas por ano. Apesar disso, o ministro disse que atividade ainda sofre preconceito. “É o melhor resultado dos últimos 5 anos. O Nordeste é o destino preferido (39%), seguido do Sudeste, com 30%”, destacou.

“Há um preconceito absurdo e até má vontade com o Turismo. Poderíamos explorar muito mais dando a importância necessária, fazendo com que os próprios brasileiros continuem viajando no Brasil. O turismo não emprega robô nem máquina, ele emprega pai de família, pessoas da terceira idade e jovens, é a atividade que mais emprego e renda gera nesse país com menor custo benefício”, disse o ministro, afirmando ainda que 78% dos brasileiros que querem viajar têm o foco no território nacional.

Outra proposta para fomentar o Turismo é a criação das áreas especiais de interesse turístico. O objetivo é dar incentivos fiscais para a realização de atividades turísticas em locais com vocação para receber viajantes e, com isso, ampliar o número de pessoas que vêm ao Brasil para passar período de férias. “Estarei encaminhando até o fim do ano um projeto que cria as áreas especiais de interesse turístico, com tratamento tributário e fiscal diferenciados, sem travas, sem barreiras, licenciamento ambiental mais rápido, segurança jurídica mais determinada. Vamos ver as áreas propícias para isso, para que o turismo se desenvolva de forma urgente no nosso país”, disse.

No pronunciamento, o governador Robinson Faria detalhou ações do Governo do Estado para recuperar a economia e incentivar a classe produtiva. De acordo com Faria, uma das primeiras ações será a economia da folha do funcionalismo, justificada pela auditoria na folha, contratada em janeiro, e pelo início do censo de servidores estaduais. A estimativa é que sejam economizados R$ 800 milhões da folha. Atualmente, o gasto com pessoal é o maior custo da folha: R$ 400 milhões por mês.

“Recebemos o estado em um nível delicado, a nível RN e Brasil. Recebemos o RN com débitos vencidos de quase R$ 1 bilhão, algo grande para um estado pequeno; além de questões reprimidas, como sistema prisional; a maior crise hídrica da história do nosso estado. Tudo isso de uma só vez. Mas a primeira medida para que pudéssemos enfrentar a jornada de dificuldades, foi manter o otimismo e motivação”, pontuou o chefe do Executivo.

De acordo com Robinson Faria, o governo também contratou o Instituto Publix para criar um novo modelo de governança para o RN, com foco em 20 anos, que garantirá, também, uma nova carteira de investimentos para o Estado. “Será um planejamento para os próximos 20 ou 30 anos, ações para diminuir o tamanho do Estado e fortalecer o setor produtivo”, avisou Faria. Além disso, o Estado também iniciou a elaboração de Plano Plurianual (PPA) participativo.

Faria comemorou o crescimento de 28% no turismo potiguar, além da chegada de 150 novos vôos nacionais durante a alta estação. Sobre o adiamento do anúncio sobre o hub da Latam, ele afirmou que a decisão não desfavorece o RN. “Na sexta-feira, me ligou a presidente Claudia Sender e avisou do adiamento do anúncio, mas na verdade porque algumas consultorias, que favoreciam o nosso estado, não ficaram prontas. Mas o hub será do RN”, garantiu o governador.

 

FIERN
O presidente da Fiern, Amaro Sales convocou a “convergência de todos os Poderes e instituições em torno de uma pauta comum.” Na visão de Sales, o momento de crise econômica e política no Brasil também traz a oportunidade para a discussão e criação de um “pacto” pelo desenvolvimento do estado. “Para isso é preciso uma aliança pelo desenvolvimento, estimulando a postura empreendedora. Precisamos que os órgãos parem com a cultura da punição e da burocracia; empreendedores não podem ser tratados como criminosos, mas heróis da resistência. Merecemos respeito e oportunidades”, acrescentou o presidente da Fiern.

Robinson Faria – Governador do RN
"O importante de se discutir a crise no seminário é de cada um mostrar o seu papel para enfrentá-la. A crise é para ser enfrentada, não é para esperar passar. O nosso governo tem mantido uma condição muito importante em relação ao Brasil, estamos com um estado mantendo a sua governabilidade, com investimentos importantes”

Henrique Eduardo Alves – Ministro do Turismo
“É o 25ª debate que a Tribuna o Norte promove sobre o presente e futuro do nosso estado nos últimos oito anos, e este aponta para a grande necessidade que é rediscutir a economia do Brasil com foco no nordeste e no Rio Grande do Norte. Também será debatido como se preparar para essa crise que é também política. Temos que ter sobretudo a sensibilidade, preocupação e determinação para buscar caminhos novos no desenvolvimento do nosso estado”.  

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